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Eduarda Wilhelm Possenti*

O I Congresso Internacional de Estudos do Rock, que ocorreu durante os dias 25, 26 e 27 de setembro, contou em sua programação com a apresentação de artigos durante as Sessões de Comunicações, realizada nos três dias na parte da tarde. É o primeiro evento do Brasil de estudo acadêmico tendo o rock como assunto central e objeto científico. Visa estimular a pesquisa e manifestação artística sobre esse tema, que tem grande relevância cultural e política e pode vir a se tornar um ótimo campo de análise para as ciências sociais e humanas.

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Caroline Govari Nunes apresentando seu artigo nas Sessões de Comunicações do Congresso (Foto: Talita Moraes)

Com mais de 200 trabalhos inscritos, as apresentações foram divididas em sete simpósios temáticos: Histórias do rock, Poéticas do rock, Rock e cinema, Rock e comportamento, Rock e contracultura, Rock e educação e Rock e outras artes. Os trabalhos contaram com diversas abordagens, como o processo de criação de letras, questões estético-literárias de canções, estudos comparativos entre códigos de expressão, a influência do rock nos padrões comportamentais da sociedade, a utilização do rock no processo de ensino-aprendizagem e a relação dele com as mais diversas manifestações artísticas.

Caroline Govari Nunes, jornalista formada pela UFSM-FW, apresentou seu artigo “Cinema e Rock: uma análise dos usos da imagem documental para a estética do videoclipe em Chiaroscope, de Ricardo Spencer”, um estudo sobre o diálogo entre documentário e videoclipe, música e expressão audiovisual no DVD-Coletânea sobre as gravações do disco Chiaroscuro, da cantora Pitty. Caroline também apresentou, juntamente com Angélica Bomm, psicóloga formada pela URI-FW, o artigo “O feminino retratado na cena brasileira de rock’n’roll: uma discussão de gênero”, que levanta e questiona os papéis da mulher através das teorias de gênero e músicas que representam estes movimentos.

Os trabalhos apresentados tiveram os mais variados e inusitados assuntos dentro do contexto do rock, como estudos relacionando bandas com Edgar Allan Poe e Santo Agostinho, o rock no Chile, na Argentina e no Irã, desde o blues até o black metal. Ao final de cada apresentação houve um tempo para questionamentos acerca do tema, onde o interesse dos ouvintes e suas participações surpreenderam, rendendo excelentes debates e colocações.

*Eduarda Wilhelm Possenti é estudante do segundo semestre de Jornalismo da UFSM/FW

Natalia Nissen@_natiiiii

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Estão abertas as inscrições para o I Congresso Internacional de Estudos do Rock que acontece de 25 a 27 de setembro na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – campus de Cascavel. O evento é em parceria com a Facultad de Periodismo y Comunicación Social de la Universidad Nacional de La Plata (UNLP), da Argentina.

É uma oportunidade imperdível para quem gosta de rock e quer aprender e discutir sobre o assunto! No congresso haverá apresentações artísticas e acadêmicas, palestras de pesquisadores da Argentina, Chile e Brasil, workshops, mesas redondas e presença de músicos.

Interessados podem enviar resumos e, se aprovados, trabalhos para apresentação nos simpósios temáticos:

  • Histórias do Rock: trabalhos que abordam o processo de criação de letras, gêneses de discos, a formação de grupos, eventos importantes na trajetória artística dos protagonistas desse gênero musical, as mesclagens do gênero com outras tendências musicais;
  • Poéticas do Rock: pesquisas que tratam das especificidades estético-literárias de canções desse gênero, contemplando as qualidades artísticas de letras, arranjos, álbuns, conjunto da obra, entre outros temas;
  • Rock e Cinema: estudos comparativos que abordam relações homológicas, históricas, de procedimentos artísticos, dentre outros aspectos, entre esses dois códigos de expressão;
  • Rock e Comportamento: pesquisas que abordam a influência do rock na criação e mudança de padrões comportamentais na sociedade de um modo geral, desde suas origens até suas mais hodiernas atualizações;
  • Rock e Contracultura: trabalhos que contemplam o papel do rock na criação de um estilo de vida que se constitui em deliberada oposição ao establishment, forjando novos padrões de comportamento, moda, organização social e do trabalho;
  • Rock e Educação: pesquisas e experiências pedagógicas que discutam os fenômenos educativos relacionados, direta e indiretamente, ao rock e ao consumo e fruição deste; à utilização do rock como fonte e opção metodológica no processo de ensino-aprendizagem; à análise de letras que se detenham sobre a Educação; entre outros temas similares;
  • Rock e outras Artes: relações de proximidade, influência, pressupostos artístico-ideológicos e estéticos entre o rock e as mais diversas manifestações artísticas, tais como as artes plásticas, o teatro, a dança, a fotografia, dentre outras

