Archive for the ‘Videoclipes’ Category

Carol Govari Nunes@carolgnunes

 Quase três meses se passaram desde que Pitty lançou o DVD Turnê SETEVIDAS Ao Vivo (mas só agora consegui escrever sobre), inaugurando uma plataforma onde é possível fazer o download (em full HD!) do show e do documentário “Dê Um Rolê”. Tem também a versão física, claro, onde o público confere, além do show + doc, uma galeria de ótimas fotos que mostram momentos de shows, camarins, viagens de ônibus e tudo o que envolve uma turnê.

13654247_1402395359777371_3157389320106687215_nDirigido e editado por Otavio Sousa – que vem fazendo um ótimo trabalho como diretor desde o videoclipe de “Dançando”, do Agridoce –, “Dê Um Rolê” inicia com uma edição in-crí-vel de “Boca Aberta”, e daí pra frente é correr pro abraço e ficar por dentro de tudo o que acontece quando a banda ta na estrada, seja dentro ou fora do palco. Inclusive, Otavio Sousa conseguiu fazer uma montagem muito bem equilibrada de imagens de palco/backstage, com uma visão que faz com que o espectador se sinta inserido naquele ambiente, seja no cantinho do palco ou em qualquer outra ocasião que assistimos no DVD.

Além de dar voz para os fãs – que contam suas experiências e falam da importância de Pitty em suas vidas e no cenário musical como um todo –, “Dê um Rolê” traz vários pontos interessantes que ultrapassam a ideia de um simples registro de turnê: ele mostra a ligação da artista com o Nordeste – sobretudo com Salvador, sua cidade natal; o cuidado em não se distanciar do pessoal que conheceu na época do underground, tocando sempre que possível em festivais deste circuito; a preocupação em entregar o melhor show para o público, seja na parte da estrutura técnica (a gente pode conferir o trabalho da equipe responsável pela montagem de palco etc) ou colocando mais um músico na (melhor formação da) banda, que é o caso do talentoso Paulo Kishimoto, que toca tudo e mais um pouco, além de cantar muito bem, obrigada.

Em relação ao show, que foi gravado na Audio Club, em São Paulo, e reeditado (ganhando vários efeitos especiais) por Daniel Ferro, destaco o excelente som, a iluminação e as projeções sensacionais (leiam a ficha técnica!) que foram trabalhadas ao longo dos shows.

A turnê SETEVIDAS apresenta claramente a performer que Pitty se tornou – reformatando suas músicas e dando novos significados a elas. Pitty, que até então se destacava, pelo menos pra mim, por ser mais compositora do que cantora, foi, ao longos dos anos, se reconhecendo no palco, se permitindo, se colocando à prova, testando suas capacidades vocais e performáticas. No show do DVD Turnê SETEVIDAS Ao Vivo é possível perceber o entrelace de diferentes potências (vocais / performáticas / sonoras / visuais) – daí a característica tão marcante desse show.

E “Dê Um Rolê”, o single, consolida a Pitty intérprete: ela toma pra si a letra da música e dá vida a ela. Afinal, uma coisa é cantar, outra coisa é interpretar. De nada adianta ter uma extensão vocal estrondosa e não passar a mensagem (e o sentimento) da música – o que, claramente, não é o caso visto aqui. Pitty é o amor da cabeça aos pés. Me convence: a vida é boa. Se antes eu comentei que suas composições se ressignificavam em sua voz, agora aponto que “Dê Um Rolê” é, no momento, o melhor exemplo de como músicas de outros compositores ganham novos sentidos em sua interpretação. Na canção dos Novos Baianos, Pitty usou uma pitada (ou um punhado?) da versão gênia da Gal Costa: rasgada, enérgica, convidativa – uma lindeza só.

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O que será que vem depois do SETEVIDAS? Eu não sei. Só sei que, ao que tudo indica – e pelo andar dessa carruagem que só melhora com o tempo -, a gente não perde por esperar.

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Carol Govari Nunes@carolgnunes

O Fire Department Club acaba de lançar um clipe do segundo single do EP Best Intuition: “Never Learn” traz cenas de shows e bastidores da turnê que os guris fizeram nos EUA em outubro do ano passado. No clipe, há imagens dos shows que aconteceram em Nova York, Los Angeles e San Francisco. Além disso, também acompanhamos algumas imagens finais da gravação do disco de estreia da banda, com lançamento previsto para este ano.

Assista ao clipe abaixo:

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O que vocês fazem quando precisam respirar? O que vocês fazem quando o trabalho não anda?

Eu, quando não consigo escrever uma linha a mais sequer, quando não aguento mais ouvir a discografia de uma banda para entender sua(s) identidade(s), recorro a outro tipo de arte para respirar e tentar voltar ao trabalho. E escrever sobre isso acaba sendo inevitável.

