Posts Tagged ‘Fliperama’

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A Fliperama esquentou o ambiente na segunda noite do Les Paul Rock Pub (Foto: Carol Govari Nunes)

O último final de semana foi movimentado pela abertura de um novo lugar em Frederico Westphalen: o Les Paul Rock Pub. Na sexta-feira a banda Maquinados, de Venâncio Aires, fez as honras e foi a primeira banda do mundo a pisar no palco do Les Paul. No sábado, a frederiquense Fliperama animou o público que foi conhecer o novo ambiente da cidade. Sandro Vieira, vocalista da Fliperama, disse que o Les Paul veio pra ajudar a ressuscitar o rock em Frederico Westphalen: “a gente só está soterrado por um bando de outros estilos que foram tomando conta, mas agora vamos ressurgir das cinzas e certamente aqui vai ser um lugar pra firmar o rock’n’roll”. Animado como de costume e com uma grande presença de palco, Sandro comandou a Fliperama no vocal e deu uma canja na bateria, mandando um Ramones enquanto o tecladista da banda, Mathiel da Rosa, assumia o microfone principal.

Crystian Graffitti, sócio e idealizador do Les Paul, estava visivelmente emocionado com a ótima recepção do público: “é ótimo perceber que o pessoal está curtindo e ver o reconhecimento desse sonho antigo!”.

O pub se divide em duas copas: a de bebidas quentes e as geladas. Enquanto servem as bebidas, o pessoal das copas canta e dança como se nem estivesse trabalhando –  e esse toque de pessoalidade acaba deixando o Les Paul com cara de “casa”, e não apenas um bar onde há funcionários que estão batendo ponto e frequentadores – todos são amigos.

– Preciso muito agradecer a todos que acreditaram e estão dando força na largada inicial do pub: Agência A, Aba Store, Márcio e Rodrigo Mendonça, Wirti, Dudi, The Backstage Blog e todos os nossos apoiadores – disse Graffitti, enquanto servia uma dose dupla de Black Label pra alguém. Finalizando, Graffitti deixou um recado para a próxima terça, dia 12: “Venha namorar no Les Paul!”.

No dia dos namorados (e véspera de feriado em Frederico), a banda da casa vai mandar um rock pra não deixar ninguém dançando sozinho. Se quiser conferir, é só dar um pulo na rua Piratini: prometo que não vai se arrepender.

Anúncios

Natalia Nissen@_natiiiii

Hoje, 02 de junho, acontece a segunda edição da “Quinta Retrô”, uma festa que veio para resgatar o velho rock’n’roll em Frederico Westphalen. No palco a já conhecida banda Fliperama e depois o dj Mendonça  continua a festa com os melhores hits dos anos oitenta.

O evento é uma promoção da segunda turma de Relações Públicas da UFSM/Cesnors em parceria com a banda Fliperama e a boate Mendonça’s. Pâmela Dal Forno Uchôa, membro da comissão organizadora, garante que apesar de o tema da festa ser anos 80, os sucessos das outras décadas também estarão na playlist, “a nossa ideia é criar um conceito diferente, resgatar o rock que tem passado despercebido na maioria das festas na cidade, que priorizam o sertanejo universitário”. A “Quinta Retrô” acontece na primeira quinta-feira de cada mês.

A banda Fliperama durante a primeira edição da "Quinta Retrô" (Foto: Carol Govari Nunes)

O público não deve esperar ouvir as músicas do momento, e sim os clássicos do rock and roll que fizeram a cabeça dos fãs nos anos oitenta. O repertório da banda Fliperama ainda conta com sugestões recebidas no twitter da “Quinta Retrô”, “o pessoal deixa a sugestão e a banda avalia a possibilidade de tocar a música na festa” explica Pâmela.

