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Ela já colocou tocar Linda Scott antes de entrar no palco; hoje toca Peter Tosh. Já cantou “Bang Bang” (Nancy Sinatra) acompanhada somente de um violão na beira do palco de um festival. Já cantou trechos de “Bom Senso” (Tim Maia), “Asa Branca” (Luiz Gonzaga), “Sociedade Alternativa” (Raul Seixas), “Be My Baby” (The Ronettes), “Smells Like Teen Spirit” (Nirvana), “Fórmula Mágica da Paz” (Racionais MCs), entre tantas outras no meio de suas músicas. Gravou “Sailin On”, mas também cantou “Leaving Babylon” (Bad Brains). Pitty sempre deu pistas de onde vem, mas só agora, em sua nova turnê Matriz – que lotou o Opinião nos dias 30 e 31 de agosto – é que decidiu buscar, repensar e expor sua formação musical.

Matriz traz um show novo, que se diferencia bastante do SETEVIDAS. O que ficou da turnê anterior foi o chute no ar em “SETEVIDAS”, as palmas em “Serpente”, e o microfone giratório em “Boca Aberta” – que no dia 31 deu lugar a “Pulsos” (mantendo o microfone giratório). De resto, praticamente tudo mudou: a ordem do setlist, a formação da banda, o telão (que agora dá lugar a um belíssimo cenário desenhado por Eva Uviedo) e a disposição dos instrumentos no palco.

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Foto: dia 30, por Taty Larrubia

Já comentei aqui inúmeras vezes sobre a mudança que ocorre nos arranjos das canções, mas dessa vez Pitty resolveu cavar mais fundo e apresentar suas composições da forma como elas vieram ao mundo: no violão. “Teto de Vidro” e “Temporal” estão entre as escolhidas. No set acústico – que pra mim é um dos pontos altos dessa turnê – ainda ouvimos “Dançando” (Agridoce), “Ovelha Negra” (Rita Lee, no dia 30), e “Bom Brasileiro” (Cachorro Grande, no dia 31). É preciso bastante segurança no que está propondo pra não arriscar esfriar um show com uma rodinha de violão. E não esfria. Mesmo. Também tem que ter segurança (e ousadia) pra inverter a ordem que os fãs estão habituados: lançar disco -> sair em turnê. “Como assim lançar música em show?”; “Como assim avisar o nome da turnê em um show?”; “Mas não vai ter disco?”; “Quando sai o disco?”; Cadê o disco?”; “Em 2007 tu fez diferente – inclusive ensinou a cantar “Pulsos” antes da gravação do DVD!”. Pois é, em 2007. É comum do ser humano se apegar a algo e querer que seja assim sempre. A gente se acorrenta a ideias e nem percebe que está fazendo isso (escrevi algo nessa linha quando Pitty participou do Sambabook do Martinho da Vila, em 2013, tem nos arquivos do blog), mas faz. Felizmente, Pitty resolveu enfrentar essas ideias e quebrar esses formatos.

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Foto: dia 31, por Taty Larrubia

Particularmente, acho um privilégio ver uma turnê como Matriz na estrada, com uma artista desconstruindo suas certezas e mostrando que o rock, enquanto gênero musical, não é algo fechado e acabado. E mais do que isso: que é possível reivindicar diferentes gêneros musicais pra constituir um álbum – e também uma carreira artística. Me soa absolutamente natural Pitty, que já nos deu tantas pistas de sua bagagem musical, finalmente acionar contextos e influências de gêneros como reggae, dub, rocksteady, juntando com punk, hardcore, utilizando bases eletrônicas, saindo do cercado rotulado como puramente “rock’n’roll”. Afinal, o que é puro? E o que é rock? E por que tem que ser puro?

Todas essas questões fazem com que Pitty se renove não apenas estética e musicalmente, mas também corporalmente no palco. Todos temos um repertório, uma memória corporal, mas Pitty não encena seu arquivo turnê após turnê, como a maioria dos artistas de rock fazem. Pra cantar (a maravilhosa) “Te Conecta” é necessário um abandono da postura agressiva do rock; e é diferente cantar/gritar “Temporal” tocando uma SG preta e cantar “Temporal” somente acompanhada de violão.

Matriz é uma visita guiada à guria que compôs um monte de hits nacionais num quartinho em Salvador/BA. É uma ponte entre o passado e o que ainda vai surgir no futuro, não esquecendo de aproveitar o agora, esse momento tão precioso de reconhecimento e reflexão.

A turnê ta aí, acabou de começar. Pitty é uma artista de palco – pareço um papagaio sequelado repetindo isso há anos, mas Pitty é uma artista de p-a-l-c-o. Tem gente que manda bem nos clipes, no estúdio, mas não funciona no palco. Pitty tem ótimos clipes, grava ótimos discos, mas funciona infinitamente melhor no palco. “Contramão” ao vivo fica imbatível. Sério. Vá ver. Ta rolando shows pelo Brasil inteiro. As próximas datas você pode conferir aqui.

