Archive for the ‘Shows’ Category

Um dos espetáculos mais lindos que eu já vi espera a sua contribuição para ser lançado em DVD: é o Nico Tributo, que faz parte da campanha colaborativa Meu Amigo Nico, em homenagem ao artista Nico Nicolaiewsky.

Além do DVD, a campanha visa criar um portal dedicado à obra do artista e fazer um espetáculo no dia do aniversário do Nico, 9 de junho. O espetáculo conta com toda aquela galera que participou do Nico Tributo, em 2015. Imperdível, hein? Recomendo vivamente (e estou muito, muito triste pois não vou estar em Porto Alegre na data =/)

As recompensas são diversas (nome no portal, DVD autografado, camisetas, ingressos, shows na sala da sua casa, um acordeon do Nico!) e variam entre R$ 10 e R$ 10.120. A campanha termina no próximo dia 19/05, mas ainda dá tempo de colaborar: é só acessar https://www.catarse.me/meuamigonico e participar dessa homenagem ao Nico, além de ajudar a eternizar sua obra e torná-la acessível a todos.

Sem título

 

Na última quinta-feira, 24 de novembro, a banda Ultramen subiu ao palco do Opinião para lançar o DVD Máquina do Tempo, gravado 8 anos atrás naquele mesmo palco.

Além do lançamento do DVD, o show marcou a comemoração dos 25 anos da banda, que tem 4 discos de estúdio lançados e intercalou sucessos de todos os álbuns, além de “Robot Baby”, composição inédita do grupo. Pouco antes do show começar, o público assistiu a um vídeo do Mestre Guitarreiro Luis Vagner contra o fechamento da TVE e FM Cultura, movimento que a Ultramen também faz parte e endossou essa posição durante boa parte do show, principalmente no bis, quando todos os músicos voltaram com a camiseta “Salve salve a TVE e a FM Cultura” e Tonho Crocco disse que o medo dele – e da banda – não é perder espaço na mídia, mas sim perder a Fundação Piratini, essencial para bandas independentes, artes cênicas e cultura em geral.

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Interação entre banda e público foi intensa durante toda a noite (Foto: Carol G. Nunes)

Mas retomando o início do show, que começou com “Tubarãozinho” (depois da “Intro”, seguindo a mesma ordem do DVD), e seguiu com clássicos da banda como “Grama Verde”, “Bico de Luz”, “Dívida”, “General”, “Preserve”, “Máquina do Tempo” e outras várias faixas que estão no DVD, tivemos uma noite com uma energia incrível e público super presente. Aliás, o público era bem mais diversificado do que o do último show que eu tinha visto da Ultramen, no ano passado. Gente de todas as faixas etárias e cores e sabores e amores lotaram o Opinião. Sem cotoveladas e sem empurra-empurra. Andei umas 5 vezes pelo bar, de ponta a ponta, e apesar de estar bem difícil de se locomover por causa da quantidade de pessoas, ninguém trancava a passagem ou te olhava de cara feia. Acho que um público também faz o show. Eu sou jornalista, mas eu também sou público. Eu gosto de circular, de observar – ainda não perdi isso da etnografia, confesso –, e shows da Ultramen são sempre interessantes – do ponto de vista jornalístico e também do ponto de vista etnográfico.

Várias participações também rolaram durante a noite: Buiu em “Esse é o Meu Compromisso”, Manos do Rap (rapper Du e Curumano) em “Erga Suas Mãos”, PX em “Peleia” e o Gibão, batera da Comunidade Nin-Jitsu entrou em “Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown”.

O DVD Máquina do Tempo está disponível no youtube e você também pode comprá-lo no site da HBB Store.