Para as próximas edições da “Quinta Retrô” a comissão organizadora já planeja algumas mudanças para manter o público e variar o setlist. Na primeira festa o repertório foi escolhido pela própria Fliperama, mas a partir da segunda a comissão e o público interferem diretamente na seleção das músicas. Pâmela afirma que a organização está estudando as sugestões de se fazer festas com os temas das décadas de sessenta e setenta, também.

Para quem quiser sugerir músicas, deixar opiniões e entrar em contato é só seguir o twitter da “Quinta Retrô”, ou adicionar o perfil do Orkut. Pelo twitter da banda Fliperama também é possível sugerir repertório para a festa.

A “Quinta Retrô” começa às 22 horas, no Bar e Pizzaria Mendonça’s. Ingressos antecipados a R$10 com os alunos de Relações Públicas.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A banda Sabonetes abriu o show para o Jota Quest aqui, em Passo Fundo e Alvorada (Foto: Carol Govari Nunes)

Na última sexta-feira, dia 20, Frederico Westphalen recebeu, na Ecco Eventos, a banda Jota Quest em uma noite memorável e com muitas atrações. A banda mineira, que iniciou sua turnê que celebra os 15 anos de estrada, trouxe consigo os Sabonetes (leia aqui a entrevista com Wonder, guitarrista da banda), curitibanos radicados em São Paulo, como banda de abertura.

Depois do voo que traria os Sabonetes até Chapecó (SC) ser cancelado, a banda teve que pegar um voo até Porto Alegre, de onde vieram até Frederico Westphalen com uma van fretada pela companhia aérea.

Chegando direto de Porto Alegre ao local do show – e na hora do show (por volta das 23h), os Sabonetes subiram ao palco dando abertura à noite que ali se iniciava. Apesar do desgaste da viagem, a banda fez um show de aproximadamente uma hora e meia, animando o público que lotava a Ecco Eventos. Artur Roman, vocalista dos Sabonetes, comandou o show com a dignidade de um belo e eficiente frontman. Conversou com a plateia, pulou, cantou e tocou guitarra durante todo o show, além de pará-lo assim que uma garota desmaiou. Devido ao calor e pouca circulação de ar no local, alguns acidentes, como este desmaio, aconteceram. Assim que a garota foi retirada da grade que separava público e banda, o show, que estava se encaminhando para o final, prosseguiu.

Além das músicas do álbum Sabonetes (2010), a banda fez versões de “Should I stay or should I go”, do  The Clash, “Last night”, dos Strokes e “Seven nation army”, do White Stripes, essa cantada pelo guitarrista Wonder Bettin.

Quem foi até o local sem saber da presença dos Sabonetes teve uma feliz surpresa. Músicas de qualidade e bem executadas, mostrando fazer parte de uma ótima leva de bandas que estão aparecendo no cenário do rock nacional. A aceitação do público ficou visível durante todo o show e principalmente no final, quando os músicos se juntaram ao público para prestigiar o Jota Quest e foram surpreendidos pelas pessoas que apareceram para cumprimentá-los.

O Jota Quest apresentou os maiores sucessos destes 15 anos de banda (Foto: Carol Govari Nunes)

O Jota Quest, atração principal da noite, foi aclamado logo de entrada: muitos gritos fizeram coro assim que Rogério Flausino, vocalista da banda, apareceu no palco. Com um set list passeando pelos 15 anos de banda, o Jota Quest apresentou seus maiores hits durante o show – não tinha quem não cantasse ou conhecesse as músicas. Flausino elogiou a banda de abertura e conversou com o público em diversos momentos do show, além de agradecer os patrocinadores do evento e contar um pouco desses 15 anos de história da banda. O show teve mais ou menos duas horas de duração – muito mais que o esperado. A banda, que também sofreu com atraso e cancelamento de voo, mostrou-se disposta durante todo o tempo, acabando com os comentários de que bandas famosas mostram-se indiferentes quando o público é pequeno. Flausino fez parte do sempre presente coro “Ah, eu sou gaúcho” e ainda comentou que os mineiros não têm essa empolgação do público do Rio Grande do Sul, aumentando o delírio dos que estavam ali presentes.