(Mais fotos dos shows no Opinião, por Taty Larrubia: dia 30 e dia 31).

 

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Desde que voltei pro RS eu fui atropelada pela minha tese de doutorado. Não escrevo nada por aqui desde o Coquetel Molotov, que rolou em outubro do ano passado, mas achei que essa era uma data especial e não poderia deixar passar em branco.

O Admirável Chip Novo, disco de estreia da Pitty, completou 15 anos no último dia 7 de maio. Há 15 anos eu tinha 14 anos. Uma adolescente virada em hormônios e com uma enorme disposição pra “fazer arte”, como diz minha mãe. Se fosse no sentido de ser artista seria ótimo, mas era no sentido de ser arteira, mesmo. Estava no 1º ano do 2º grau (que nem deve mais ser chamado dessa forma), usando roupas do avesso porque não queria fazer nada que fosse correto (que absurdo roupa ter lado certo pra usar) e era um misto de “Maladragem” (Cássia Eller), “Lithium” (Nirvana), “Arrastão do Amor” (Comunidade Nin-Jitsu), “Queimando Tudo” (Planet Hemp), “Suck My Kiss” (RHCP) e “Rebelde Sem Causa” (Ultraje a Rigor), basicamente.

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Recorte da capa do 2º Caderno da ZH onde anunciava o show da Pitty pela primeira vez no RS. Junho de 2004 (não sei a data exata e a pasta onde guardo tudo isso está na casa dos meus pais)

Na minha casa não tinha TV por assinatura, então a gente não tinha MTV. Não vi quando o clipe de “Máscara” foi lançado, mas logo fiquei sabendo porque uma amiga me contou. Perguntei (no ICQ) o que ela andava escutando, ela disse que gostava de “Máscara”, da Pitty. Abri o Kazaa (!), procurei e baixei. Achei aquilo muito, muito, muito estranho. A música era foda, pesadona, guitarrão, mas não sabia se gostava do timbre da voz da cantora; ela parecia meio afobada, também. Aquilo era estranho, mas também era interessante, então de alguma forma acabou me pegando, me deixando curiosa, porque no final de semana seguinte (os jóvis de hoje nunca vão saber como era conectar internet discada às 14h da tarde do sábado e só desconectar no domingo de madrugada) resolvi baixar outras músicas. Tentei baixar “Emboscada” e veio uma música do Leonardo (ah, as maravilhas do Kazaa). Procurei de novo, baixei “Emboscada”: opa! essa aí é legal. Baixei “O Lobo”, “Do Mesmo Lado”, “Temporal” e quando baixei “I Wanna Be” bateu imediatamente: aquela letra fazia totalmente sentido pra mim. Num Top 3 do ACN, ainda fico com “I Wanna Be”, “Do Mesmo Lado” e “Só de Passagem”. Ao vivo, “Máscara”, “Admirável Chip Novo” e “Equalize”. Aliás, eu só fui gostar de “Máscara” e “Equalize”, por exemplo, um pouco mais tarde, justamente quando vi a execução dessas músicas ao vivo. Pra mim a apresentação-chave foi “Máscara” no VMB de 2003. Ali foi o exato momento em que algo acendeu dentro de mim e nunca mais apagou. Também fiz o download da apresentação, claro, assistia ininterruptamente e ficava pausando pra anotar o nome das bandas baianas que Pitty fala no meio da música, fato que desencadeou minha quase-obsessão pela cena de rock de Salvador, sendo fortemente acentuada com o lançamento do Admirável Vídeo Novo, mas esse é outro longo assunto.

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Recorte também da capa do 2º Caderno da ZH, falando dos shows que rolariam em novembro de 2004. Fui no de POA e no de Portão

No ano seguinte, Pitty se apresentaria pela primeira vez em Porto Alegre. Era junho de 2004, eu já tinha 15 anos, praticamente uma adulta, uma mulher super experiente, e que, mesmo assim, a mãe não deixou viajar porque a passagem era muito cara e nem tinha ônibus direto da minha cidade natal pra POA. Ela veio novamente para o RS ainda naquele ano, e dessa vez eu estava decidida que daria um jeito de viajar pra POA e ver o show. Semana vai, semana vem, eu era a única pessoa que tinha computador com gravador de CD na minha turma, e esse foi o jeito que eu achei de juntar dinheiro pra passagem: comecei a gravar cópias piratas do ACN, com mais algumas músicas aleatórias que a pessoa quisesse, porque tinha espaço no CD-R, e vendia por 5 pila. Além de eu nunca ter comprado o ACN, ainda fazia cópias do disco para as outras pessoas. Um exemplo de fã, diga-se de passagem. Consegui juntar 45 pila, não lembro se esse era o valor exato da passagem, mas mesmo assim a minha mãe decidiu que eu não iria viajar 450 km sozinha de ônibus de linha. Tentou me convencer dizendo que se eu não fosse no show ela compraria um violão elétrico que era meu atual sonho de consumo – um Eagle preto que eu namorava numa Loja Multisom, em Ijuí, onde minha irmã estudava na época –, então eu não tive outra alternativa: precisei chorar copiosamente durante uma tarde inteira (bem rebelde, ela) pra minha mãe deixar eu ir pra POA. De quebra, ainda ganhei o violão, que tenho até hoje.