A Galáxia de Tonho Crocco

Antes tarde do que mais tarde:

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BNegão participou em “Baobá” e “Dívida” (Foto: Carol G. Nunes)

No dia 20 de outubro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, Tonho Crocco lançou o baita disco Das Galáxias. Com participação de BNegão em “Baobá” e acompanhado da in-crí-vel banda Partenon 80, Tonho tocou todas as faixas do disco Das Galáxias e faixas d’O lado brilhante da lua, além de algumas músicas da Ultramen. Além de BNegão, PX também fez uma participação especial em “Peleia”, junto com o mini-sobrinho de Tonho, que estava de aniversário, e matou a pau na coreografia de “Peleia” 🙂

O projeto foi contemplado pelo edital Natura Musical Rio Grande do Sul e já teve seus shows de lançamento por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Vi na agenda que em dezembro eles vão tocar de novo em Porto Alegre e a dica é: vale conferir, pois o show é incrível, muito bem produzido e formatado.

Você pode baixar o Das Galáxias no site da Natura. O disco também está disponível em CD e vinil (comprei o vinil e o som é uma beleza, vale o investimento!).

 

Carol Govari Nunes@carolgnunes

No segundo semestre de 2014 eu tive um seminário chamado “Creative Industries, Cities and Popular Music Scenes”, ministrado pelo prof. Dr. Michael Goddard, professor visitante da Universidade de Salford (Manchester/UK). A data do trabalho final do seminário coincidia com o show de lançamento do disco Costa do Marfim, da Cachorro Grande, e eu pensei que poderia “sair alguma coisa dali”, já que o seminário (e o projeto POA and MCR Music Scenes) traçava um paralelo entre indústrias criativas de Porto Alegre e Manchester, e o Costa do Marfim me parecia representar isso muito bem.

E, sim, saiu alguma coisa dali. Além do artigo final do seminário, saiu também a minha dissertação de Mestrado. Esse show foi decisivo para isso. E eu nem sabia disso. Fui para o show com o pensamento “vamos ver o que acontece”, com a orientação “coloca o leitor dentro do show”, e acabou que meu procedimento metodológico se voltou para a etnografia e a partir daí eu fui construindo e descontruindo todos os aportes teórico-temáticos em torno do meu objeto de pesquisa. Não vou ficar nesse papo acadêmico, então quem quiser entender como tudo aconteceu, minha dissertação está disponível no repositório digital da biblioteca da Unisinos. Lá, eu conto desde o meu projeto de dissertação, que era sobre o documentário Renato Borghetti Quarteto Europa (sim, tudo a ver), e de como as coisas foram mudando no decorrer da pesquisa (ainda bem).

Este texto é sobre o show que rolou ontem, dia 18, no Opinião, mas primeiro uma rápida contextualização sobre o disco: o Pista Livre marca o momento em que a Cachorro Grande sai de Porto Alegre, fixa residência em São Paulo e assina contrato com a gravadora DeckDisc. A partir daí, 3 discos são lançados pela Deck (incluindo o Pista Livre) e a banda surge com uma sonoridade mais limpa, mais pop e com diversos hits. O disco teve quatro músicas em primeiro lugar nas rádios: “Sinceramente”, “Velha amiga”, “Bom brasileiro” e “Você não sabe o que perdeu”.

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Depois de quase dois anos sem tocar em Porto Alegre, a Cachorro Grande volta com um show em comemoração ao terceiro disco de estúdio da banda (Foto: Carol Govari Nunes)

Enfim, vamos ao que interessa: o show em comemoração aos 10 anos do Pista Livre (na verdade, 11 anos, já que o disco foi lançado em 2005).

Cheguei no Opinião por volta das 19h30min e o bar já estava quase cheio. A Cachorro Grande mantém um público muito fiel em Porto Alegre e arrisco dizer que é uma das bandas gaúchas que mais lota lugares na cidade.