Quem seguiu com a festa no palco ao lado – porque o palco do Jota Quest em seguida foi desmontado, devido aos shows do final de semana – foi a banda local Fliperama. A Santo Graau apareceu para tocar 3 músicas com a Fliperama, que embalou o final da noite com sucessos oitentistas como, por exemplo, Cazuza, Iron Maiden, TNT, Van Halen e uma lista gigante de nomes famosos.

A Fliperama encerrou os shows da noite com os grandes clássicos dos anos 80 (Foto: Carol Govari Nunes)

Apesar de uma gripe que deixou o vocalista Sandro Vieira quase sem voz, o show foi impecável, tanto que Rogério Flausino e P.J (baixista do Jota Quest) foram conferir junto com o público o show da Fliperama. Nos bastidores, Flausino, ao escutar o som da Fliperama, comentou que a banda era muito boa e em seguida saiu do camarim, andou pela Ecco Eventos e parou em frente ao palco para assistir ao show. Obviamente, muitas pessoas foram até ele para conversar e tirar foto, que foi extremamente atencioso com todos.

O mesmo aconteceu na parte subterrânea do local, onde um DJ seguiu tocando até amanhecer. Lá, Flausino também tirou fotos com fãs e aproveitou a festa até a hora que a van que os levaria para o hotel foi embora.

No sábado as bandas tocaram em Passo Fundo e hoje na cidade de Alvorada.

Você pode conferir toda a agenda dos Sabonetes no site da banda e ficar sabendo por onde o Jota Quest passa durante essa turnê de comemoração no site Jota 15, feito exclusivamente para a comemoração da data.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O Jota Quest vem para apresentar um show diferente e especial, feito para celebrar os 15 anos de banda (Foto: divulgação)

O final do mês de maio será marcado por um grande show em Frederico Westphalen: Os mineiros do Jota Quest aparecerão na cidade dando início à sua turnê de comemoração dos 15 anos de carreira. O show será na Ecco Eventos dia 20 de maio, próxima sexta-feira, a partir das 23 horas.

Antes do Jota Quest, os curitibanos da banda Sabonetes sobem ao palco para dar abertura aos shows da noite. A banda começou em 2004 como uma brincadeira entre quatro amigos na faculdade de Comunicação Social da UFPR. Esses amigos são Alexandre “Cajinha” Guedes (bateria), Artur Roman (vocal e guitarra), Wonder Bettim (guitarra) e João Davi (baixo). Sete anos depois, eles lançaram o álbum “Sabonetes” através dos selos Cornucópia Discos e Midas Music, do renomado produtor Rick Bonadio.

Por email, o guitarrista Wonder respondeu algumas perguntas, as quais que você confere a seguir:

The Backstage: O Jota Quest está comemorando 15 anos de carreira e fazendo turnê com um show de comemoração. Como rolou essa parceria entre vocês?

Wonder Bettim: O Rogério de alguma forma já tinha escutado nossa banda e foi ao lançamento do nosso disco em São Paulo. Alguns dias depois fomos a um show do Jota Quest no parque do Ipiranga aqui em São Paulo. Batemos um papo no backstage e descobrimos que, como todos os mineiros, diga-se de passagem, são muito gente boa. Nos vimos em alguns outros shows, inclusive um nosso em Curitiba e desde aí foi amadurecendo a idéia de tocarmos juntos. Vai acontecer agora no Rio Grande do Sul. Incrível.

TB: Quanto tempo vocês têm de estrada? A banda (profissionalmente) é relativamente nova, não é? Vi que vocês são paranaenses e todos faziam faculdade de Comunicação Social…

Os Sabonetes acompanharão o Jota Quest por essa mini turnê no Rio Grande do Sul (Foto: Diego Cagnato)

WB: Sim. Eu, o Artur e o Alexandre entramos no curso de Comunicação Social em 2004 e montamos a banda na primeira semana de aula, em meio aos trotes e as promessas dos veteranos de muita festa no curso. Promessas que se concretizaram, tocamos demais nessas festas! Então são sete anos de banda. O João entrou há dois anos e esse nosso primeiro disco foi lançado em janeiro do ano passado.

