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Na última quinta-feira, 24 de novembro, a banda Ultramen subiu ao palco do Opinião para lançar o DVD Máquina do Tempo, gravado 8 anos atrás naquele mesmo palco.

Além do lançamento do DVD, o show marcou a comemoração dos 25 anos da banda, que tem 4 discos de estúdio lançados e intercalou sucessos de todos os álbuns, além de “Robot Baby”, composição inédita do grupo. Pouco antes do show começar, o público assistiu a um vídeo do Mestre Guitarreiro Luis Vagner contra o fechamento da TVE e FM Cultura, movimento que a Ultramen também faz parte e endossou essa posição durante boa parte do show, principalmente no bis, quando todos os músicos voltaram com a camiseta “Salve salve a TVE e a FM Cultura” e Tonho Crocco disse que o medo dele – e da banda – não é perder espaço na mídia, mas sim perder a Fundação Piratini, essencial para bandas independentes, artes cênicas e cultura em geral.

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Interação entre banda e público foi intensa durante toda a noite (Foto: Carol G. Nunes)

Mas retomando o início do show, que começou com “Tubarãozinho” (depois da “Intro”, seguindo a mesma ordem do DVD), e seguiu com clássicos da banda como “Grama Verde”, “Bico de Luz”, “Dívida”, “General”, “Preserve”, “Máquina do Tempo” e outras várias faixas que estão no DVD, tivemos uma noite com uma energia incrível e público super presente. Aliás, o público era bem mais diversificado do que o do último show que eu tinha visto da Ultramen, no ano passado. Gente de todas as faixas etárias e cores e sabores e amores lotaram o Opinião. Sem cotoveladas e sem empurra-empurra. Andei umas 5 vezes pelo bar, de ponta a ponta, e apesar de estar bem difícil de se locomover por causa da quantidade de pessoas, ninguém trancava a passagem ou te olhava de cara feia. Acho que um público também faz o show. Eu sou jornalista, mas eu também sou público. Eu gosto de circular, de observar – ainda não perdi isso da etnografia, confesso –, e shows da Ultramen são sempre interessantes – do ponto de vista jornalístico e também do ponto de vista etnográfico.

Várias participações também rolaram durante a noite: Buiu em “Esse é o Meu Compromisso”, Manos do Rap (rapper Du e Curumano) em “Erga Suas Mãos”, PX em “Peleia” e o Gibão, batera da Comunidade Nin-Jitsu entrou em “Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown”.

O DVD Máquina do Tempo está disponível no youtube e você também pode comprá-lo no site da HBB Store.

A Galáxia de Tonho Crocco

Antes tarde do que mais tarde:

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BNegão participou em “Baobá” e “Dívida” (Foto: Carol G. Nunes)

No dia 20 de outubro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, Tonho Crocco lançou o baita disco Das Galáxias. Com participação de BNegão em “Baobá” e acompanhado da in-crí-vel banda Partenon 80, Tonho tocou todas as faixas do disco Das Galáxias e faixas d’O lado brilhante da lua, além de algumas músicas da Ultramen. Além de BNegão, PX também fez uma participação especial em “Peleia”, junto com o mini-sobrinho de Tonho, que estava de aniversário, e matou a pau na coreografia de “Peleia” 🙂

O projeto foi contemplado pelo edital Natura Musical Rio Grande do Sul e já teve seus shows de lançamento por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Vi na agenda que em dezembro eles vão tocar de novo em Porto Alegre e a dica é: vale conferir, pois o show é incrível, muito bem produzido e formatado.

Você pode baixar o Das Galáxias no site da Natura. O disco também está disponível em CD e vinil (comprei o vinil e o som é uma beleza, vale o investimento!).

 

Carol Govari Nunes@carolgnunes

No segundo semestre de 2014 eu tive um seminário chamado “Creative Industries, Cities and Popular Music Scenes”, ministrado pelo prof. Dr. Michael Goddard, professor visitante da Universidade de Salford (Manchester/UK). A data do trabalho final do seminário coincidia com o show de lançamento do disco Costa do Marfim, da Cachorro Grande, e eu pensei que poderia “sair alguma coisa dali”, já que o seminário (e o projeto POA and MCR Music Scenes) traçava um paralelo entre indústrias criativas de Porto Alegre e Manchester, e o Costa do Marfim me parecia representar isso muito bem.