Então este texto é só para isso: para respirar. Não vou pensar, não vou analisar, não vou entrevistar ninguém. Ando exausta de só pensar, pensar, pensar, pensar e muitas vezes me preocupo se vou conseguir assistir a um show, a um clipe, a um documentário – qualquer coisa – sem analisar cada detalhe. É infernal. Mas eu não quero falar sobre isso. Eu quero falar sobre reações, sobre sentimentos.

Eu quero falar sobre o clipe de “Um Leão”, da Pitty, dirigido por Ricardo Spencer. Quando eu soube que havia sido gravado, em uma conversa com o próprio diretor, o assunto passou batido. Naquela época eu já não queria muito saber. Imaginar é mais interessante do que saber. Falávamos sobre o The Charles Bukowski Tapes, seus atuais projetos, minha pesquisa, sonhos, Barcelona, assuntos que não se cruzavam (mas faziam todo sentido) e nossa conversa foi interrompida pela necessidade de fazer carinho em Yuki, seu cão de 13 ou 14 anos. Quando o clipe foi lançado, tive o impulso de enviar uma mensagem pra ele, perguntando sobre a gravação – afinal, ainda tenho alguns resquícios do jornalismo e sou terrivelmente curiosa –, mas não mandei. Escrevi, apaguei. Escrevi umas três vezes e apaguei. Decidi ficar com a arte por si só, sem esmiuçar nada. Sou obcecada por behind the scenes, entrevistas reveladoras e sempre quero saber como tudo aconteceu. Dessa vez, não.

Dessa vez, só a sensibilidade do olhar de Spencer, só a performance de Pitty, só as câmeras nervosas, só a fotografia brutal: só o clipe. Bicho solto, fora da jaula – sem domador. Ele começa calmo, meio que reconhecendo o habitat. A gente quase não vê o bicho terminar um movimento inteiro. Muitas vezes, não vemos o seu rosto, pois as imagens são desfocadas. Limpo a tela; não adianta. Há um jogo de contraluz que cega. Um contraste que instiga. Sombras. Eu tento caçar; não pego nada. O bicho não para. Ele vai, volta, gira – me tonteia com sua dança. Nada desacelera. Cerro os punhos, meu sangue ferve. Me concentro, mas ele foge. Foge o tempo todo. Não há nem como tentar adestrá-lo. Ele brinca com movimentos, provoca, não tem pudor. Penso em emboscadas, mas ele não cai – é muito ágil e sabe o que está fazendo. O delicioso sabor da perseguição, a respiração ofegante, a excitação. Em sintonia com a natureza, a arte vira um organismo vivo em movimento contínuo. Ator, acreditador. Começo predador, termino presa. Aqui, “Um Leão” não arranhou: foi golpe fatal.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Se o título desse post fosse “Pitty surge com hematomas e sem blusa em novo clipe” tenho certeza que eu teria mais visualizações. Às vezes fico curiosa/furiosa pra saber de onde alguns jornalistas tiram esse tipo de chamada, porque, na boa, deve ter curso pra isso. Mas deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem? (ah, Jair Rodrigues, que triste), e vamos ao que realmente interessa.

Capa do disco. Pitty e sua relação com a maçã, o fruto proibido, que vem desde o Admirável Chip Novo. (Imagem: divulgação)

Capa do disco (divulgação)

Viver parece mesmo coisa de insistente. No rock, então, nem se fala. Pitty voltou. Na verdade, pra mim, ela nunca foi a lugar algum. A diferença é que na última quarta-feira, 7 de maio, ela deu uma paulada na cabeça dos fãs adormecidos. Aqueles, os que ficaram lá por 2005, acordaram ensandecidos. Eu mesma, que me julgo das mais tranquilas, parecia uma testemunha de Jeová compartilhando o clipe e pregando insistentemente de timeline em timeline. “Posso te mostrar esse clipe? Posso te mostrar esse clipe?”. Chaaaaaaata. Logo eu, a maior defensora da discrição humana – a que prefere emails, DM’s e inbox – a que faz pose de má e é somente observadora na maioria das ocasiões, estava visivelmente alterada. A real é que eu não me sentia assim há anos, mas a arte faz essas coisas com a gente, né? Ainda bem. (Pra completar, no mesmo dia, Imelda May lança o clipe de Wild Woman. Tudojuntoaomeusmotempo foi sacanagem. Mas outra hora eu comento esse assunto).

