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* Ellen Visitário e Letícia Mota

A internet é uma explosão de possibilidades para o reconhecimento no meio artístico, seja você um comediante nato, um crítico de cinema, ou um acidente dessa rede popular. Para todos os casos, os vídeos postados pelos internautas no YouTube ganharam uma consolidação e visibilidade midiática tão grande quanto aparecer na televisão. O que bomba na internet torna-se mais do que conhecido, torna-se popular.

Possuímos uma visão arcaica sobre músicas clássicas, ou estereotipamos um conceito em que ela geralmente está embasada se for relacionada a massagens relaxantes. Evoluímos tanto durante os anos, porém, continuamos com preconceito com gêneros que não são habituais aos nossos ouvidos. Vamos desmistificar esse conceito e mostrar que existe espaço para todos.

A música instrumental vem ganhando um lugar na internet, não que seja o processo mais fácil para aceitação popular, mas o meio virtual vem cedendo espaço para os interessados de plantão em conhecer coisas boas, diferentes e abrangentes ao olhar, ou melhor, dizendo, aos ouvidos.

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Marcelo Costa (Foto: Liliane Callegari)

É dessa forma diversificada que o jornalista e editor do Scream & Yell, Marcelo Costa, destaca a sua visão crítica sobre esse determinado gênero.

Em um bate-papo virtual, Marcelo aborda que o preconceito não surge pelo fato de reconhecermos o espaço que está sendo adquirido pela música instrumental, e sim, pela falta de percepção em permitir que a música nos envolva como qualquer outra, mesmo não contendo verbos. Inclui, também, em sua ressalva, que esse gênero tem mudado com o passar do tempo graças ao acesso à internet que ganhamos há um pouco mais de duas décadas, embora tenha a música associada em outros meios para que ocorra o interesse crescente do público. “A dificuldade está na cabeça das pessoas, e não na música”.

Além do mais, Marcelo Costa nos escreve com um olhar apurado sobre a repercussão dos internautas que acessam o Scream & Yell – um espaço dedicado, sobretudo, ao jornalismo cultural e que está no ar há 15 anos – ao se depararem com a música instrumental. Ele acredita que, cada vez mais, os leitores não se interessam, diretamente, se a música é ou não instrumental, mas sim, o que essa mesma música transmite a eles. E defende que, desse modo, as bandas instrumentais mais famosas sempre causam bastante burburinho, mas ninguém exclama se essa ou aquela faixa instrumental é boa, e sim, por exemplo, que a música do Mogwai é sensacional. Contudo, conclui que mesmo que o site tenha se consolidado com o passar dos anos, o público já atravessou – e atravessa – pontes de amadurecimento. Complementa que o leitor está mais atencioso com as nuances da música, e não se tem alguém cantando por de trás de uma interpretação.

Para exemplificarmos com melhor intensidade esta relação entre o artista e o público, convidamos o guitarrista da banda instrumental Camarones Orquestra Guitarrística para nos contar sobre a sua experiência na estrada com a arte que ele conduz. Objetivo e transparente com as palavras escritas em um corpo de e-mail, Anderson Foca afirma que o grupo de rock instrumental tem vários feedbacks sobre os shows e os CDs já lançados, principalmente de pessoas comuns não ligadas a determinada cena musical ou conceitual. Mesmo que a internet esteja disponível para qualquer tipo de divulgação, a banda prioriza os shows das turnês que duram em média de 120 a 150 dias no ano, e, a seu ver, continua sendo o único jeito de aproximar fãs de músicas reais à sua banda, tornando o projeto viável do ponto de vista financeiro.

Ao ser questionado sobre a iniciativa de lançar determinado conteúdo artístico na internet, podendo – ou não – quebrar os paradigmas de preconceito popular, o integrante da banda nascida no Rio Grande do Norte não hesita em afirmar que as bandas instrumentais não saídas do erudito ou das escolas de música, contribuem com um papel fundamental na popularização da música instrumental no país afora. E retrata que até seis ou sete anos atrás era impossível encontrar uma banda instrumental num LineUp de um festival; mas que, nos dias atuais, isso vem se realçando em um modo positivo à sua crítica.