E, sim, saiu alguma coisa dali. Além do artigo final do seminário, saiu também a minha dissertação de Mestrado. Esse show foi decisivo para isso. E eu nem sabia disso. Fui para o show com o pensamento “vamos ver o que acontece”, com a orientação “coloca o leitor dentro do show”, e acabou que meu procedimento metodológico se voltou para a etnografia e a partir daí eu fui construindo e descontruindo todos os aportes teórico-temáticos em torno do meu objeto de pesquisa. Não vou ficar nesse papo acadêmico, então quem quiser entender como tudo aconteceu, minha dissertação está disponível no repositório digital da biblioteca da Unisinos. Lá, eu conto desde o meu projeto de dissertação, que era sobre o documentário Renato Borghetti Quarteto Europa (sim, tudo a ver), e de como as coisas foram mudando no decorrer da pesquisa (ainda bem).

Este texto é sobre o show que rolou ontem, dia 18, no Opinião, mas primeiro uma rápida contextualização sobre o disco: o Pista Livre marca o momento em que a Cachorro Grande sai de Porto Alegre, fixa residência em São Paulo e assina contrato com a gravadora DeckDisc. A partir daí, 3 discos são lançados pela Deck (incluindo o Pista Livre) e a banda surge com uma sonoridade mais limpa, mais pop e com diversos hits. O disco teve quatro músicas em primeiro lugar nas rádios: “Sinceramente”, “Velha amiga”, “Bom brasileiro” e “Você não sabe o que perdeu”.

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Depois de quase dois anos sem tocar em Porto Alegre, a Cachorro Grande volta com um show em comemoração ao terceiro disco de estúdio da banda (Foto: Carol Govari Nunes)

Enfim, vamos ao que interessa: o show em comemoração aos 10 anos do Pista Livre (na verdade, 11 anos, já que o disco foi lançado em 2005).

Cheguei no Opinião por volta das 19h30min e o bar já estava quase cheio. A Cachorro Grande mantém um público muito fiel em Porto Alegre e arrisco dizer que é uma das bandas gaúchas que mais lota lugares na cidade.

O Pista Livre foi tocado na ordem e na íntegra e teve uma recepção ótima por parte do público. “Você não sabe o que perdeu”, “Sinceramente” e “Velha Amiga” foram cantadas em coro uníssono por todos. Beto comentou da importância de sempre voltar a Porto Alegre, cidade natal da banda, e encontrar os fãs sempre tão ativos no show. Foi uma noite muito quente e de muita interação entre plateia e músicos. Além do Pista Livre, a banda tocou também “Dia Perfeito” (um dos momentos mais bonitos, com a galera cantando acompanhada somente por Pelotas no teclado – e quando Gross entrou ficou mais bonito ainda), “Deixa Fudê”, “Lunático”, “Que Loucura” e “Hey Amigo”.

O show terminou, a banda foi para o camarim, mas o público não se deu por satisfeito e começou a gritar “Mais um! Mais um! Mais um!”. Eles discutiram rapidamente qual música poderiam tocar e decidiram por “My Generation”, do The Who. Nesse momento, Carlinhos Carneiro, da Bidê ou Balde, que estava no backstage, entrou junto no palco para fazer aquelas loucuras que o Carlinhos faz, como correr de um lado para o outro, fazer mil gestos, tocar o que encontra pela frente, animar o público e coisas desse tipo. Você pode ver o vídeo desse momento clicando aqui.

Em síntese, foi um show muito enérgico e com um ótimo repertório. Fui para me despedir “oficialmente” do meu objeto de dissertação (o que, na verdade, não acontece, já que eu ainda estou espalhando alguns resultados da pesquisa por aí) e saí de lá bem satisfeita com o show. Mentira, queria ouvir algumas músicas do Costa do Marfim. Mas ok, fica para a próxima. Ah, e vem disco novo aí! Na dissertação eu o chamo de Picolé (culpem o Edu K), mas o nome oficial é electromod e vai ser lançado em agosto.

Abaixo , o vídeo de Situação Dramática, 11ª faixa do Pista Livre.

Carol G. Nunes – @carolgnunes

TransmutAção, o disco mais recente de BNegão & Seletores de Frequência, foi lançado – e muito bem lançado! – em Porto Alegre na quinta-feira passada, dia 5.