TB: Soube que vocês já estão compondo um novo disco. Tem previsão de lançamento?

WB: Montamos um mini estúdio na sala de casa aqui em São Paulo, mas estamos fazendo músicas sem nenhuma pressa, nos dias livres entre os shows. Ainda não temos a menor previsão de lançamento.

TB:  E a participação no MTV no Circo? Tocar com toda aquela galera deve ter sido algo muito massa…

WB: Foi incrível! Tem um vídeo que conta tudo: http://www.youtube.com/watch?v=I6dqKPKJrEY

TB:  Tocar por todo o Brasil é o que todas as bandas de rock desejam. A agenda da banda está movimentada neste mês de maio, o que é muito legal. Alguma vez vocês já tocaram aqui no RS? 

WB: Sim, já tocamos no Opinião em Porto Alegre e no festival Macondo Circus. Mas a gente sabe que tem tanto mais a conhecer aí no RS, por isso estamos muito contentes com essa mini turnê com o Jota Quest.

A Fliperama encerra a festa e recebe a Santo Graau em uma participação especial (Foto: divulgação)

Quem dá continuidade à festa é a banda Fliperama. O vocalista Sandro Vieira, ao ser perguntado sobre a participação no evento, respondeu que com certeza esta será uma noite inesquecível para a banda. Além de dividir a noite com uma das maiores bandas do pop brasileiro, tem uma atração que vai dividir o palco com a Fliperama: é a banda catarinense Santo Graau.

“Nossos irmãozinhos da Santo Graau vão marcar grande presença no nosso show, então você que está em duvida, não cometa a loucura de não aproveitar ao máximo essa noite de muito rock. Vai ser inesquecível! Nos encontramos lá e vida longa ao rock’n’roll!” Finaliza o vocalista, deixando um convite para o público.

Então é sexta-feira, dia 20, na Ecco Eventos e o The Backstage vai estar por lá para depois contar tudo o que aconteceu.

Carol Govari Nunes@carolgnunes / Josefina Toniolo@jositoniolo

A banda frederiquense Fliperama fez sua segunda apresentação (a primeira foi dia 23 de abril) na noite de quinta-feira, no palco do Mendonças Bar e Pizzaria, como banda residente da festa Quinta Retrô.

Os caras, que subiram ao palco com a proposta de tocar o bom do rock oitentista, não deixaram a desejar. Com um repertório de aproximadamente 20 músicas, colocaram o público para dançar, fazendo uma viagem no tempo até aquela década.

No início do show o público já pode ter uma ideia do que a noite reservava: música de boa qualidade e bem executada. Stones, TNT, Legião Urbana, Van Halen e RPM também apareceram na apresentação que embalou o público por volta de 2 horas.

 

Falando em público, esse chamou a atenção por um motivo: a grande maioria das pessoas do lugar não viveu os anos 80. Alguns até nasceram na década, mas eram muito novos para curtí-la como fazem hoje em dia. Mas isso não diminuiu nem um pouco a paixão de todos pelo cenário musical da época e isso se pode notar pela interação com a banda e a aprovação geral, logo de cara.

Um dos pontos que causaram essa empatia do público foi o entrosamento da banda. A formação conta com Sandro Vieira no vocal,  Moisés na bateria, Mathiel nos teclados, Lelo no baixo e Alemão na guitarras, sendo que Sandro e Moisés são pai e filho. Na verdade, o Sandro parece um paizão de todos na banda, por ser o mais experiente e também pela forma de tratar os colegas de palco. A felicidade de todos da banda transparecia, o que trouxe um clima super agradável para o show.