E isso que foi só um clipe. Claro, o clipe.  Raul Machado, o qual tem um portfólio gigantesco (mais de 130 clipes incluindo Nação Zumbi, Planet Hemp, Raimundos, Sepultura, Camisa de Vênus e outros vários), dirigiu “SETEVIDAS”, contabilizando mais de 150 mil visualizações até o momento desse post.

Em uma conversa com o diretor, falei que a primeira coisa que me chamou a atenção foi que o clipe se diferencia um pouco de sua própria estética fílmica. Dá pra identificar que o clipe é dele porque Raul tem uma assinatura visual muito forte. Ele tem aquele lance dos músicos enfrentando a câmera, alguns enquadramentos contra-plongée, câmera recuando (veja tudo isso e muito mais aqui) e outros detalhes que não vou me deter. Comentei de seus cortes agressivos, secos, e disse que em “SETEVIDAS” os cortes e os movimentos de câmera estavam “sensuais”. Raul me disse que queria fazer takes longos, cortar menos e queria que tivesse o espírito de show, daí os movimentos felinos e  câmera flutuando como bola de sabão. Lógico, movimentos felinos. Não só os movimentos de câmera, mas todo o videoclipe. Pitty parece um gato escaldado, de beco, que cai, se machuca, fica detonado, mas volta. Com algumas vidas a menos, mas volta. E, vá lá, Pitty nunca fez o tipo gato domesticado.

Casa do Povo, uma associação judia comunista dos anos 50, que fica no Bom Retiro, em São Paulo (SP), serviu de locação para o videoclipe. Segundo o diretor, o local tem um “puta charme decadente” e está meio detonado. Raul, que nem sempre usa roteiros (nesse dia, inclusive, o roteiro ficou em casa), disse que a tomada em que Pitty segue a câmera, por exemplo, foi feita porque ele gostou da sala. “Como a locação era legal demais, eu quis aproveitar todos os ambientes, desde salas ao teatro meio abandonado que fica no subsolo”.

O clipe de “SETEVIDAS” foi gravado no dia do Levante de Varsóvia (google it), o que diminuiu um pouco o tempo de gravação, já que alguns sobreviventes de Auschwitz iam se encontrar no local. As filmagens duraram das 9h às 19h, e o primeiro corte aconteceu poucos dias depois, em uma edição psicografada de cinco horas. Depois disso, só lapidações. Há outros vários detalhes nonsense, mas conversas da madrugada a gente edita na hora de publicar.

Sobre o retorno da cantora, pensemos na cena nacional de 2003 pra cá: Pitty é uma das artistas mais importantes do país. Não é segredo pra ninguém a admiração que eu tenho por ela. Sei que é chover no molhado, mas Pitty é ótima compositora, tem uma presença de palco absurda, suscita indagações e alimenta somente o necessário – principalmente no próprio público. Acreditem, eu sei o que eu estou falando. Sim, meu texto está todo contaminado do olhar de alguém que se identifica com tudo o que ela produziu até hoje, mas justamente por causa disso eu vejo coisas que muitas vezes a grande mídia deixa passar batido, replicando somente o que a assessoria de imprensa envia.

Sem falar no lance do mistério que envolveu todo o lançamento do single e do clipe, me identifico horrores com isso e inclusive já escrevi algumas linhas sobre o assunto (não necessariamente sobre Pitty, mas sobre artistas e mistério em geral). A curiosidade agora é pelo resto das músicas. Dia 3 de junho o disco físico chega às lojas. Em breve, no site, vai rolar a pré-venda.  Eu que não sou boba de perder.

E dia 21 de agosto tem show no Opinião, vou comemorar meu aniversário lá. Aí, sim, o bicho vai pegar.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Eu deveria estar escrevendo uma síntese sobre a midiatização como processo interacional de referência, mas acontece que quando eu me perco, eu me perco. E agora eu me perdi com o “Out Among the Stars”, álbum póstumo do Johnny Cash. A primeira música lançada foi “She used to love me a lot”: letra incrível, melodia impecável. Simples assim. De chorar. Noto um exagero emocional todas as vezes que recorro ao blog para falar sobre um álbum, um clipe ou uma música. Acredito que isso se deva ao fato de eu estar ouvindo pouquíssima música, geralmente só no caminho de casa até a universidade e em alguns momentos do final de semana, então quando ouço fico assim – choro, me descabelo, sorrio, danço, sento no canto abraçando os joelhos – enfim, aproveito cada 3 minutos como se não houvesse midiatização e processos sociais. Na verdade, isso tem sido muito recorrente desde que iniciei no mestrado e me mudei: tudo é um exagero. Ando à flor da pele, desconstruindo teorias, questionando autores e questionando a mim mesma. Confesso que estou uma bagunça emocional ambulante. Tudo ganha uma proporção gigantesca. O disco do Johnny Cash é o melhor do ano no universo inteiro. “She used to love me a lot” é uma facada no meu coração. Eu não vou sobreviver a essa semana de aula. Minha tendinopatia atacou e nunca mais vou conseguir digitar na vida.