Sem título

Chuck Hipolitho no Estúdio Costella (Foto: Ellen Visitário)

Quem nos dá a chance de perceber os lados emblemáticos desse gênero é o produtor musical e vocalista da banda Vespas Mandarinas, Chuck Hipolitho.  Em seu Estúdio Costella, localizado no bairro Vila Madalena, em São Paulo, Chuck nos recepciona e demonstra com a sua lábia que não há “regras” que determinem a arte de exercer e cumprir com o seu papel em emocionar o seu espectador. “A música é linda por si só. As pessoas não precisam ficar se preocupando com vocal ou instrumental”, completa. O produtor, que busca em sua memória a única experiência que teve ao produzir uma das obras da banda instrumental Camarones Orquestra Guitarrística em seu estúdio com cores abstratas, relata que, conhecendo o Foca, tem a convicção de que ele iniciou a banda porque sabia que a dificuldade de lidar com a parte vocal, no circuito underground, é complexa e assim ele podia dar razão às melodias dele de maneira instrumental e intuitiva.

Ainda com a total certeza, Chuck realça que o Camarones é uma banda que basta chegar e se apresentar em qualquer lugar, porque não precisa de determinado sistema técnico para conduzi-la, pois a banda pode até mesmo se apresentar com um equipamento de ensaio, por exemplo. Mesmo que aparente ser algo “mais fácil” ao vivo, Chuck Hipolitho emplaca que o importante é a música emocionar e interagir entre o artista e o público. Mas, pontua, especificadamente na música instrumental, que a internet é uma ferramenta fundamental para propagar a sua sonoridade. Se não houvesse esse meio de divulgar um determinado material, o músico, em si, voltaria no tempo e promoveria a sua obra da forma clássica como em revistas especializadas, emissoras de rádio e de televisão. Já os riscos que a internet causa no meio de uma geração conectada é o formato da pirataria, que desconstrói o conteúdo cultural.

Mesmo que a internet seja considerada uma “faca de dois gumes” no mundo dos espertos, Chuck Hipolitho retrata o modo como músico, independente do segmento, chega ao Estúdio Costella: é através da internet. Construído em 2008, o Costella é considerado um espaço democrático, onde o artista tem a total liberdade de fazer o que ele bem entender, porque, até mesmo, como diz o seu criador: “O que importa é sentir a música”.

 E retratando-se da importância de sentir, quem nos conta sobre o início de seu interesse com a música instrumental é o Márcio Viana. Formado em jornalismo na Universidade Bandeirante de São Paulo, o morador do bairro de Santa Cecília recorda-se de que seu gosto por esse determinado estilo musical começou, involuntariamente, com os LPs que o seu pai, à época trabalhava como prensista, trazia mensalmente da RCA-Victor; e ainda assim, relembra de seu primeiro disco de música instrumental que comprou já na adolescência, um do The Dave Brubeck Quartet, “Time out”, mas confessa que só recentemente, pela internet, se interessou em ouvir mais e produzir a sua própria música instrumental. No papo intimista, o jornalista nos detalha que não foi uma situação muito planejada ao perguntarmos o que o fez escolher o caminho da internet para a divulgação dos seus trabalhos artísticos, e, na verdade, ele começa a criar música com loops e divulgar para os amigos na plataforma Soundcloud. Porém, ele admite que a empolgação aumentou com os resultados e, então, resolveu montar uns álbuns virtuais para organizar o conteúdo. Já sobre o retorno esperado com essa divulgação, o Márcio replica: “Na real, não crio expectativa, porque é um viés do meu trabalho. A ideia é manter como um projeto paralelo, e divulgar por meio das redes sociais. Acho que é uma forma de manter o público fiel, de certo modo”.

Quando perguntamos sobre o futuro, Marcio Viana prioriza aos estudos de produzir melhor o que já está encaminhado além desse projeto, mas que investir em um CD físico não seria a sua prioridade no momento em relação aos custos, embora, pontua que se sente confortável com o esquema atual de divulgação e disponibilidade das suas músicas instrumentais.

* Ellen Visitário e Letícia Mota são estudantes do 3º período de Jornalismo, no Centro Universitário FIAM FAAM, em São Paulo/SP. E-mails para contato: ellenrodriguesvisitario@gmail.comleticia_ferreira_mota@hotmail.com

 

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Carol Govari Nunes@carolgnunes

2012 começou agradavelmente promissor em relação ao rock nacional com o disco “O Pensamento é um ímã”, da banda Vivendo do Ócio. Com Jajá Cardoso no vocal/guitarra, Davide Bori na guitarra, Luca Bori no baixo/vocal e Dieguito Reis na bateria, o quinteto baiano vem se destacando desde que ganhou a “Aposta MTV”, em 2009.

Para dar vida às músicas que já estão fazendo sucesso desde que a banda disponibilizou o álbum para audição no Facebook, os músicos se dividiram entre os Estúdios Costella (de Chuck Hipolitho – você pode reler uma entrevista com ele aqui) e Tambor (no Rio de Janeiro, do produtor Rafael Ramos). Com 11 músicas no CD, a faixa que claramente tem se destacado é “Nostalgia”, música composta pela banda em parceria com Pablo Dominguez e gravada com participação de Pitty nos vocalizes durante o refrão e Martin na guitarra (você pode reler a entrevista com o Agridoce aqui).