A vitalidade do vocalista Sandro foi outro ponto que chamou atenção. Um frontman chegando aos 40 anos com uma vitalidade e desempenho de palco de dar inveja a muitos garotos na faixa dos 20. Toda sua carreira na música (ele já conversou com o The Backstage sobre o seu trabalho), misturada com o amor já declarado pelos anos 80 fez com que isso acontecesse.

Esse foi o clima da festa, agradável ao ponto de deixar um gosto de “quero mais”. Quem estava lá e disser que em momento algum se sentiu um pouco nos anos 80, ou não gosta do estilo ou não está sendo fiel à verdade, pois era impossível não esquecer que estamos em 2011 por, pelo menos, alguns minutos.

Se você perdeu o show e ficou com vontade de conferir, terá novas oportunidades. Dia 20 de maio eles tocam depois do show do Jota Quest, na Ecco Eventos. E dia 02 de junho, na próxima edição da Quinta Retrô.

Outras informações no Twitter da banda.

Bruna Molena@moleeena / Carol Govari Nunes@carolgnunes / Josefina Toniolo@jositoniolo

Sandro Viera em frente a seu estúdio, onde funcionava a antiga rádio Luz e Alegria (Foto: Bruna Molena)

Até que a música chegue a nossos ouvidos, ela passa por um processo de criação e produção que envolve inúmeros profissionais. Uma parte deles nós conhecemos muito bem: a que sobe nos palcos e dá cara à música. Porém existem muitos outros que trabalham com a música antes que ela chegue até nós, na produção e gravação, por exemplo. Um destes profissionais é o erechinense Sandro Vieira, 38 anos e residente em Frederico Westphalen. A equipe do The Backstage foi até seu estúdio conhecê-lo e conversar sobre seu trabalho.

– Na verdade eu comecei com um home studio, de brincadeira. Eu comprei minha primeira placa de som, há uns 10, 12 anos e comecei fazer alguns experimentos. Mas com o passar do tempo fui percebendo que estava gostando daquilo e que tinha mercado, então fui ampliando, evoluindo e percebi que precisava de um espaço maior e equipamentos melhores, pois a demanda pedia por isso – foi assim que Sandro Vieira começou o relato sobre o Conexão Studios, estúdio que ele montou e onde faz boa parte do trabalho sozinho.

Sandro contou que a ideia de montar um estúdio começou quando a banda Conexão Brazil foi formada: eles queriam gravar o que tocavam. Nos anos 90, não havia tanta facilidade de acesso a estúdios e gravadoras como hoje em dia, portanto o jeito era ir gravar em outras cidades. O primeiro disco da banda foi gravado em Porto Alegre no ano de 1994. No segundo disco, em 1998, o pulo foi maior: os integrantes da Conexão Brazil foram para o Rio de Janeiro gravar no Estúdio da banda Roupa Nova. Sandro comentou sobre a importância do Roupa Nova na música brasileira – eles não apenas tocam músicas, mas também produzem, masterizam seus próprios discos, mantendo uma relação de shows, estrada, estúdio, produção e gravação. Depois dessa experiência de conhecer estúdios maiores, Sandro voltou para Frederico Westphalen com a ideia fixa de montar um estúdio para que pudesse viver disso.

Os integrantes da banda Conexão Brazil, que deu início a tudo (Foto: divulgação)

– Foi em 2001, quando voltei a morar em Frederico Westphalen, que eu montei o estúdio e fui ganhando reconhecimento, já que aqui na região não há muitas pessoas que trabalhem com jingles, spots, então comecei a trabalhar principalmente com essa questão publicitária e foi aí que começou a fluir. Eu comecei oferecendo jingles para conhecidos que tinham lojas. De lá para cá, foi uma evolução muito grande porque você precisa estar sempre se atualizando – comentou o músico, que além de produzir jingles, spots, esperas telefônicas e hinos, também cria as letras, melodias, grava e finaliza os produtos que serão comercializados.