Sempre lembro que eu mandei um e-mail pra Pitty avisando que eu ia viajar pra POA pra ver o show dela pela primeira vez, porque, né, do alto do meu egocentrismo-adolescente-leonino, aquilo precisava ser comunicado (na verdade, era muito potencializado pelo contato através do Pitty-list, mas esse também é outro assunto e só quem viveu sabe como aquela época foi divertidíssima – e chuto, numa análise muito rápida, essencial pra formar uma rede que perdura até hoje). Ela respondeu dizendo que esperava que aquele fosse um dia especial na minha vida. Foi tão especial que eu ainda estou aqui.

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Turnê do ACN, primeiro show que eu assisti. Bar Opinião – POA, 19/11/04

Seria extremamente repetitivo se eu começasse a falar dos shows da Pitty – tem um arquivo inteiro nesse blog só sobre isso. Mas eu me sinto muito sortuda por ter acompanhado sua carreira desde o primeiro disco, podendo discutir tudo o que permanece, o que mudou, e curiosa com o que ainda vem pela frente. Ficaria horas escrevendo sobre isso, tranquilamente.

Em outra análise muito rápida, acho que a Pitty conseguiu, nesses 15 anos, lidar muito bem com todas as mídias e formatos de consumo musical: CD, vinil, dual disc, streaming, single em vinil, single digital, youtube, agora K7, ou seja, soube explorar a variedade de formatos desde que estreou nesse mundão da indústria fonográfica. Na questão do contato com o público, também: lista de discussão, flogs e todos os sites de redes sociais que foram surgindo pelo caminho, falando diretamente com/para seu público, fortalecendo aquela rede que eu citei anteriormente. Quando eu andei em uma vibe mais digital e surgiu a hipótese de ela ser um dos meus objetos na tese, recuperei todos os arquivos de listas de discussão e materiais entre 2004 e 2017, analisando a tal “coerência expressiva” que a gente tanto discute nos estudos de Comunicação e Performance. Mas esse também é outro assunto e acabou que minha tese não foi por esse caminho, então tudo o que eu analisar sobre ela, no momento, é só por diversão.

Por fim, acho que a comemoração dos 15 anos do ACN vale muito mais pelo projeto do que somente pelo disco. Por mais que eu tenha sentido uma identificação imediata com “I Wanna Be” e na sequência com as outras músicas, olhando pra trás o que me marca mesmo é o conjunto da obra: CD, DVD, identidade visual, postura, comunicação com o público, discurso, site, clipes, turnê. Foi um lançamento cheio de vigor e coerência em uma época já digital, repleta de distrações e superficialidades, fazendo com que Pitty se tornasse o nome mais consistente de sua geração. Feliz aniversário, Chip Novo

Uma missão discente na UFPE, proporcionada pelo projeto de cooperação Cartografias do Urbano na Cultura Musical e Audiovisual entre as universidades Unisinos/UFF/UFPE, me jogou lindamente por um semestre no Recife e eu acabei dando muita sorte, já que peguei um semestre onde aconteceria o MADA – Música Alimento da Alma, um dos festivais mais importantes do circuito, em atividade desde 1998.

Pioneiro no estado e uma das referências no país por apresentar bandas e artistas emergentes da cena independente ao lado de expoentes do mercado da música, o Mada teve sua 19ª edição durante os dias 29 e 30 de setembro, no Arena das Dunas, em Natal/RN, e eu pude conferir de perto tudo o que aconteceu.

Uma ótima estrutura – dois palcos lado a lado – garantiu a pontualidade dos shows, já que enquanto uma banda tocava, a outra já estava se preparando para entrar no palco. De fato, poucos minutos separaram cada show da noite, o que manteve o público animado e totalmente aquecido durante todo o tempo.

 

Na sexta-feira, dia 29, os shows foram de Eliano, artista de Pau dos Ferros/RN, que tem um trabalho ligado ao folk rock e a literatura, com banda formada por Ricardo Baya, Júnior Primata e Ericksson Grilo. Após o show intimista de Eliano, a paulistana Deb And The Mentals fez uma apresentação punk, animada e dançante. Com o elogiado disco Mess, lançado no início do ano, a banda formada por Deborah Babilônia (voz), Guilherme Hypolito (guitarra), Giuliano Di Martino (bateria) e Stanislaw Tchaick (baixo) mostrou por que foi a vencedora da Seletiva Nacional do Mada.