O show de lançamento do disco acontece dia 16/02 no Beco 203, em São Paulo.  Por e-mail, Jajá Cardoso conversou com o The Backstage e o papo você confere a seguir:

Capa do disco - Divulgação

The Backstage – Como foi o processo de composição do disco “O pensamento é um ímã”? Foi diferente do “Nem sempre tão normal”?

Jajá Cardoso – Completamente diferente, a maioria das músicas do “Nem Sempre Tão Normal” foram compostas em 2006/2007, de lá pra cá muita coisa aconteceu, crescemos em todos os sentidos e passamos a morar juntos, esse último fator é o mais importante na composição, porque a música se tornou ainda mais coletiva. Também passamos uma época em Morro de São Paulo (BA), é um pedaço de paraíso e fizemos muitas músicas lá e isso fica explicito nas novas composições, essa mistura da nossa vida urbana com as férias no litoral.

TB – Quanto à produção/gravação, sabemos que o disco é produzido por Chuck Hipolitho e Rafael Ramos. Vocês se dividiram entre SP e RJ, ou como foi durante esse tempo?

 JC – Começamos gravando em Sampa no estúdio Costella e terminamos no Tambor (RJ). Foi uma ótima experiência pra todo mundo, Chuck e Rafael são caras bem diferentes um do outro, mas com ideias que combinam muito bem. Essa parceria rendeu bastante, estamos muito felizes com o resultado final do disco.

TB – Vocês vivem juntos em SP desde que saíram da Bahia. É uma característica comum no mundo dos novos músicos, várias bandas acabam saindo de sua cidade natal e se firmando em SP. A banda morar junta influencia na hora de compor, ou funciona cada um na sua?

JC – Influencia bastante, hoje fazemos as músicas de uma forma mais coletiva e isso é muito bom porque a música ganha mais identidade.

A banda faz o show de lançamento do disco no dia 16 de fevereiro, em São Paulo (Foto: divulgação)

TB – Vocês já tocaram na Inglaterra, Holanda e Itália e gravaram clipes nessas viagens. Como é a recepção do público fora do Brasil?

JC – A recepção é muito boa, curtimos muito tocar lá, o público foi aberto e participativo. Esperamos voltar muitas e muitas vezes.

TB – A Bahia tem uma cena rock’n’roll incrivelmente rica, porém, não aparece muito na mídia. Tu tem alguma ideia do por que disso? Cultura local, talvez. Sair de Salvador foi ponto chave pra vocês conseguirem engatar a carreira?

 JC – Sem dúvida, a cultura local é o maior fator, isso gera naturalmente menos espaço para os “artistas alternativos”. A mudança pra Sampa foi crucial pro crescimento do nosso trabalho, as coisas acontecem mais rápido, tem muito mais espaço e contatos, em Salvador chegaria um momento que não teríamos mais o que fazer e não teria mais lugar pra tocar, então, ter nossa base em SP e fazer alguns shows no ano por lá é muito mais produtivo pra nós.

TB – “Nostalgia” dói no peito de qualquer pessoa que esteja longe de casa – é impossível não se identificar. A música fala por si, mas pode nos contar um pouco sobre ela?

JC – Foi a última música a entrar, a lista do disco já estava pronta quando um dia nosso amigo Pablo Dominguez veio nos visitar e fazendo uma jam session saiu essa música. Gravamos uma pré-produção, curtimos e mandamos para os nossos produtores Rafael e Chuck, eles ouviram e disseram que essa música tinha que entrar no disco de qualquer jeito, que talvez a gente nem tivesse noção da força que ela tem. E foi uma decisão muito certa, é uma música que está na lista das preferidas de todo mundo que escuta.

TB – “O pensamento é um ímã” acaba trazendo à tona a “Lei da Atração”. É isso mesmo que o nome do disco quer representar?

JC – Isso mesmo. O que acontece na sua vida é reflexo do que se passa com sua mente. Se canalizar sua energia e pensamentos para certo intuito é justamente o que vai ter em troca, cedo ou tarde.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A banda Vespas Mandarinas juntou amigos e músicos em uma música só (Foto: Otavio Sousa)

A banda Vespas Mandarinas, composta pelos músicos Chuck Hipolitho, Thadeu Meneghini, Mauro Motoki, e Mike Vontobel lançou na internet a música “O Inimigo”, que conta com o timbre especial de vários nomes da música nacional. Fábio Cascadura, Jajá Cardoso, Pitty, Alexandre & Muzzarelas, Fabrício Nobre, Nasi, Victor Rocha, Rodrigo Koala e Martin Mendez são os participantes dessa faixa muito peculiar.