De 2001 até hoje houveram muitas mudanças no Conexão Studios: Sandro começou com o estúdio em casa, depois foi para uma sala pequena em uma rua do centro de Frederico Westphalen e,  quando percebeu que a demanda estava aumentando, se mudou para onde está há 4 anos, onde funcionava a rádio frederiquense Luz e Alegria.  A produção do estúdio pode ser dividida em duas fases: antes de instalá-lo na antiga rádio e depois. Lá as salas já estavam pré-definidas (por uma questão lógica do funcionamento da rádio) e assim ele conseguiu se organizar de fato, montando firma e todas as legalidades necessárias.

“Uma vez que você vive disso, não dá para escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral para qualquer produção e público”

Sobre a produção de jingles, Sandro comenta que tem clientes em Frederico Westphalen e região, Porto Alegre, Mato Grosso e Recife, mas foi só recentemente que o mercado publicitário se expandiu, até pouco tempo atrás o estúdio sobrevivia basicamente das produções feitas para o município. Para compô-los, o músico conta que cada processo é isolado, pois cada cliente teu seu perfil. Ainda diz que a produção depende muito do seu estado de espírito, que o mais complicado é a ideia inicial: “depois que tiver os acordes, só vai. Uns você entrega no dia seguinte, outros demoram 15 dias. Eu monto primeiro a letra – raramente vem primeiro a melodia – e faço praticamente tudo sozinho. Gravo baixo eletrônico, bateria eletrônica. É difícil chamar uma galera para fazer  isso, até porque envolveria mais gastos, então eu acabo chamando só quando tenho vários para entregar em um período curto”.

Quanto à parte fonográfica, o músico nos conta que há uma grande diferença entre tocar ao vivo e no estúdio: uma palhetada errada na guitarra, por exemplo, fica muito perceptível quando é captada dentro de um estúdio. Tanto é que muitas bandas só chegam no estúdio depois que já está tudo pronto, apenas para gravar as vozes, tornando tudo mais prático para todos os envolvidos – os próprios músicos do estúdio gravam com os instrumentos e dessa maneira não precisam ficar orientando bandas que na maioria das vezes não estão acostumadas com o ambiente profissional.

A banda frederiquense Datavenia durante gravação de sua música de trabalho (Foto: arquivo pessoal)

Como em qualquer outro ramo, a sobrevivência de uma gravadora também depende de dinheiro, e este é um dos pontos mais complicados para quem trabalha com música. Hoje em dia as pessoas acabam gravando músicas em seus próprios computadores, não prezando pela qualidade, o que dificulta a vida de quem tem estrutura para desenvolver este trabalho, como Sandro. Já as bandas que querem um trabalho mais qualificado ganham em qualidade e proteção à sua música, pois todos os discos gravados são documentados, possuem código de barra e tudo que é preciso para que o músico não tenha problemas com plágio.

Em relação à produção fonográfica no Conexão Studios, Sandro finaliza dizendo que a circulação de músicos no estúdio é muito diversificada: ele já gravou discos de bandas evangélicas, gauchescas, duplas sertanejas e de rock’n’roll. Porém frisa que o pessoal do rock é o que menos aparece no estúdio, pois geralmente são rapazes novos, que não possuem muito dinheiro para investir.

– Uma vez que você vive disso, não dá pra escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral pra qualquer produção e público. O mais complexo é que é tudo muito diferente. Aí então você precisa ter muito discernimento na hora de finalizar o trabalho.

Fliperama: um resgate da década de 80

“Hoje eu estou conseguindo botar em prática uma coisa que eu sempre tive o sonho, sempre tive o desejo de fazer.” É assim que Sandro começa contar ao The Backstage como surgiu sua banda Fliperama. Apaixonado pelos anos 80, queria montar uma banda que fizesse um tributo a essa época. Junto com seu filho Moises na bateria, Mathiel nos teclados, Lelo no baixo e Alemão na guitarra conseguiu colocar em prática mais esse plano.  Dos componentes da banda, Sandro é o único que realmente viveu os anos 80, mas garante que todos são grandes apreciadores da época: “hoje não existe roqueiro, por mais novo que seja, que não conheça isso”.