Depois de Deb And The Mentals foi a vez da potiguar Seu Ninguém, banda formada por Luana Alves (voz, teclado e escaleta), Erick Allan (baixo), Luan Régio (guitarra e voz), Salomão Henrique (guitarra e teclado) e Italo Alves (bateria), apresentando um show mais indie/pop rock. A banda ainda não tem disco, mas tem vários singles lançados, como “Dois Quarteirões”, “Dia Frio”, “Sua Canção de Amor”, “Termidor”, “Arrojo”, entre outras.

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Baco Exu do Blues (Foto: Carol Govari Nunes)

Quem subiu ao palco às 21h40min foi Baco Exu do Blues, rapper baiano que trouxe ao Mada seu elogiadíssimo disco Esú. Karma, santos, profano, sagrado, amor, desgraça, minorias, ironias: tudo é pauta para as rimas de Baco Exu do Blues, que foi para o meio da galera, nas duas pistas, duas vezes durante o show.  Público cantando tudo o tempo inteiro, certamente um dos shows mais marcantes dessa edição do Mada.

A linda da Mahmundi foi quem tocou após Baco Exu do Blues. Com um som pop/ synthpop, cheio de batidas eletrônicas e refrãos marcantes, Mahmundi conduziu o show sempre interagindo com o público, inclusive dizendo para que as pessoas puxassem assunto uma com as outras ali mesmo no show, conversassem com quem está ao seu lado. Enquanto escrevo, observo o setlist que trouxe pra casa e me pego lembrando das ótimas “Hit”, “Eterno Verão” e “Calor do Amor” (que fechou o show).

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Plutão Já Foi Planeta (Foto: Carol Govari Nunes)

Outra apresentação massa (o line up desse festival tava bom, hein?) foi da também potiguar Plutão Já Foi Planeta, banda que vergonhosamente eu não conhecia e achei a apresentação impecável. Banda ensaiada, em sintonia, com vontade de tocar. Eles lançaram neste ano o disco A Última Palavra Feche a Porta, produzido por Gustavo Ruiz, com participações de Liniker e Maria Gadú. Formada por Natália Noronha (voz, violão, teclado, baixo), Gustavo Arruda (voz, guitarra, baixo), Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele, escaleta), Vitória De Santi (baixo, teclado) & Renato Lelis (bateria), a banda protestou contra a cura gay e fez um beijaço no palco, durante a música “Alto Mar”. Eram uns 15 casais homoafetivos e heterossexuais, que entraram com máscaras do #ForaTemer e do líder-dos-bolsominions, rasgando as máscaras antes de se beijarem. O público também respondeu super bem – participando do protesto, gritando muito, se beijando muito.

Penúltimo show da noite, a Banda Uó trouxe toda a irreverência do tecno pop com pitadas de brega e funk. Eles vêm de Goiânia, mas claramente têm um pé no Pará, o que resulta em uma mistura de ritmos latinos, paraenses e o legítimo tecnobrega da aparelhagem e do funk. O trio surgiu 2010 e é formado pelos vocalistas Mel Gonçalves (Candy Mel), Davi Sabbag e Mateus Carrilho – todos ótimos no palco, trabalhando o tempo todo com coreografia e muita energia.

Quem encerrou a primeira noite do Mada foi Nando Reis com a turnê Jardim Pomar, que tem show assinado por Roger Velloso. No setlist, músicas do novo disco como, por exemplo, “Só Posso Dizer”, “Azul de Presunto”, “Pra Onde Foi”, “Inimitável”, e também grandes sucessos como “Os Cegos do Castelo”, “Sou Dela”, “All Star” (dedicada à Cássia Eller <3, claro), “Relicário” e “Marvin”. O show terminou às 3h15min, mas o artista voltou para um bis com “O Segundo Sol” e “Do Seu Lado”.

No sábado, dia 30, o Mada começou com a banda Kung Fu Johnny, formada por Cesar Valença (guitarra), Ian Medeiros (bateria e vocais) e Walter Nazário (baixo). O trio de Natal abriu o último dia do festival com uma pegada mais stoner, com guitarras pesadas e apresentou músicas do álbum Day By Day. Logo depois do Kung Fu Johnny, veio a banda Carne Doce, direto de Goiânia, com um show mais psicodélico e letras poéticas. Salma Jô, vocalista, é quem comanda o show ao lado de João Victor Santana (guitarra e sintetizador), Ricardo Machado (bateria) e Anderson Maia (baixo).