Outras informações podem ser obtidas no site do congresso. Os alunos de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – campus de Frederico Westphalen já estão se inscrevendo. Fiquem atentos, pois o pagamento das inscrições se encerra dia 8 de abril!

Débora Giese @dee_boraa

Logomarca da banda

Uma banda composta só por mulheres: assim é a Red Curry. Formada em fevereiro desse ano em Cascavel, no oeste paranaense, as gurias Jay, 23 anos, Luana, 18, Ana Karine, 15 e Juece, 20, dão a cara à tapa e mostram que mulher também pode tocar um bom rock’n’roll.

A banda se formou mais ou menos assim: Jay, responsável pela guitarra base, e Luana, no vocal, são amigas e já tocavam juntas em outras bandas. Elas encontraram Bruna, na guitarra solo, que por sua vez trouxe a Ana Karine para tocar baixo. Comandando as baquetas estava o único cromossomo Y da banda, o André, 24 anos. Após a saída dele e da Bruna, as gurias se reorganizaram: Jay começou a tocar a guitarra solo e Luana, além de ser vocal, assumiu a guitarra base. Ana Karine continuou no baixo. Mas ainda faltava alguém nas baquetas. Elas recorreram ao Orkut para encontrar uma guria que tocasse bateria. Foi aí que a Juece entrou pra banda.

– Foi um caso engraçado porque a Luana estava procurando mulheres baterista da nossa cidade no Orkut e só achava meninas que não se adequavam ao perfil da banda. Quando ela digitou cascaHELL apareceu a Juece. A gente se conheceu e agora já somos uma família. – conta Jay.

Os ensaios começaram, rolou uma apresentação num bar de rock em Cascavel e elas foram chamadas para participar do Badalo, um programa da Rádio Cultura da cidade. Mas ainda não tinham um nome. “O nome da banda é o mais difícil de achar. Mais difícil que mulher baterista” brinca Jay. A Ana usa duas pimentinhas em uma corrente no pescoço. A partir daí surgiram ideias (chili, cherry, red) até que saiu Red Curry “meio na loucura”. E o nome pegou.

Red Curry é Jay, Juece, Ana Karine e Luana (Foto: arquivo pessoal)

No set list das gurias estão Twisted Sister, The Runaways, Motörhead, Misfits, Girschool, Ramones, L7, Bikini Kill, entre outros. Para definir o que elas vão ou não tocar, cada uma das integrantes sugere umas três ou quatro músicas para o ensaio. A partir daí elas veem o grau de dificuldade, se o público vai curtir e se vão se divertir tocando as canções. Por enquanto a banda só toca covers, mas Ana Karine e Juece têm algumas letras prontas, apenas esperando ganhar uma melodia.

O fato do mundo do rock ser dominado por homens não assusta as garotas da Red Curry. Elas contam que há muito preconceito por serem do sexo feminino. Mas também há curiosidade. “As pessoas acham que menina que tem banda é homossexual. E também que mulher não pode mandar um bom rock’n’roll. Mas eu adoro ver a cara deles depois de nos ouvirem tocar” comenta Jay.

E o plano da banda? Tocar por esse mundo afora! (risos). “O plano é se divertir”, afirmam elas. E ainda deixam uma dica para as meninas que sempre sonharam ter uma banda: “continuem tentando porque não tem sensação melhor do que a do sonho realizado. E pode ser difícil, mas não é impossível”.

* A Red Curry toca no dia 16/07 no Motoclube Estradeiros em Toledo/PR e dia 23/07 no Skull Blue Rock’n House em Cascavel/PR