“O Inimigo” é uma música de perder o fôlego: quando você menos espera, já tem outra pessoa cantando.

Além disso, você também pode ser “O inimigo”: As vespas Mandarinas colocaram para download uma versão karaokê, onde você se diverte gravando sua própria versão. No site você também encontra a letra da música e pode baixar o vocal solo de cada um dos cantores que participaram do single.

Se liga no que Chuck Hipolitho contou para a gente:

The Backstage: Cada integrante das Vespas Mandarinas vem de uma banda diferente, com estilo também diferente. De que maneira vocês conciliam toda essa diversidade?

Chuck Hipolitho: No começo era quando dava… Agora já estamos focando um pouco mais na banda… a proposta sempre foi ir se movimentando conforme fosse sendo solicitado da parte do público, e tem sido assim. Mas, fazermos coisas diferentes, e fazermos muito, nos faz o que somos e é parte de nossa química…

TB: De onde surgiu a ideia que levou até a gravação de “O inimigo”?

CH: O Thadeu apareceu com a Demo e eu saquei que dava para fazer algo especial… E aí depois de uma semana pensando chegamos a essa idéia… Que não veio pronta, ela foi se desenvolvendo conforme a coisa ia acontecendo… É um padrão que tem se repetido inclusive em como vemos a banda… O resultado foi esse. O bom é que juntamos amigos e pessoas que talvez nunca se juntassem se não fosse essa música.

TB: Como foi a produção da música “O inimigo“? Quanto tempo levou das gravações até o resultado final, disponibilizado no site?

CH: Da ideia até o final, creio que uns dois meses… Eu gravei a bateria, o baixo e a guitarra, o Thadeu outra guitarra e aí fomos gravando as vozes. Para alguns, como Fábio Cascadura e o Victor dos Black Drawing Chalks tivemos que mandar a música para que fosse gravada em suas cidades… O resto todo foi gravado no Costella.

TB: O lance de juntar vários artistas em uma mesma música foi muito interessante e teve uma ótima recepção pelo público geral e fãs de cada um dos artistas que ali colocaram sua voz.  Selecionar esses artistas foi uma tarefa fácil?

CH: Facílimo. Mandamos alguns e-mails para alguns amigos e pronto… Mas só não tem TODO mundo que queríamos ali por causa de tempo. Faltou muita gente. Todos foram extremamente generosos.

TB: Quem não conhecia as Vespas agora tem a oportunidade de conhecer. Fãs do Fábio Cascadura, da Pitty, do Nasi, citando alguns exemplos. Isso pode ser considerado uma maneira de divulgação ou eles estão no projeto apenas pela parceria, mesmo?

CH: Absolutamente, os dois. As Vespas não são tão geniais, e nem tão ingênuas assim. É legal tê-los, e deve ter sido legal estar ali também… né? E a divulgação apesar de um pouco planejada, aconteceu espontaneamente. Foi atrás quem se interessou.

TB: “O inimigo” é uma música muito instigante – letra e melodia. Fale um pouco mais sobre ela para a gente…

CH: Parceria entre Thadeu e o Adalberto Rabelo Filho. Assim como “Cobra de Vidro” e “Retroceder Nunca”. E por aí ainda vem Sasha Grey, Quarta Parada (comigo)… Dali só sai coisa boa… Quando você vê, tem uma música dessas nas mãos. E o que fazer!? Acaba saindo isso. É uma sorte muito grande estar envolvido com gente assim.

Ainda este mês, a banda Vespas Mandarinas fará shows em dois festivais (Foto: Otavio Sousa)

TB: Além da oficial, agora estão no site todas as versões individuais de “O inimigo”. Você pode nos adiantar o que vem pela frente?

CH: A Vigilante vai lançar um 7″ com Cobra de Vidro e Pesadilla Blues até o final do ano – o que não era nem sonho, nem plano! (risos), mas estamos compondo bastante, acho que vem coisa interessante por aí. E esse ano fazemos alguns festivais também… importantes como o Noise e o DoSol. Para uma banda que está começando, isso é sucesso puro. Tocar nesses dois festivais era nosso sonho de fato. Vamos tocar, e depois disso vai saber o que pode acontecer… Né!? Uma coisa de cada vez, e a música e diversão acima de tudo.

* Outras informações você encontra no twitter e no myspace da banda.