Outro trio potiguar que se apresentou no festival foi DuSouto, que apresentou o álbum Conecta, lançado recentemente nas plataformas digitais e inédito ao vivo até o momento em que subiram no palco do Mada. A banda traz influências da música eletrônica e acaba misturando ritmos latinos, nordestinos, com reggae e dub.

 

Na sequência, o nome feminino mais forte do rap nacional, Karol Conka. Com um show vibrante e que entorpeceu o público, Karol preencheu todo o (grande, para quem está somente acompanhada de um DJ) palco do Mada, apresentando uma sequência de sucessos e muito bom humor. Com letras falando sobre a importância da mulher na sociedade e uma sonoridade marcante, dançante, cheia de batidas pesadas e com referências de substep, reggae, r&b, soul, funk y otras cosítas más, Mamacita é, de fato, O poder. O público, participativo durante todo o tempo, se esmagava na grade para ficar mais próximo da cantora, e alguns ainda tiveram a sorte de subir ao palco para dançar com Karol. Hits como a ótima “Lalá”, “É o Poder”, “Tombei” e “Maracutaia” foram entoados como hinos pelo público.

Uma versão de “Back to Black”, de Amy Winehouse, finalizou o show. Karol saiu do palco, mas não foi embora: ficou à espero de uma participação especial no show que viria a seguir, de Pitty.

Meu relógio marcava 23h50min quando Pitty subiu ao palco, ovacionada pelas 7 mil pessoas presente no Arena das Dunas. A primeira fila era marcada por fãs que estavam ali desde antes da banda Kung Fu Johnny e que não se movimentaram, como a maioria do público da pista Rockstage, entre as trocas de palco.

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Pitty (Foto: Carol Govari Nunes)

A banda abriu o show com “SETEVIDAS” e nesse momento eu percebi que não conseguiria me movimentar, como nos shows anteriores. Tentei descer para as pistas, mas elas estavam abarrotadas de gente e ninguém queria ceder ou dividir o espaço que conseguiu ficando tantas horas ali, em pé, à espera daquele show. Eu entendo perfeitamente, então voltei para a coxia e vi todo o show dali, o que me proporcionou uma visão do público que eu nunca tinha tido e que foi muito interessante. Se eu tinha sentido uma mini frustração porque não ia conseguir ver a banda de frente, essa frustração foi rapidamente apagada ao perceber que teria uma experiência diferente e enriquecedora de poder observar as trocas, os vínculos e as negociações entre Pitty e público.

A cantora conversou com a galera o tempo todo: se ajoelhou, fez reverências, agradeceu quem estava ali naquela noite, inclusive se deslocando de outros estados. Um show só acontece porque ali há ações, interações e relacionamentos – mesmo que aqui eu esteja falando da atuação de Pitty, a performance é algo que acontece entre performer e sua audiência, ou seja, é uma prática relacional. No caso do público de Pitty presente no Mada, foi notória a participação deste no processo e na reconfiguração do evento performático, onde pude perceber uma conexão super afetuosa entre cantora e plateia.

Por mais que haja um roteiro estabelecido (um setlist a ser seguido), há também uma reinvenção e uma (re)experimentação de Pitty durante o show. “SETEVIDAS”, mesmo, e as músicas que vieram na sequência, como “Admirável Chip Novo”, “Anacrônico” e “Memórias”, foram apresentadas com mudanças nos arranjos e experenciadas pelo público de forma diferente.

A participação de Karol Conka em “Respect”, número que as duas tinham feita no Criança Esperança deste ano, e do BaianaSystem, cantando “Duas Cidades”, do álbum Duas Cidades, do Baiana, foram ótimos momentos dessa edição do Mada. Além dessas participações, que me levam a pensar 1) na reafirmação da cantora em seu local de fala sobre empoderamento feminino, cantando, com Karol, um do maiores hinos feministas de todos os tempos, e 2) um desapego da estética performática padrão do rock ao dialogar com a guitarra baiana e  todos os ritmos trazidos pelo BaianaSystem, temos também a inserção de trechos de “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas, no meio de “Admirável Chip Novo”, “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, no meio de “Memórias” e “Bom Senso”, de Tim Maia, no meio de “Máscara”, além de, claro, “Dê Um Rolê”, dos Novos Baianos, que marcam, de forma intencional ou não, uma forte ligação da cantora com o Nordeste e com a música brasileira.

Depois de Pitty, Kaya Conky, a “dona de Natal”, apresentou seu maior sucesso “E Aí Bebê”, além de canções do seu novo EP e covers de Anitta e Ludmilla.