A banda promete reviver uma das décadas mais marcantes para o rock, principalmente o nacional (Foto: divulgação)

Com sucessos oitentistas como: Van Halen, Bon Jovi, Europe, Dire Straits, Barão Vermelho, Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, a banda promete não deixar ninguém parado. Os mais novos irão aprender a gostar e os mais velhos matarão as saudades. Por enquanto, o set list será apenas de covers, pois, segundo Sandro, no Brasil há mercado para esse tipo de som, já para composições próprias o negócio é mais competitivo. Ele não descartou a possibilidade de, no futuro, gravarem músicas com a Fliperama, mas acredita que agora não é o momento.

O show de estreia da banda Fliperama será dia 23 de abril, na Green Lounge e no dia 5 de maio eles irão tocar no Mendonças Bar e Pizzaria no lançamento do projeto Quinta Retrô. Toda primeira quinta-feira do mês a banda sobe no palco com um set list totalmente voltado para os anos 80.

– O pessoal achou a questão da quinta-feira interessante, assim o pessoal da faculdade poderá participar. Vai ser uma coisa bem light. A ideia é a banda subir no palco às 22h30min e o show ter em torno de uma hora e meia. Depois disso, mais uma hora e meia com o DJ, também com o repertório voltado para os anos 80 – comenta Sandro.

O tradicional Baile dos Anos 60 foi o que inspirou Sandro e os demais organizadores do projeto a investirem nessa ideia, que busca resgatar uma década tão importante para o cenário do rock, principalmente para o brasileiro.

Quando perguntado sobre como administra seu tempo entre a banda Conexão Brazil e a novíssima Fliperama, ele afirmou: “É legal porque dá pra eu ir mesclando as duas coisas, nas pausas da Conexão Brazil a gente vai fazendo shows com a Fliperama. A ideia é basicamente essa, vamos ver o que acontece”. As pausas a que Sandro se refere são os momentos no ano em que menos eventos acontecem como, por exemplo, bailes de formaturas.

O músico e produtor Sandro Vieira com seus instrumentos de trabalhos: teclado, computador e aparelhagem sonora (Foto: Carol Govari Nunes)

Ainda nessa relação entre as duas bandas, o músico fala que há uma grande diferença entre os tipos de público que assistem aos shows e compara seu trabalho em bailes ao de um garçom: “Lá vai ter o roqueiro, o cara que gosta de sertanejo, vai ter quem goste de dançar música gaudéria, vai ter aquele que não gosta de nada que está lá só para encher o saco e o ‘garçom musical’ que tem que dar conta de tudo isso”. Já com a Fliperama, ele acredita que será diferente, pois as pessoas vão para o local com uma ideia do que irão ouvir, então a postura do público é outra, possibilitando maior liberdade para os músicos.

No final da conversa com o The Backstage, Sandro, em algumas palavras, deixou claro o motivo de seu trabalho dar certo ao longo desses anos:

“É desgastante, mas é nosso ofício. Só sei fazer música, vivo da música, criei dois filhos só da música. Claro que tem os pontos positivos e os negativos, mas acho que lá no ‘fritar das batatinhas’ a gente é apaixonado pelo que faz, acima de qualquer coisa. Quem faz o que gosta está de férias, não é tanto assim, mas é melhor se esforçar um pouco fazendo o que você gosta do que em algo que você não se identifica.”

Com certeza o segredo dos bons resultados é a dedicação que fica evidente nesse último trecho da nossa conversa e que sintetiza toda nossa entrevista. Se você gosta dos anos 80, ou apenas aprecia boa música e quer conhecer o trabalho da Fliperama, fica ligado na agenda dos caras. O convite está feito em nome da banda e do The Backstage.