O Pista Livre foi tocado na ordem e na íntegra e teve uma recepção ótima por parte do público. “Você não sabe o que perdeu”, “Sinceramente” e “Velha Amiga” foram cantadas em coro uníssono por todos. Beto comentou da importância de sempre voltar a Porto Alegre, cidade natal da banda, e encontrar os fãs sempre tão ativos no show. Foi uma noite muito quente e de muita interação entre plateia e músicos. Além do Pista Livre, a banda tocou também “Dia Perfeito” (um dos momentos mais bonitos, com a galera cantando acompanhada somente por Pelotas no teclado – e quando Gross entrou ficou mais bonito ainda), “Deixa Fudê”, “Lunático”, “Que Loucura” e “Hey Amigo”.

O show terminou, a banda foi para o camarim, mas o público não se deu por satisfeito e começou a gritar “Mais um! Mais um! Mais um!”. Eles discutiram rapidamente qual música poderiam tocar e decidiram por “My Generation”, do The Who. Nesse momento, Carlinhos Carneiro, da Bidê ou Balde, que estava no backstage, entrou junto no palco para fazer aquelas loucuras que o Carlinhos faz, como correr de um lado para o outro, fazer mil gestos, tocar o que encontra pela frente, animar o público e coisas desse tipo. Você pode ver o vídeo desse momento clicando aqui.

Em síntese, foi um show muito enérgico e com um ótimo repertório. Fui para me despedir “oficialmente” do meu objeto de dissertação (o que, na verdade, não acontece, já que eu ainda estou espalhando alguns resultados da pesquisa por aí) e saí de lá bem satisfeita com o show. Mentira, queria ouvir algumas músicas do Costa do Marfim. Mas ok, fica para a próxima. Ah, e vem disco novo aí! Na dissertação eu o chamo de Picolé (culpem o Edu K), mas o nome oficial é electromod e vai ser lançado em agosto.

Abaixo , o vídeo de Situação Dramática, 11ª faixa do Pista Livre.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

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O show começou pouco depois das 23h e durou cerca de uma hora (Foto: Carol G. Nunes)

Eu estava bem ansiosa pelo show de lançamento do Monstro, o novo disco do Defalla. Em 2014, durante uma entrevista com Edu K sobre a produção do Costa do Marfim, disco mais recente da Cachorro Grande, ele me mostrou algumas faixas em seu computador. Depois disso, me mandou 7 faixas por email e também a capa do disco. Então desde 2014 eu fiquei ouvindo e ouvindo e ouvindo e esperando o lançamento do disco – e principalmente o show de lançamento do disco. Outro fato que aumentava minha ansiedade é que a banda (principalmente Edu K) faz parte do meu corpus de pesquisa no doutorado. Ainda não sei o rumo que minha pesquisa vai tomar (tenho 3 anos e meio pela frente), então acho que pode ser interessante, pelo menos pra mim, deixar registrado essa “pesquisa exploratória”.

Lançado em maio deste ano, o Monstro veio pra Porto Alegre na sexta-feira passada, 10 de junho. O local escolhido para o lançamento foi o bar Ocidente, local simbólico para toda uma geração que acompanhou o Defalla e toda a efervescência cultural que invadiu as ruas de Porto Alegre na década de 1980.

Depois de passar por inúmeras formações, o Defalla conta atualmente com Biba Meira na bateria, Castor Daudt na guitarra, Carlo Pianta no baixo e Edu K no vocal, isto é, a primeira formação da banda. Quem gravou boa parte dos baixos no disco novo foi o Flu Santos, baixista da formação clássica do Defalla. E o Flu também estava no show, ali perto de mim. Assim como o Gerbase, d’Os Replicantes. E mais um monte de gente que queria rever os clássicos do Papaparty, do It’s Fuckin Borin to Death e o que mais a banda quisesse apresentar. Mais da metade do show foi com repertório novo. Do Monstro, 9 músicas foram tocadas – o que é ótimo para um show de lançamento. Particularmente, isso me agradou muito, já que achei o Monstro incrível.

O show foi caótico, cheio de enfrentamentos, provocações e insinuações sexuais por parte de Edu K (estranho seria se não fosse) e com uma banda muito bem ensaiada (Biba, tu é foda!). O público, no início, estava meio frio (a noite estava muito fria!), mas com o passar da noite foi (se) esquentando.

Um relato completo do show pode ser lido no site do POA Music Scenes. Lá eu descrevi bloco por bloco, todo o repertório,  todos os detalhes do show.

No mais, deixo o vídeo de “Fruit Punch Tears (In the Treasure Hunt)”, sétima música do disco novo, mas que no show rolou bem no começo, foi a terceira música a ser tocada.

Sexta-feira eles tocam em Curitiba e sábado no Rio. Outras informações você pode conferir na fanpage da banda.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Depois de 20 anos à frente do Arthur de Faria & Seu Conjunto (que encerrou atividades em 2015, mas está finalizando seu sexto e último disco), Arthur cercou-se de quatro jovens músicos da nova cena de rock (e outras coisas) de Porto Alegre. Quatro grandes instrumentistas, mas não só. Todos donos de estilos bastante pessoais, e com seus próprios projetos musicais.

Numa das guitarras, o prodigioso Erick Endres – que, do alto dos seus 19 anos, prepara já seu segundo disco, além de ser um dos cabeças do Endres Experience, banda-tributo a Jimi Hendrix. Erick é exatamente o perfil do guitar hero setentão, ainda que tenha nascido duas décadas depois.

Na outra, Lorenzo Flach, que também tem seu trabalho solo – além de tocar na banda de Ian Ramil e na OCLA – e é um grande buscador de texturas e sonoridades diferentes no seu instrumento.

No baixo, o suingadíssimo Bruno Vargas, da Quarto Sensorial, uma  das bandas mais interessantes da fervilhante jovem cena da música instrumental da cidade. Bruno também toca com um bocado de gente, de Carmen Corrêa a Marcelo Delacroix.

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Foto: Victoria Venturella

Na bateria, o personal japa Lucas Kinoshita, da Trem Imperial e com vastos serviços prestados a dezenas de artistas. Além disso, na sua geração, é talvez o cara que melhor conheça – porque estuda a sério a coisa – os ritmos do cone sul, como a encrenca que é o candombe uruguaio.

Uma formação de banda de rock – voz, duas guitarras, baixo e bateria – para tocar milongas, candombes, xotes… o repertório composto por Arthur nos últimos 25 anos, escolhido entre o material de seus oito discos e infinitos projetos paralelos. Tudo num clima de Jam Band, com um pé na psicodelia.

Sim. Depois de velho, o careca deu pra isso…

O show de estreia desse kaos todo rola na próxima quinta-feira, 26, no Ocidente Acústico, que acontece no Bar Ocidente (João Telles esq. Osvaldo Aranha). O show começa às 23h, mas a casa abre às 21h.  Os ingressos custam  25 pila. Outras informações: www.barocidente.com.br

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Considerado um marco histórico na música nacional, o disco Afrociberdelia, lançado em 1996 por Chico Science & Nação Zumbi, está sendo celebrado em uma turnê comemorativa às duas décadas do disco. Passando por diversas cidades do país, na última quinta-feira, dia 7, a banda se apresentou em Porto Alegre, no bar Opinião, após 7 anos sem fazer shows na capital.

Foi uma noite que trouxe na íntegra o disco que balançou (e redefiniu) a trajetória da música feita no país. No local, muitas pessoas que estiveram ali 20 anos antes, na turnê de lançamento do disco, celebravam a memória de Chico Science. Várias histórias também de pessoas que acabaram não indo por vários motivos (e principalmente pela rápida ascensão da Nação Zumbi, pensando que “certamente logo haveria outro show”) e que não tiveram essa oportunidade devido à morte precoce do frontman da banda. Falando em frontman, ouvi também de amigos “metaleiros” que Chico Science foi o maior frontman que eles viram num palco; que até hoje não há nada parecido com a performance dele. Então além de relembrar um disco sensacional, foi uma noite de relembrar histórias envolvendo Chico, Nação, manguebeat e música pop.

Após tocar o disco na íntegra, com os clássicos “Maracatu Atômico”, “Macô” e “Manguetown”, a banda voltou para um bis com 4 ou 5 músicas. Entre elas, “A Praieira” e “Quando a Maré Encher”. Eventualmente o show foi marcado por problemas técnicos e pessoas mal educadas gritando para o técnico de som “aumenta isso aí, pô!”, como se a banda (ou qualquer profissional) adorasse trabalhar com o som baixo/desregulado. Uma microfonia aparecia, caso o som fosse aumentado. Coisa de show, acontece. Em um momento, Jorge du Peixe teve que explicar calmamente para uma pessoa exaltada, que estava grudada no palco, que não tinha como aumentar o som e que ela estava em um lugar pouco privilegiado, em frente ao meio do palco, e as caixas de som estavam nas laterais. Acreditem: gritar com os músicos ou com a equipe não resolve o problema; se movimentar e tentar encontrar um lugar onde o som está melhor, sim.

Em suma, foi um show ótimo e emocionante. Eu nunca tinha visto a Nação Zumbi ao vivo e sempre tive curiosidade. Saí do bar satisfeita e louca pela próxima.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

“Aos 14 anos, Flávio Basso pensou: “quero formar uma banda que seja mais famosa que Beatles e Rolling Stones juntas!”, e assim criou o TNT, no início dos anos 1980 (…). Depois, veio Os Cascavelletes, com quem lançou os discos Os Cascavelletes (1988) e Rock’a’ula (1989). Após Os Cascavelletes, virou o Júpiter Maçã, o nowhere man que a cada disco aparece com algo diferente. Do porn rock à bossa nova, passando pela psicodelia e contornando o mod, Flavio Basso é de Porto Alegre e não é de lugar nenhum. “O Júpiter Maçã usa aquela sunga de tricô que Caetano usa no disco Araçá Azul. Já o Apple, se aproxima do apfel, da manzana – ele é universal. O Apple pode ser amigo da Yoko (Ono)”: é assim que Flavio Basso define seus “eus” na série “Viajo por Porto Alegre”, de 2012.”

O parágrafo acima faz parte do meu projeto de tese de doutorado, aprovado na metade de dezembro de 2015, poucos dias antes da morte de Flávio Basso. Eu tinha passado tanto tempo imersa na obra do Flávio, em função do projeto, que não tive condições de escrever nada a respeito da morte dele. Agora, passada a fase do “luto” (como fã), estou pensando quais desdobramentos minha pesquisa de doutorado vai acabar tendo, mas esse assunto é tão longo, problemático e cheio de possibilidades que fica para uma outra.

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Império da Lã e Frank Jorge durante a música “Menstruada” (Foto: Carol G. Nunes)

Agora vamos falar sobre o Domingo no Parque – Império da Lã apresenta: A Efervescente Mente de Júpiter Maçã, que aconteceu no último dia 13, num lotado Araújo Vianna. Lotado. Com filas gigantescas, gente brigando por ingresso, xingando os organizadores do evento por terem liberado tão poucos ingressos durante a semana. Todo mundo queria ver Nei Van Soria, Frank Jorge, Marcio Petracco, Tchê Gomes, Edgard Scandurra, Carlinhos Carneiro, Marcelo Gross, Rafael Malenotti, entre outros (confira aqui todos os artistas presentes no evento), homenageando o man. Imagina que louco se todo esse povo estivesse lá para ver algum dos últimos shows do Júpiter, ainda em 2015? Será que haveria tanto desespero pelos ingressos? Será que teria sido menos “circo”, com menos pessoas rindo e xingando um artista no palco? Será? Não vou entrar (tanto) nessa discussão de uma possível necrocultura/necrofilia da arte, de como é clichê adorar alguém depois que este se vai, mas eu realmente fico refletindo acerca dessas questões. Mas não vou ser (tão) chata neste momento. Em hipótese alguma questiono a veracidade das homenagens – muito pelo contrário – sei que todos que estavam lá, na plateia e no palco, tinham os corações repletos de amor e saudades do Flávio Basso, do Júpiter Maçã, de todos eles – do homem e do artista que compôs os maiores hinos do “rock gaúcho”. (Vamos entrar na discussão de rock gaúcho? Vamos sim! Mas mais para a frente. Vamos por partes).

Então, 13 de março, pra mim, ficou marcado como um dia muito feliz na minha vida. Mais do que ver toda aquela galera que eu convivo e adoro ir aos shows, como Bidê ou Balde, Malenotti (Acústicos & Valvulados), Gross (Cachorro Grande) etc, eu vi Nei Van Soria, Luciano Albo, Tchê Gomes, Márcio Petracco e Frank Jorge tocando músicas do TNT e dOs Cascavelletes. Eu nunca tinha visto o Nei Van Soria no palco, por exemplo. Eu não vi nenhum show do TeNenTe Cascavel. Ver e ouvir “Ana Banana”, “Menstruada”, “Morte por Tesão”, “Identidade Zero”, “Cachorro Louco”, “Entra Nessa”, “Sob um Céu de Blues”, “Nega Bom Bom”, “Lobo da Estepe”, “Minissaia sem Calcinha” e “Carro Roubado” foi incrível. E também foi ótimo ouvir inúmeras músicas da carreira solo de Júpiter Maçã/Apple na voz de artistas emocionados e que se divertiam contando histórias do man.

Bom, mas tentando contar um pouco o que aconteceu no Domingo no Parque, o Império da Lã (que é maior do que todos os impérios que conseguimos estudar na escola, só não é maior que o Júpiter Maçã, como disse Carlinhos Carneiro) comandou muito bem a festa, diga-se de passagem. Era um entra e sai de artista que eu tentei anotar quem tocou o que em cada música, mas acabei desistindo. Um momento sensacional foi em “O Novo Namorado”, com Bidê ou Balde, Frank Jorge no teclado e Marcelo Gross na bateria. Ponto alto também para “Beatle Geoge” (sério, linda <3), Lobo da Estepe (só com Nei Van Soria cantando e tocando), Miss Lexotan 6mg (com Edgard Scandurra e Silvia Tape), “A Marchinha Psicótica de Dr. Soup” e “Um Lugar do Caralho”, no final, com todos os artistas no palco. Na verdade, é difícil escolher só um momento. O setlist foi muito bem pensado e todos estavam engajados em deixar aquele domingo na memória de todos os presentes. Foi uma bela celebração.

Esse Domingo no Parque, em especial, pode ser pensado não somente como uma homenagem à obra de Júpiter Maçã, mas como um evento que problematiza várias questões acerca da cena de rock em Porto Alegre. 2.500 pessoas estavam presentes no evento. Será, mesmo, que a cena musical de rock gaúcho perdeu espaço e prestígio junto ao público? Será que, de fato, o rock gaúcho sumiu do mapa? E de qual mapa estamos falando, como questionou Gerbase, em uma publicação em sua página no Facebook?

Eu acho que o evento aparece em um momento onde podemos e devemos discutir sobre a ressignificação de uma cena. Não interessa, nesse ponto da discussão, o que originou o evento. Interessa que ele aconteceu, que há artistas para tocar e há público para assistir. O rock gaúcho morreu? Ele está hibernando? Quais argumentos temos para fazer esse diagnóstico? Será que essa não é uma discussão apressada e leviana? Me parece mais interessante discutir e tentar entender a reconfiguração dessa cena, até porque a vida na cidade cria um ambiente totalmente efêmero, o que torna inviável que uma cena se mantenha a mesma desde quando Flávio Basso formou o TNT até hoje, por exemplo.

Mas essa discussão sobre a reconfiguração da cena de rock gaúcho ainda vai muito, muito longe. Por ora, ter visto o Império da Lã e seus trocentos convidados me fez pensar que não é só a mente de Júpiter Maçã que é efervescente. Segue o baile.