 

Pra fechar a edição 2017 do Mada veio o combo sonoro do BaianaSystem, formado pelo carismático Russo Passapusso e os multi-instrumentistas Roberto Barreto, SekoBass e Filipe Cartaxo. Foi um dos shows mais pesados e com público respondendo insanamente que eu lembro de ter presenciado. É uma interação bem diferente de show de rock, por exemplo. A banda traz uma riqueza rítmica de sons ancestrais da Bahia, do samba do Recôncavo, dos tambores, guitarra baiana, do samba reggae, ijexá, axé e kuduro misturados ao sound system da Jamaica, o que faz com que todo mundo dance muito. Nesse show eu fiquei durante a maior parte do tempo na lateral do palco, mas também consegui caminhar pela pista Rockstage – fui pra sentir como era lá de baixo, como a galera vivia aquele show. O negócio era um absurdo. O meu corpo nem reconhecia aquela atividade direito – sou público, jornalista e pesquisadora de rock, com uma memória corporal típica do rock, então imaginem a desordem do meu corpo vendo BaianaSystem pela primeira vez. E vendo Banda Uó. E vendo Kaya Conky. E shows de música brega, aqui no Recife. Se o Nordeste não amolecer o meu corpo formatado pelo rock gaúcho, não sei o que vai.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

 Quase três meses se passaram desde que Pitty lançou o DVD Turnê SETEVIDAS Ao Vivo, inaugurando uma plataforma onde é possível fazer o download (em full HD!) do show e do documentário “Dê Um Rolê”. Tem também a versão física, claro, onde o público confere, além do show + doc, uma galeria de ótimas fotos que mostram momentos de shows, camarins, viagens de ônibus e tudo o que envolve uma turnê.

13654247_1402395359777371_3157389320106687215_nDirigido e editado por Otavio Sousa – que vem fazendo um ótimo trabalho como diretor desde o videoclipe de “Dançando”, do Agridoce –, “Dê Um Rolê” inicia com uma edição in-crí-vel de “Boca Aberta”, e daí pra frente é correr pro abraço e ficar por dentro de tudo o que acontece quando a banda ta na estrada, seja dentro ou fora do palco. Inclusive, Otavio Sousa conseguiu fazer uma montagem muito bem equilibrada de imagens de palco/backstage, com uma visão que faz com que o espectador se sinta inserido naquele ambiente, seja no cantinho do palco ou em qualquer outra ocasião que assistimos no DVD.

Além de dar voz para os fãs – que contam suas experiências e falam da importância de Pitty em suas vidas e no cenário musical como um todo –, “Dê um Rolê” traz vários pontos interessantes que ultrapassam a ideia de um simples registro de turnê: ele mostra a ligação da artista com o Nordeste – sobretudo com Salvador, sua cidade natal; o cuidado em não se distanciar do pessoal que conheceu na época do underground, tocando sempre que possível em festivais deste circuito; a preocupação em entregar o melhor show para o público, seja na parte da estrutura técnica (a gente pode conferir o trabalho da equipe responsável pela montagem de palco etc) ou colocando mais um músico na (melhor formação da) banda, que é o caso do talentoso Paulo Kishimoto, que toca tudo e mais um pouco, além de cantar muito bem, obrigada.

Em relação ao show, que foi gravado na Audio Club, em São Paulo, e reeditado por Daniel Ferro, destaco o excelente som, a iluminação e as projeções sensacionais (leiam a ficha técnica!) que foram trabalhadas ao longo dos shows.

A turnê SETEVIDAS apresenta claramente a performer que Pitty se tornou – reformatando suas músicas e dando novos significados a elas. Pitty, que até então se destacava, pelo menos pra mim, por ser melhor compositora do que cantora, foi, ao longos dos anos, se reconhecendo no palco, se permitindo, se colocando à prova, testando suas capacidades vocais e performáticas. No show do DVD Turnê SETEVIDAS Ao Vivo é possível perceber o entrelace de diferentes potências (vocais / performáticas / sonoras / visuais) – daí a característica tão marcante desse show.

E “Dê Um Rolê”, o single, consolida a Pitty intérprete: ela toma pra si a letra da música e dá vida a ela. Afinal, uma coisa é cantar, outra coisa é interpretar. De nada adianta ter uma extensão vocal estrondosa e não passar o sentimento da música – o que, claramente, não é o caso visto aqui. Pitty é o amor da cabeça aos pés. Me convence: a vida é boa. Se antes eu comentei que suas composições se ressignificavam em sua voz, agora aponto que “Dê Um Rolê” é, no momento, o melhor exemplo de como músicas de outros compositores ganham novos sentidos em sua interpretação. Na canção dos Novos Baianos, Pitty usou uma pitada (ou um punhado?) da versão genial da Gal Costa: rasgada, enérgica, convidativa – uma lindeza só.

 …

O que será que vem depois do SETEVIDAS? Eu não sei. Só sei que, ao que tudo indica – e pelo andar dessa carruagem que só melhora com o tempo -, a gente não perde por esperar.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

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Ótima iluminação de palco e som impecável foram alguns dos pontos altos do show (Foto: Carol G. Nunes)

O local é o mesmo onde eu a vi pela primeira vez, em 2004. 11 anos depois, muita coisa mudou. Na verdade, desde o show de lançamento do SETEVIDAS, em 2014, muita coisa mudou.