Às 23h30min, a banda subiu ao palco do Opinião e iniciou o show com nada menos que todo o disco novo na íntegra. Muito mais instrumental e com letras cheias de reflexão, o TransmutAção foi muito bem recebido pelo público. O público, inclusive, participou de todo o show – até mesmo das músicas novas. Depois do TransmutAção, foi a vez dos sucessos dos discos anteriores: “Sintoniza Lá”, “Prioridades”, “Reação”, “Dorobô”, “Enxugando gelo”, “Funk até o caroço”, “Bass do tambô”, “Essa é pra tocar no baile”, “Subconsciente”, “Qual é o seu nome?” e “Dança do patinho”: sen-sa-ci-o-nal.

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BNegão & Seletores de Frequência durante o lançamento do novo disco (Foto: Carol G. Nunes)

O show foi marcado pela ótima execução das músicas e entrosamento entre BNegão e os seletores no palco. Disseminador da música negra universal, BNegão não deixou faltar groove e peso na noite. As músicas dos 3 discos trazem inúmeros elementos de dub, funk, HC, reggae, suingue, samba e outras mil referências que funcionam perfeitamente nos discos – e melhor ainda ao vivo. Foram quase duas horas de um show com uma performance brutal e com o melhor som que eu já ouvi no Opinião. Dificilmente eu fico na parte de baixo da pista porque o som estoura, mas dessa vez deu, inclusive, para dar umas voltas bem na frente do palco e não havia um ruído sequer nas caixas de som. Não sei se exigência da casa, ou dos vizinhos, ou de quem quer que seja (ou quem sabe culpa de um ótimo técnico de PA, também), mas o som estava mais baixo e muito melhor. Impecável.

Outro lance que chamou muito a minha atenção foi a iluminação em total sincronia com o beat das músicas. BNegão comentou que o iluminador deles já trabalhou com o Cordel de Fogo Encantado, então ele tem um lance forte de espetáculo (meio cênico, até), além de ser bem experimental e ficar bolando novos esquemas de luz.

Após o show, BNegão e eu comentávamos da importância que é tocar as músicas novas, não ficar só nos hits. E que é preciso coragem pra fazer isso (afinal, tocar o disco novo na íntegra e na ordem não é algo muito comum e também depende do local e do público), mas que na divulgação do TransmutAção eles estão tentando fazer isso sempre que possível. “Tem uma galera que toca duas músicas do disco novo e depois só as conhecidas, mas a nossa ideia não é fazer isso”, comentou o músico.

O TransmutAção teve patrocínio do Natura Musical, projeto de incentivo à música brasileira, que tem apoiado vários projetos massa. Sobre o lançamento pelo Natura Musical, BNegão comentou que o empresário da banda, Mauro Fernandes, foi o responsável por inscrever o projeto e o único que acreditou nesse lance (ele e Lu Ferraz, sua assistente), enquanto a banda nunca colocou fé de que realmente rolaria alguma coisa. Mas rolou, o projeto foi aprovado no edital, o TransmutAção tá aí (inclusive pra download gratuito – baixe clicando aqui) e a banda segue fazendo a divulgação do disco.

A agenda completa (e outras informações) você encontra no site oficial da banda.

Carol G. Nunes – @carolgnunes

Ontem eu pude prestigiar o lançamento do livro Elis – uma biografia musical, escrito pelo jornalista, músico, compositor, arranjador, pesquisador, querido, etc etc etc Arthur de Faria.

O lançamento ocorreu na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country e teve uma conversa do autor com alguns convidados antes da sessão de autógrafos. Maria Luiza Kfouri, que escreveu o prefácio do livro, foi quem iniciou a conversa, dizendo que a biografia escrita por Arthur é a biografia que melhor situa Elis no cenário da música brasileira. A jornalista disse que se não tivesse existido a Elis, certamente a história da música teria sido diferente; isso pela capacidade que Elis tinha de agregar pessoas, de fazer com que compositores escrevessem para ela, de lançar grandes compositores (Milton Nascimento, Ivan Lins, Gilberto Gil, só para citar alguns), e por trazer o Tom Jobim de volta para o Brasil. Maria Luiza, ao falar sobre o livro de Arthur, disse que ninguém melhor que um músico para falar de outro músico – ainda mais quando um músico sabe situar o outro músico de quem ele está falando – que é o caso de Arthur falando de Elis.

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Arthur de Faria debateu com convidados a história de Elis Regina (Foto: Carol G. Nunes)

Assim como o jornalista Juarez Fonseca, ela foi interlocutora de Arthur durante todo o processo do livro. Maria Luiza ressaltou que adora a biografia escrita por Arthur, pois além de situar Elis como ela deve ser situada na história da música brasileira, é um livro saboroso, fundador e, mesmo não gostando da palavra, diz que é definitivo ao colocar a Elis no seu devido lugar.

Juarez Fonseca emendou a conversa dizendo que uma das coisas mais importantes do livro de Arthur é o fato de ele localizar Elis em Porto Alegre, algo que não foi feito em biografias anteriores. Arthur conta antes da chegada dela ao eixo Rio-São Paulo e traz informacões de como a cultura local formou a personalidade musical da cantora. Juarez ainda lembra que Arthur desfaz alguns equívocos de biografias anteriores, como, por exemplo, quem descobriu Elis Regina e outros fatos.

Quem também fez parte dessa conversa foi o músico Clovis Ibañez, comentando da sensibilidade de Arthur ao escrever o livro e como é importante valorizar o que é nosso, já que, no Brasil, há um certo hábito de valorizar muito mais a música estrangeira. Ele contou um pouco do convívio com Elis Regina, que a conheceu quando tinhas 20 anos de idade (ela, então, com 15 anos), quando ele tocava em conjuntos melódicos (OBS: procure saber sobre os conjuntos melódicos – ou espere, pois uma hora dessas o Arthur te conta. Acredite: ele vai te contar). Clovis comentou, entre outras coisas, que conheceu Elis na Rádio Farroupilha e que ficou impressionado com a capacidade vocal dela. Depois disso, falou da época em que trabalharam juntos, os convites para apresentações na TV, Elis sempre sabendo o que queria fazer, extremamente musical, inigualável intérprete, personalidade incrível.

Arthur então comenta que, mesmo após 30 anos da morte de Elis, ela ainda é a maior referência musical do país – pelo menos pra ele.

Uma coisa que foi essencial – e o foco que Arthur quis dar no livro – é algo que surge repetidamente nas minhas conversas em casa, de como, muitas vezes, alguns artistas cantam a obra de outro artista (por exemplo, Elis, Tim Maia, entre outros) sem nenhuma verdade. Reúnem multidões (financeiramente deve ser ótimo para as empresas promotoras), entretanto, cantam com a mesma emoção e sinceridade com que eu rezo pai-nosso-que-estais-no-céu antes de almoçar na casa de familiares. Onde eu quero chegar, e que vai ao encontro do que Arthur traz, é: cantor e intérprete são coisas diferentes.

Capa do livro (Imagem: divulgação)

Capa do livro (Imagem: divulgação)

Arthur disse que estas duas coisas não estão necessariamente juntas. Que alguém pode ser um ótimo cantor, interpretando aquele texto, pensando no que está dizendo – sendo senhor do que está dizendo –, transmitindo uma verdade e, dessa forma, sendo um ótimo intérprete.

Já o grande cantor pode ter uma voz com ótimos recursos, um grande conhecimento musical, técnico, e não ter essa verdade; não sendo, portanto, um grande intérprete. E Elis Regina tinha em altíssimo nível essas duas coisas; era ótima cantora e ótima interprete: ela decifrava o que cantava.

O autor também falou um pouco sobre o processo de gravação de Elis – de como ela partia dos letristas para escolher o repertório dos discos, e não dos compositores –, o que faz com que cada música gravada por ela tenha uma apropriação absurda do texto e uma verdade que foi e continua sendo rara.

A conversa seguiu com histórias de que todos – todos! – os compositores da época queriam ser gravados por Elis – não só pela densidade que ela tinha, pela qualidade dela como cantora; mas também pelo seu comportamento, sua cabeça, pela questão de ser líder, de não tirar o corpo fora (para o bem e para o mal), suas constradições, sua inteligência, sua ascensão, de não se achar uma estrela, de se manter uma pessoa comum – na medida do possível –, não viver numa redoma; enfim, de como Elis Regina nasceu para ser Elis Regina.

Bom, isso foi um pouco do bate-papo do autor com seus convidados. Agora eu vou me deliciar com o livro. Volto em outro momento para contar como foi.

* E pra quem perdeu o lançamento, hoje rola uma conversa com Arthur no Centro Municipal de Cultura (Erico Verissimo, 307).

Carol Govari Nunes@carolgnunes

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Ótima iluminação de palco e som impecável foram alguns dos pontos altos do show (Foto: Carol G. Nunes)

O local é o mesmo onde eu a vi pela primeira vez, em 2004. 11 anos depois, muita coisa mudou. Na verdade, desde o show de lançamento do SETEVIDAS, em 2014, muita coisa mudou. Parece lugar-comum, ainda mais neste blog, mas não é: Pitty está cada vez melhor.

O segundo show da turnê SETEVIDAS em solo portoalegrense começou às 23h do dia 21, quinta-feira passada, e durou quase duas horas. Mais uma vez, com ingressos esgotados e o Opinião abarrotado de gente. Um público mais heterogêneo do que no ano passado se unia em coro para cantar todas as músicas. Foi sensacional. Se o som não estivesse ótimo, quase não teria dado pra ouvir a voz de Pitty em nenhuma canção. Perto de mim, mesmo um pouco mais para o fundo do bar, pessoas cantavam até terminarem com o ar de seus pulmões.

Aquele telão que eu comentei no ano passado está ainda mais interessante. Muitas imagens mudaram, transformando o show em uma experiência sensorial muito maior – quase que nos sugando pra dentro dele – e fazendo com que a fruição deste seja ainda mais intensa. Agora, durante Um Leão, o que rola no telão é o videoclipe da música. Aqueles 4 minutos fugiram tanto do meu racional que eu nem consigo expressar como foi. Procuro palavras, me faltam palavras, me sobram palavras, me transbordam excessos.

Pra mim, o show de Pitty está muito mais combustão lenta do que explosão total em músicas específicas. Claro, tem seus ápices, mas há algo ali que incendeia o tempo todo; um fogo que nunca termina ou sequer diminui. A crueza do baixo-guitarra-bateria, que deu lugar a novos timbres e texturas, faz com que o público desfrute de uma experiência estética como um todo e com o corpo todo – do cérebro aos pés –, seja você da galera dos headbanguers, dos que cantam todas as músicas ou mesmo dos que ficam parados/hipnotizados/mudos sem tirar os olhos do palco. Talvez seja exatamente isso que faça com que o público esteja mais heterogêneo, de diversas idades e estilos, pelo menos aqui na capital gaúcha. É um show para todo tipo de deleite. E que deleite.

Definitivamente, a turnê SETEVIDAS traz uma artista renovada, sem amarras e absolutamente envolvente. A turnê acabou de completar um ano e se você ainda não viu, repito: vá ao show e presencie esse retorno brutal, pois é ali onde Pitty se desnuda emocionalmente – onde a vemos enérgica, forte, visceral e com o que de mais genuíno a arte tem a oferecer.

PS: Rolou Be My Baby (acompanhada somente de palmas) durante Me Adora. O trechinho que consegui pegar ta aqui.

Martin – Quando Um Não Quer

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O show acústico de Martin traz arranjos lindíssimos para novas e antigas músicas (Foto: Carol G. Nunes)

O esquenta pro show de quinta rolou no La Estación Pub, no dia anterior, num show acústico do novo (e belíssimo) disco do Martin. Quem acompanhou Martin foi Guilherme, parceiro de sempre, e Fernanda Mocellin, que ahazou no cajón. De quebra, ainda rolou uma participação do Carlinhos Carneiro cantando Bromélias, clássico da Bidê ou Balde.

Martin tá com um repertório incrível, que mistura músicas do QUNQ e do Dezenove Vezes Amor, além de versões de discos que eles gostam. Dessa vez, rolou Bom Brasileiro (Cachorro Grande), Nostalgia (Vivendo do Ócio) e Contra-luz (Cascadura). Foi uma noite ótima com muito amor, música boa e diversão.

Além de estar em diversas plataformas de streaming, soube que o disco físico tá vindo aí. Fiquemos ligados!

Vídeo de Outra História, do disco QUNQ, aqui.

Carol Govari Nunes@carolgnunes 

Completando 20 anos, a Arthur de Faria & Seu Conjunto finalmente estreia seu novo show, Música pra Bater de Frente.

O repertório é baseado nas 12 canções inéditas que estarão no sexto disco da banda, em fase de finalização, cheio de convidados especiais e que sai pela Loop Discos ainda este ano.

Depois de quase uma década apresentando o instrumental Música pra Ouvir Sentado, o agora sexteto dá uma nova virada e monta seu espetáculo mais pesado. São exclusivamente canções, com música de Arthur e letras suas e de variados parceiros. Vivos, como o pelotense Luciano Mello, o porto-alegrense Nelson Coelho de Castro, o curitibano Marcelo Sandmann, o paulista/gaúcho Daniel Galera e os argentinos Omar Giammarco e Acho Estol (do grupo La Chicana). Ou mortos (mas vivíssimos), como o inglês seiscentista John Donne, o português Fernando Pessoa (em sua encarnação Álvaro de Campos) e mesmo o poeta provençal Peire Cardenal, que já clamava contra a hipocrisia dos poderosos do século XIII.

Num momento em que o mundo, a cidade e o país passam por tempos difíceis, contraditórios e agressivos, a banda destoa da postura autocomplacente de grande parte da cena nacional num show pé na porta e soco na cara, com videocenário e iluminação pensados junto, valorizando texto e conceito. Mas com pausa até para o lirismo de Trovoa, a belíssima balada de amor maduro de Maurício Pereira (parceiro de Arthur e produtor de Música pra Ouvir Sentado).

 Você já ouviu muitas bandas melhores, você já ouviu muitas bandas piores. Mas você nunca ouviu uma banda como a Arthur de Faria & Seu Conjunto.  Ainda mais na maturidade de duas décadas de vida, e pela primeira vez experimentando com programações e processamentos eletrônicos ao vivo.  Um Maverick envenenado a 120km por hora em direção a um precipício.

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Arthur de Faria & Seu Conjunto é: Adolfo Almeida Jr (Fagote, Flauta Doce e Processadores), Julio Rizzo (Trombone com pedais), Marcão Acosta (Guitarras), Arthur de Faria (Voz, Guitarra, Violão, Teclado), Clovis Boca Freire (Baixo, Programações, Ableton Live) e Jorge Matte (Bateria).

Participações Especialíssimas: Vanessa Longoni (voz) e Paulo Inchauspe (guitarra)
Luz: Osvaldo Perrenoud
Som: Clauber Scholles
Videocenário: Janaína Falcão

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Quem esteve no Opinião no último sábado, dia 21, pode presenciar o show de duas consagradas bandas gaúchas: Ultramen e Comunidade Nin-Jitsu.

O palco do bar quase ficou pequeno para tanta energia presente naquela noite. As bandas já haviam se unido para encerrar a primeira noite do Planeta Atlântida, em fevereiro deste ano, e parece que deu tão certo que eles resolveram repetir.

A Ultramen, pelas palavras de Luciano Malásia, percussionista, “é de uma geração influenciada pela MTV e pelo Galpão Crioulo”. Eles circulam, entre outros estilos, pelo hip hop, heavy metal e nativismo. Já a Comunidade Nin-Jitsu é do miami-bass, funk carioca e hard core. Ambas foram formadas em Porto Alegre durante uma grande movimentação na cena musical da cidade, a qual originou, além delas, bandas como, por exemplo, Tequila Baby, Acústicos e Valvulados, e mais para o final dos anos 90, Bidê ou Balde e Cachorro Grande.

Por serem bandas com estilos diferentes, mas parecidas (as duas usam vocabulário interno; nenhuma se encaixa no estereótipo do “rock gaúcho”) e, além disso, frutos da mesma cena, achei que seria interessante ver a junção destes elementos no palco. Não deu outra: foi uma ótima noite com um repertório repleto de hits.

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Juntas, as bandas animaram o público durante uma hora e meia (Foto: Carol Govari Nunes)

O setlist ficou assim:

  1. Merda de bar
  2. Tubarãozinho
  3. Cowboy
  4. Não aguento mais
  5. Bico de luz
  6. Dívida
  7. Toda molhada
  8. Arrastão do amor
  9. Compromisso
  10. Erga suas mãos
  11. Detetive
  12. Popozuda (com participação de Edu K)
  13. General
  14. Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown
  15. Tudo que ela gosta de escutar (Charlie Brown Jr)
  16. Ah, eu to sem erva
  17. Peleia (com PX, da Revolução RS)
  18. Bis: Cosmic Slop (Funkadelic)

 

Do início ao fim, o público respondeu de forma muito positiva: pulou, cantou, gritou, dançou, se divertiu muito. Os músicos estavam inspiradíssimos, animados. Foi um show memorável e eu espero que ele se repita em breve.

* No site do POA Music Scenes, projeto que faz um mapeamento da cena musical de Porto Alegre, tendo como parâmetros algumas iniciativas realizadas em Manchester, você encontra um relato detalhado da noite.