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Carol Govari Nunes@carolgnunes

Lançado no final do ano passado, o videoclipe de “Só Agora”, da cantora Pitty, circula pelas primeiras posições da MTV, além de ter passado de trezentas mil visualizações no youtube.

Dirigido por Ricardo Spencer, que tinha em punho uma Super 8mm, o clipe de “Só Agora” foi filmado em uma chácara em São Paulo, onde foram capturados momentos da banda, filhos e amigos próximos.

Cantora e diretor durante as gravações do clipe (Foto: Otavio Sousa)

Passados quase dois meses do lançamento, sonhei com cenas do vídeo. Curioso, pois o assisti poucas vezes, revendo só hoje. Na noite em que foi lançado, mandei um email para o diretor contando as sensações que as cenas tinham me causado – “uma montanha-russa de emoções”, disse a ele.

Ricardo Spencer também dirigiu os clipes de “Memórias” (junto com Alexandre Guena), “Deja Vu” e “Me Adora”, além do “Sessões Anacrônicas”, documentário sobre as gravações do disco Anacrônico (também com Alexandre Guena), o making of do “(Des) Concerto ao vivo” e “Chiaroscope”, uma espécie de home movie do disco Chiaroscuro.

Tendo isso para analisar, sentir e simplesmente ver, todas essas produções causam em mim, como espectadora, uma montanha-russa de emoções. Na verdade, um parque de diversão de emoções. Para que serve a arte, senão para divertir, sentir, se jogar? Pois esse é o tipo de arte que te acelera, excita, aperta o peito, surpreende e arrepia os pelos do corpo inteiro.

Spencer também dirigiu o clipe da música “Me Adora”, com mais de um milhão de views no youtube (Foto: Otavio Sousa)

Talvez o trabalho de Spencer vista tão bem as músicas da Pitty porque a música dela causa justamente esse sentimento meio (meio?) montanha-russa, não se encaixando no conceito de indústria musical que a mídia nos mostra. Ninguém esperava todo o experimentalismo do Chiaroscope, nem a música “Só Agora” como single e o estilo do clipe que assistimos. Acho isso curioso e genial, porque o que mais vemos são bandas idênticas e com músicas idênticas, tudo produzido para ser absorvido da maneira mais fácil pelo público.

Acredito que vender com originalidade, não fazer o que todo mundo faz e, mesmo assim, crescer, conquistar espaço, é uma grande vitória para qualquer artista, independente do ramo.

Sobreviver em um meio que deseja e consome um acervo de coisas palatáveis demanda lutar bravamente contra essa previsibilidade artística, tão presente em nossos aparelhos de rádio e televisão.

É bom perceber que ainda há artistas lutando contra isso.

Aqui, você assiste uma matéria especial de Maurício Caires (para a TVE – BA) sobre essa parceria de Pitty e Ricardo Spencer, com imagens da gravação do segundo DVD ao vivo da cantora, na casa de shows Circo Voador (RJ).

 

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