O segundo show da turnê SETEVIDAS em solo portoalegrense começou às 23h do dia 21, quinta-feira passada, e durou quase duas horas. Mais uma vez, com ingressos esgotados e o Opinião abarrotado de gente. Um público mais heterogêneo do que no ano passado se unia em coro para cantar todas as músicas. Se o som não estivesse ótimo, quase não teria dado pra ouvir a voz de Pitty em nenhuma canção. Perto de mim, mesmo um pouco mais para o fundo do bar, pessoas cantavam até terminarem com o ar de seus pulmões.

Aquele telão que eu comentei no ano passado está ainda mais interessante. Muitas imagens mudaram, transformando o show em uma experiência sensorial muito maior – quase que nos sugando pra dentro dele – e fazendo com que a fruição deste seja ainda mais intensa. Agora, durante Um Leão, o que rola no telão é o videoclipe da música.

Pra mim, o show de Pitty está muito mais combustão lenta do que explosão total em músicas específicas. Claro, tem seus ápices, mas há algo ali que incendeia o tempo todo; um fogo que nunca termina ou sequer diminui. A crueza do baixo-guitarra-bateria, que deu lugar a novos timbres e texturas, faz com que o público desfrute de uma experiência estética como um todo e com o corpo todo – do cérebro aos pés –, seja você da galera dos headbanguers, dos que cantam todas as músicas ou mesmo dos que ficam parados/hipnotizados/mudos sem tirar os olhos do palco. Talvez seja exatamente isso que faça com que o público esteja mais heterogêneo, de diversas idades e estilos, pelo menos aqui na capital gaúcha.

Definitivamente, a turnê SETEVIDAS traz uma artista renovada, sem amarras e envolvente. A turnê acabou de completar um ano e se você ainda não viu, repito: vá ao show e presencie esse retorno brutal, pois é ali onde Pitty se desnuda emocionalmente – onde a vemos forte e com o que de mais genuíno a arte tem a oferecer.

PS: Rolou Be My Baby (acompanhada somente de palmas) durante Me Adora. O trechinho que consegui pegar ta aqui.

Martin – Quando Um Não Quer

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O show acústico de Martin traz arranjos lindíssimos para novas e antigas músicas (Foto: Carol G. Nunes)

O esquenta pro show de quinta rolou no La Estación Pub, no dia anterior, num show acústico do novo (e belíssimo) disco do Martin. Quem acompanhou Martin foi Guilherme, parceiro de sempre, e Fernanda Mocellin, que ahazou no cajón. De quebra, ainda rolou uma participação do Carlinhos Carneiro cantando Bromélias, clássico da Bidê ou Balde.

Martin tá com um repertório incrível, que mistura músicas do QUNQ e do Dezenove Vezes Amor, além de versões de discos que eles gostam. Dessa vez, rolou Bom Brasileiro (Cachorro Grande), Nostalgia (Vivendo do Ócio) e Contra-luz (Cascadura). Foi uma noite ótima com muito amor, música boa e diversão.

Além de estar em diversas plataformas de streaming, soube que o disco físico tá vindo aí. Fiquemos ligados!

Vídeo de Outra História, do disco QUNQ, aqui.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O que vocês fazem quando precisam respirar? O que vocês fazem quando o trabalho não anda?

Eu, quando não consigo escrever uma linha a mais sequer, quando não aguento mais ouvir a discografia de uma banda para entender sua(s) identidade(s), recorro a outro tipo de arte para respirar e tentar voltar ao trabalho. E escrever sobre isso acaba sendo inevitável.

Então este texto é só para isso: para respirar. Não vou pensar, não vou analisar, não vou entrevistar ninguém. Ando exausta de só pensar, pensar, pensar, pensar e muitas vezes me preocupo se vou conseguir assistir a um show, a um clipe, a um documentário – qualquer coisa – sem analisar cada detalhe. É infernal. Mas eu não quero falar sobre isso. Eu quero falar sobre reações, sobre sentimentos.

Eu quero falar sobre o clipe de “Um Leão”, da Pitty, dirigido por Ricardo Spencer. Quando eu soube que havia sido gravado, em uma conversa com o próprio diretor, o assunto passou batido. Naquela época eu já não queria muito saber. Imaginar é mais interessante do que saber. Falávamos sobre o The Charles Bukowski Tapes, seus atuais projetos, minha pesquisa, sonhos, Barcelona, assuntos que não se cruzavam (mas faziam todo sentido) e nossa conversa foi interrompida pela necessidade de fazer carinho em Yuki, seu cão de 13 ou 14 anos. Quando o clipe foi lançado, tive o impulso de enviar uma mensagem pra ele, perguntando sobre a gravação – afinal, ainda tenho alguns resquícios do jornalismo e sou terrivelmente curiosa –, mas não mandei. Escrevi, apaguei. Escrevi umas três vezes e apaguei. Decidi ficar com a arte por si só, sem esmiuçar nada. Sou obcecada por behind the scenes, entrevistas reveladoras e sempre quero saber como tudo aconteceu. Dessa vez, não.