Sinceramente, estou esperando, inclusive, o dia em que a Natalia vai fazer uma intervenção e dizer: tu acha que o blog é pra isso? Minha vida pessoal tem se misturado com os textos que escrevo aqui mais do que o comum. Eu sei. Eu não devia. Não estou sendo profissional. Mas me permitir enlouquecer nesses caracteres é quase necessário para que eu não enlouqueça de verdade. Enlouquecer. Acho que tenho usado essa palavra com muita frequência.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Venho para lançar o assunto “memória”. Não sei se vocês sabem, mas meu projeto de dissertação de mestrado sugere pensar a música como objeto de memória afetiva dentro do documentário. Entretanto, aqui-agora (no blog, não no programa do SBT), a música aparece como objeto de memória (das minhas, no caso) dentro de um videoclipe. Não vou ser didática porque uso essa plataforma justamente para fugir do texto acadêmico, embora perceba que ando ficando engessada no quesito “leve”. A começar pelo título, que mais parece de artigo científico do que de um texto em blog (H-E-L-P!).

Pois bem, o clipe a que me refiro foi lançado há 20 anos, mas até hoje está na minha lista de Top 5 dos videoclipes. Na real, gosto muito dos videoclipes do Aerosmith, principalmente dos do “Get a Grip”, um dos meus álbuns preferidos, de 1993.

Os acordes de “Cryin’” me vieram noite passada em um sonho, despertando uma série de sentimentos até então adormecidos. Acho incrível a capacidade que a música tem, pelo menos em mim, de desestabilizar emocionalmente. Ouço, sonho, acordo, fico toda errada – exatamente nessa ordem. Acordar com um gosto de passado na boca me incomoda e me deixa durante todo o dia com aquela sensação amarga do que poderia ter sido e não foi. O Mark Twain que diz que “daqui a 20 anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez”. Pois é. Geralmente brinco dizendo que sou uma “ex-viciada em arrependimentos emocionais”, mas em noites de sonhos assim, volto a querer ser uma viciada em arrependimentos emocionais, não me economizando em frases esdrúxulas e atitudes exageradas.

Posso, inclusive, fazer uma ligação com outros dois clipes do mesmo álbum: “Crazy” e “Amazing”, músicas que me deixam tão doída (e doida) quanto “Cryin’”. Será culpa da Alicia Silverstone? Não sei, mas a voz rasgada do Steven Tyler e as guitarras do Joe Perry me destroem. Enfatizo também as letras, com seus versos dizendo “That kinda lovin’, now I’m never gonna be the same / I go crazy”; “All I want is someone I can’t resist”; “There were times in my life when I was goin’ insane”: digaí, meu amigo, é mais poético ou não que piripipiripipiripiripiradinha? E olha que quem tá fora da casinha hoje sou eu.

 Parece exagero – como tudo o que eu costumo escrever em dias assim -, mas quando o assunto é música, sabem como é: eu não me economizo.

Natalia Nissen@_natalices

Vou mudar de cidade.  Se não me engano é a quinta vez e sempre é diferente. Dessa vez vou para ficar pertinho da Carol Nunes que tb foi embora de Frederico Westphalen. Hahaha, mentirinha. Não é por causa dela, mas digamos que uma feliz coincidência vai fazer com que estejamos separadas por uma linha de trem entre a região metropolitana de Porto Alegre e o Vale dos Sinos.

Toda essa função de mudança mexe comigo porque na hora de colocar algumas coisas nas caixas e outras no lixo, vão sentimentos e histórias também – pro lixo e pras caixas. A possibilidade do novo e do incerto me anima em meio a tanta rotina. E nessas horas em que só se vê caixas e tralhas espalhadas pela casa, meu gato estressado com pessoas vindo olhar meus móveis quase todos os dias, quase não dá tempo de descobrir coisas novas na música.

Eis que uma moça cruza meu caminho nessa internet. Que coisa linda! Fiquei invejando a voz dessa britânica de 19 anos porque eu tenho 23 e uma voz de taquara rachada que fica ainda pior no rádio. Enfim, os vídeos da Ella Eyre no Youtube são do ano passado, de quando ela lançou o primeiro EP, mas só “descobri” hoje.  Os vídeos dela cantando ao vivo são muito melhores que os clipes oficiais (pelo menos os que eu vi).

Posso ser mais feliz se encontrar uma boa música nova a cada intervalo de arrumação da mudança. (Minha obsessão por felinos ainda destaca o “rei leão” da capa do EP).