Dessa vez, só a sensibilidade do olhar de Spencer, só a performance de Pitty, só as câmeras nervosas, só a fotografia brutal: só o clipe. Bicho solto, fora da jaula – sem domador. Ele começa calmo, meio que reconhecendo o habitat. A gente quase não vê o bicho terminar um movimento inteiro. Muitas vezes, não vemos o seu rosto, pois as imagens são desfocadas. Limpo a tela; não adianta. Há um jogo de contraluz que cega. Um contraste que instiga. Sombras. Eu tento caçar; não pego nada. O bicho não para. Ele vai, volta, gira – me tonteia com sua dança. Nada desacelera. Cerro os punhos, meu sangue ferve. Me concentro, mas ele foge. Foge o tempo todo. Não há nem como tentar adestrá-lo. Ele brinca com movimentos, provoca, não tem pudor. Penso em emboscadas, mas ele não cai – é muito ágil e sabe o que está fazendo. O delicioso sabor da perseguição, a respiração ofegante, a excitação. Em sintonia com a natureza, a arte vira um organismo vivo em movimento contínuo. Ator, acreditador. Começo predador, termino presa. Aqui, “Um Leão” não arranhou: foi golpe fatal.

Carol Govari Nunes – @carolgnunes

Ela voltou com o pé na porta: chegou chegando com SETEVIDAS (a música) na abertura do show, não deu tempo para adaptações e nem tempo para a galera respirar entre uma música e outra. Sem pisar no palco do Opinião com sua banda principal há quase três anos, Pitty retornou sedenta ao bar na última quinta-feira, 21, para o show de lançamento do seu novo álbum. Iniciando pontualmente às 23h, o show de mais ou menos 1 hora e 45 minutos apresentou quase todas as músicas novas, além de hits dos outros discos, excitando o público a cada acorde tocado.

A mudança da disposição dos instrumentos no palco, que trouxe Duda e sua bateria para frente, fez com que a performance da cantora fosse enriquecida pela maior mobilidade, a deixando solta pelo palco. Pitty dança, pula, se mexe livremente, circula entre os músicos e se apresenta muito melhor do que antes. Um telão, que agora faz parte do show, é muito, muito interessante. E quando eu digo que “faz parte” é porque eu acredito que ele realmente integra o show, não está ali somente como suporte visual. Se é para ser assim, eu não sei, mas eu me perdi várias vezes naquelas imagens. Ponto alto para a nova iluminação de palco, que também está demais.

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A banda numa linha de frente, o que deixou o show muito mais interessante (Foto: Carol Govari Nunes)

Se dor exposta é pra doer, Pitty mostra, no SETEVIDAS, que a dor faz parte da nossa existência e que é tão natural quanto os momentos de alegria. Ela foge da obrigação de ser necessariamente feliz e não minimiza seus sofrimentos – muito pelo contrário –, deixa que eles transbordem em suas composições, transformando-os em um show brilhante e cheio de vida, porque a vida é composta de tudo isso.

SETEVIDAS (música, clipe, disco, turnê) é um renascimento, e só renasce quem morre. Se Pitty não tivesse morrido algumas vezes, ela não teria voltado mais experiente, mais sensual, mais autêntica, mais provocativa, mais livre, mais viva. Pitty nunca foi do time dos artistas que fazem músicas fofas (doces, sim) para relaxar, e sim músicas para provocar, para impulsionar, para questionar, para exorcizar e refletir. Não sei se todo mundo entende o que eu quero dizer, mas tenho certeza de que quem acompanha a sua carreira desde sua primeira respiração afobada em “Máscara” sabe do que eu estou falando.

Não digo que fiquei surpresa com o show, pois sei que a banda nunca fica estagnada e sempre aparece com novidades, mas fiquei muito bem impressionada e rendida. Por mais que eu já tivesse assistido a alguns vídeos na internet, nada no youtube consegue transparecer a essência de uma música executada ao vivo. No palco, que, para mim, é onde tudo faz sentido, Pitty liberta seu instinto mais primitivo e não, não tem domador. Por isso aconselho: se você puder, vá ao show e presencie esse retorno cheio de vida, de garra e de ousadia.

* Como eu disse acima, nenhum vídeo do youtube chega perto do que são as músicas ao vivo. Entretanto, também fiz algumas imagens bem domésticas para registro da noite, mas que dão uma ideia (trêmula) de como foi um show especial: