Archive for the ‘Agenda’ Category

O V Congresso de Comunicação & Música é um evento onde pesquisadores, graduandos, mestrandos e doutorandos participam de debates através da submissão de resumos ampliados para os Grupos de Trabalho do Congresso.

O evento, realização do grupo de pesquisa Cultpop do PPGCC da Unisinos, acontecerá entre os dias 01e 03 de agosto, na Escola da Indústria Criativa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (campus São Leopoldo). Contará com palestrantes da UFPE, UFF, Universidade do Porto/PT, entre outras instituições.

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Calendário:

Submissão dos resumos expandidos: até 02/06/17

Divulgação dos resultados das submissões: 02/07/17

Inscrições: de 02/06/2017 a 28/07/17

As submissões dos resumos devem ser feitas exclusivamente para o email dos GTs através de um resumo ampliado (cerca de 500 palavras), contendo também título, nome completo, filiação institucional, e-mail de contato e palavras-chave (3 a 4).

A chamada de trabalhos completa está disponível na fanpage https://www.facebook.com/VComusica/. Outras informações: vcomusica@gmail.com

 

 

Na última quinta-feira, 24 de novembro, a banda Ultramen subiu ao palco do Opinião para lançar o DVD Máquina do Tempo, gravado 8 anos atrás naquele mesmo palco.

Além do lançamento do DVD, o show marcou a comemoração dos 25 anos da banda, que tem 4 discos de estúdio lançados e intercalou sucessos de todos os álbuns, além de “Robot Baby”, composição inédita do grupo. Pouco antes do show começar, o público assistiu a um vídeo do Mestre Guitarreiro Luis Vagner contra o fechamento da TVE e FM Cultura, movimento que a Ultramen também faz parte e endossou essa posição durante boa parte do show, principalmente no bis, quando todos os músicos voltaram com a camiseta “Salve salve a TVE e a FM Cultura” e Tonho Crocco disse que o medo dele – e da banda – não é perder espaço na mídia, mas sim perder a Fundação Piratini, essencial para bandas independentes, artes cênicas e cultura em geral.

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Interação entre banda e público foi intensa durante toda a noite (Foto: Carol G. Nunes)

Mas retomando o início do show, que começou com “Tubarãozinho” (depois da “Intro”, seguindo a mesma ordem do DVD), e seguiu com clássicos da banda como “Grama Verde”, “Bico de Luz”, “Dívida”, “General”, “Preserve”, “Máquina do Tempo” e outras várias faixas que estão no DVD, tivemos uma noite com uma energia incrível e público super presente. Aliás, o público era bem mais diversificado do que o do último show que eu tinha visto da Ultramen, no ano passado. Gente de todas as faixas etárias e cores e sabores e amores lotaram o Opinião. Sem cotoveladas e sem empurra-empurra. Andei umas 5 vezes pelo bar, de ponta a ponta, e apesar de estar bem difícil de se locomover por causa da quantidade de pessoas, ninguém trancava a passagem ou te olhava de cara feia. Acho que um público também faz o show. Eu sou jornalista, mas eu também sou público. Eu gosto de circular, de observar – ainda não perdi isso da etnografia, confesso –, e shows da Ultramen são sempre interessantes – do ponto de vista jornalístico e também do ponto de vista etnográfico.

Várias participações também rolaram durante a noite: Buiu em “Esse é o Meu Compromisso”, Manos do Rap (rapper Du e Curumano) em “Erga Suas Mãos”, PX em “Peleia” e o Gibão, batera da Comunidade Nin-Jitsu entrou em “Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown”.

O DVD Máquina do Tempo está disponível no youtube e você também pode comprá-lo no site da HBB Store.

A Galáxia de Tonho Crocco

Antes tarde do que mais tarde:

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BNegão participou em “Baobá” e “Dívida” (Foto: Carol G. Nunes)

No dia 20 de outubro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, Tonho Crocco lançou o baita disco Das Galáxias. Com participação de BNegão em “Baobá” e acompanhado da in-crí-vel banda Partenon 80, Tonho tocou todas as faixas do disco Das Galáxias e faixas d’O lado brilhante da lua, além de algumas músicas da Ultramen. Além de BNegão, PX também fez uma participação especial em “Peleia”, junto com o mini-sobrinho de Tonho, que estava de aniversário, e matou a pau na coreografia de “Peleia” 🙂

O projeto foi contemplado pelo edital Natura Musical Rio Grande do Sul e já teve seus shows de lançamento por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Vi na agenda que em dezembro eles vão tocar de novo em Porto Alegre e a dica é: vale conferir, pois o show é incrível, muito bem produzido e formatado.

Você pode baixar o Das Galáxias no site da Natura. O disco também está disponível em CD e vinil (comprei o vinil e o som é uma beleza, vale o investimento!).

 

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Depois de 20 anos à frente do Arthur de Faria & Seu Conjunto (que encerrou atividades em 2015, mas está finalizando seu sexto e último disco), Arthur cercou-se de quatro jovens músicos da nova cena de rock (e outras coisas) de Porto Alegre. Quatro grandes instrumentistas, mas não só. Todos donos de estilos bastante pessoais, e com seus próprios projetos musicais.

Numa das guitarras, o prodigioso Erick Endres – que, do alto dos seus 19 anos, prepara já seu segundo disco, além de ser um dos cabeças do Endres Experience, banda-tributo a Jimi Hendrix. Erick é exatamente o perfil do guitar hero setentão, ainda que tenha nascido duas décadas depois.

Na outra, Lorenzo Flach, que também tem seu trabalho solo – além de tocar na banda de Ian Ramil e na OCLA – e é um grande buscador de texturas e sonoridades diferentes no seu instrumento.

No baixo, o suingadíssimo Bruno Vargas, da Quarto Sensorial, uma  das bandas mais interessantes da fervilhante jovem cena da música instrumental da cidade. Bruno também toca com um bocado de gente, de Carmen Corrêa a Marcelo Delacroix.

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Foto: Victoria Venturella

Na bateria, o personal japa Lucas Kinoshita, da Trem Imperial e com vastos serviços prestados a dezenas de artistas. Além disso, na sua geração, é talvez o cara que melhor conheça – porque estuda a sério a coisa – os ritmos do cone sul, como a encrenca que é o candombe uruguaio.

Uma formação de banda de rock – voz, duas guitarras, baixo e bateria – para tocar milongas, candombes, xotes… o repertório composto por Arthur nos últimos 25 anos, escolhido entre o material de seus oito discos e infinitos projetos paralelos. Tudo num clima de Jam Band, com um pé na psicodelia.

Sim. Depois de velho, o careca deu pra isso…

O show de estreia desse kaos todo rola na próxima quinta-feira, 26, no Ocidente Acústico, que acontece no Bar Ocidente (João Telles esq. Osvaldo Aranha). O show começa às 23h, mas a casa abre às 21h.  Os ingressos custam  25 pila. Outras informações: www.barocidente.com.br

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Foi em cima da hora que eu resolvi ir: estava enfurnada na dissertação, até pensei em não ir, já que fui ao “Nico Tributo”, que rolou ano passado, e me arrependeria profundamente se tivesse ficado em casa.

Desgrazzia ma non troppo: Trupe do Teatro Esperança em “Nico, a grande atração” é bem diferente do “Nico Tributo”. Se você está pensando em não ir porque também foi ao Tributo, digo uma coisa: corre comprar o ingresso. O espetáculo rola até domingo no Theatro São Pedro, em Porto Alegre.

“Nico Tributo” foi isso: um tributo. Um tributo extraordinário, que eu acabei indo no primeiro dia, fiquei enlouquecida e fui também no último dia. Já “Nico, a grande atração”, é um musical: um espetáculo teatral, divertido e emocionante, encenado pela talentosa Trupe do Teatro Esperança.

Com direção cênica de Márcia do Canto e direção geral de Fernando Pezão, a Trupe do Teatro Esperança revisita os maiores sucessos da brilhante carreira de Nico Nicolaiewsky. O roteiro fica por conta de Cláudio Levitan.

A baita trupe, que é composta por Fernanda Takai (Coqlicot), Pedro Verissimo (Poeta), Nina Nicolaieswky (Jolimarrí), Márcia do Canto (Madame Mô), Cláudio Levitan (Ubaldin), Fernando Pezão (Mago Yakzura), Fernando Corona (Mastrodin), Diego Silveira (Hodin), Luciano Albo (Broncodin) e Bruno Mad (Dôdin), faz uma festa cheia de aventuras e peripécias na cidade Desengano.

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Trupe do Teatro Esperança ao lado de Hique Gomez (Kraunus Sang) e Arthur de Faria (Foto: Carol G. Nunes)

Assistindo ao espetáculo, lembrei de um trecho do livro “A garota da banda”, da Kim Gordom, onde ela fala de um período em que estava em Berlim e se deparou com uma daquelas palavras grandes e cheias de significados dentro delas: Maskenfreiheit. Significa “A liberdade concedida pelas máscaras”. A Trupe do Teatro Esperança traz isso – em meio à poesia, ótima maquiagem, figurino impecável, cenografia e luzes de feitas para a ocasião, sentimos a liberdade que emana do palco e contagia o ambiente. Todos ali, sob suas máscaras, estão livres, encenando as músicas do Nico. Arte é um troço magnífico, não?

Eu, que me preparei psicologicamente pra não chorar – afinal, já havia chorado o suficiente no “Nico Tributo” –, perdi de novo pra emoção. Preciso assumir que me tornei aquelas pessoas que choram mais em shows do que em outras ocasiões, não tem jeito. Primeiro, com “A vida é confusão” (não dá, não consigo, não sei lidar) e depois quando Kraunus Sang entrou correndo no palco, para o bis. Kraunus e Arthur de Faria apareceram para tocar “Só cai quem voa” e “Reunidos por uma noite”. Sensacional. A participação de Kraunus e Arthur no final foi pra fechar a noite com chave de ouro.

Ponto alto para o peso da guitarra de Bruno Mad; Fernanda Takai cantando “Ana Cristina” em japonês é im-per-dí-vel (além de sempre emocionar com “Onde está o amor?”, “A vida é confusão” e “Ser feliz é complicado”); “Cabeça quebra cabeça”, com Bruno Mad, Cláudio Levitan e Nina Nicolaiewsky; Fernando Pezão e Luciano Albo arrasaram em “Romance de uma caveira”; “Advertência”, com todos cantando, foi demais; e teve também “Final feliz”, Picolé no sol”, “Teatro esperança” e muito mais.

Repito: o espetáculo fica em cartaz até domingo, 24. Sério, não perca. NICO VIVE!

 PS: e semana que vem tem Desgrazzia ma non tropo “Kraunus e convidados”. Vamos sim ou com certeza?

Carol G. Nunes@carolgnunes

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FDC no Sofar Sonds, em San Francisco (Foto: divulgação)

Foram 8 shows em 20 dias em algumas das mais importantes cidades dos Estados Unidos (Nova York, Los Angeles e San Francisco). Os gaúchos do Fire Department Club retornam de sua primeira turnê internacional com muita história pra contar e objetivos ainda maiores para o futuro próximo.

O quarteto de indie rock foi convocado para tocar no CMJ Music Marathon em Nova York, em outubro. FDC, único representante brasileiro, fez apresentações vibrantes e encantou um dos consultores do CMJ, Robert Singerman, que já convidou a banda para retornar no ano que vem.

Após o festival, a banda atravessou o país rumo à California para um roteiro recheado de shows intensos, gravações e o lançamento da versão especial do disco “Best Intuition”. O EP de 6 faixas estreou em 17º lugar nas paradas das rádios universitárias americanas.

Agora, o Fire Department Club está de volta ao Brasil e tem show marcado para o sábado, 28 de novembro, no Opinião. É a 7ª edição do Fellas Music Fest, que ainda contará com as bandas Second Hand e DR. HANK.

Então todo mundo já sabe: Fellas Music Fest, dia 28/11, às 23, no bar Opinião. Ingressos antecipados nas lojas Youcom (lote promocional: R$ 20; antecipados R$ 25 e na hora R$ 35).

 

Carol G. Nunes@carolgnunes

Na semana da consciência negra, o projeto Domingo no Parque promoveu a tarde de música afro-gaúcha, onde Richard Serraria, músico e pesquisador, apresentou um repertório baseado em canções que priorizam tematicamente a presença negra em Porto Alegre.

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O Bataclã FC fechou a tarde de música afro-gaúcha (Foto: Carol G. Nunes)

Cheio de convidados especiais, o show “Mais tambor, menos motor” animou a tarde de ontem, 22, no Auditório Oi Araújo Vianna. Foi incrível, emocionante. Há tempos eu estava tentando ir a algum show do Richard Serraria, então acho que dei muita sorte de pegar seus três projetos numa única tarde: Alabê Ôni, o grupo percussivo, de raiz africana no sangue, na cultura e espiritualidade, que abriu a tarde; o Pampa Esquema Novo, um disco lindo, com o qual eu tinha mais familiaridade, que trata da fusão de ritmos e gêneros envolvendo a poesia no formato canção com base na africanidade do cone sul; e o Bataclã FC, que faz uma fusão de rock, samba, funk, hip hop e música regionalista – tudo isso com muito peso e poesia.

Entre os convidados, Tonho Crocco, Andréa Cavalheiro, Marcelo Delacroix, Paulo Dionísio, Mini Bateria dos Imperadores do Samba, Ronald Augusto, Kaubi Tavares, La Uruleyra e Lilian Rocha (sério, o que foi aquela declamação – ou mastigação – da Lilian Rocha? To arrepiada até agora).

Os três trabalhos de Richard estão totalmente ativos: Alabê Ôni está fazendo a divulgação de um DVD, o Pampa Esquema Novo está com CD e o Bataclã FC acaba de lançar disco novo. Inclusive, dia 28, próximo sábado, tem show de lançamento do disco “A teimosia da felicidade” (Bataclã FC & Mastigadores de Poesia), no Espaço Cultural 512 (João Alfredo, 512), em Porto Alegre.

O repertório do show “Mais tambor, menos motor” foi esse:

  1. Aré para Bará (a capela, entrando no palco)
  2. Toborine (declamação Ronald Augusto)
  3. Alabe Oni (canto e dança Pingo)
  4. Cantos de Macambique e Quicumbi (Mimmo e Serra)
  5. Milongón e Chicalatum (canto Mimmo)
  6. Pampa Esquema Novo (Serraria e Andrea Cavalheiro)
  7. Giba Gigante Negão (Serraria e Paulo Dionísio)
  8. O Jangadeiro não sabe nadar (Serra e Andrea Cavalheiro)
  9. Doce amor se fez samba puro (Serraria, Delacroix e Andrea Cavalheiro)
  10. Só se for só
  11. Um bonde chamado desejo (Serraria e Tonho Crocco)
  12. Jaqueline Negadiaba (Andréa Cavalheiro e Marcelo Delacroix)
  13. Dread Lock (Paulo Dionisio)
  14. Bate bate forte o tambor (Kauby Tavares, Andrea Cavalheiro e Serraria)
  15. Crenças a céu aberto (BFC e Lilian Rocha)
  16. Menino Pandeiro (BFC e Andrea Cavalheiro)
  17. Barulhinho Bom (BFC e Marcelo Cougo)
  18. Quem é dusmeu vem junto (BFC, Andrea Cavalheiro e Tonho Crocco)
  19. Cabelo Pixaim (BFC, Angelo Primon, Ronald Augusto, La Uruleyra e Primon)

Quem esteve ontem no Auditório Oi Araújo Vianna pode prestigiar Richard Serraria, Tonho Crocco, Marcelo Delacroix e toda essa gente talentosa numa festa incrível de música e poesia – e de graça. Quem não foi, perdeu muito, acreditem. Essa celebração da música afro-gaúcha vai ficar marcada na história de Porto Alegre.

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Final do show Mais Tambor, Menos Motor, com todos os participantes no palco (Foto: Carol G. Nunes)

Sei que ainda vai rolar muita coisa massa no Domingo no Parque e acho que prestigiar os artistas locais é mínimo que a gente tem a fazer. São tardes de música gratuita, onde circula informação, cultura e muito aprendizado. Eu saí de lá sabendo coisas que eu não sabia antes de entrar. E vai ter tarde de samba, reggae, Império da Lã, Cantoras Gaúchas e outros inúmeros artistas ainda em 2015 e durante 2016: é só se ligar no site do projeto.

Carol G. Nunes@carolgnunes

Luciano Leães é considerado um dos principais pianistas de blues do país. Além de ter aberto o show de Elton John em Porto Alegre, foi vencedor do Prêmio Açorianos de Música na categoria “Melhor Instrumentista Pop”, em 2013. Em seus 20 anos de carreira, dividiu o palco com nomes como Carey Bell, Magic Slim, Hubert Summlin, Larry McCray, Little Jimmy King, Holland K Smith, Ron Levy, Celso Blues Boy, Fernando Noronha, Miguel Botafogo, Solon Fishbone, entre tantos outros.

Foi no início dos anos 2000 que o músico começou a compor as músicas do The Power of Love, primeiro disco de sua carreira solo. Para a finalização e o lançamento do disco, o músico resolveu lançar uma campanha de financiamento coletivo, que ficará no ar mais 42 dias. As recompensas (ou contrapartidas) vão de R$ 30,00 (um CD) até R$ 5.400,000 (um show de Luciano Leães & The Big Chiefs). No site oficial do projeto, você encontra todas as informações e decide como quer fazer parte do projeto – o importante é fazer.

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Luciano Leães & The Big Chiefs (Foto: Doni Maciel)

Abaixo, Leães fala um pouco do seu disco, sua carreira, como é a vida na estrada e muito mais.

The Backstage: São 20 anos de carreira. Como tu enxerga o atual momento da música no estado e no país?

Luciano Leães:  Aprendi boa parte do que sei tocar no piano ouvindo blues, que por sua vez conheci a partir de bandas de rock como Rolling Sontes, Led Zeppelin, Faces entre outros. Minha carreira começou como músico de blues e até hoje boa parte da minha vivência musical está relacionada ao estilo. Viver tocando apenas o que realmente gosto tem um preço, que pra mim acaba sendo bem pequeno pois o dia-a-dia vira algo mais leve, mesmo que as vezes isso possa me trazer algumas dificuldades. Para tanto, dou aula de piano, faço minhas gravações no meu Estúdio do Arco e me desdobro do jeito que dá pra seguir tocando blues. Tenho o meu projeto Piano Night onde ponho meu teclado debaixo do braço e vou para onde for possível contar a história do blues e do new orleans piano; toco com a minha banda Luciano Leães & The Big Chiefs,  Fernando Noronha & Black Soul, minha dupla com a minha guria Luana Pacheco, as vezes acompanho músicos americanos que vem tocar aqui no sul ou em outros lugares do Brasil. Gosto de palco e acho que mesmo em tempos de crise é possível dar um jeito para seguir vivendo de música. Tenho muito orgulho também de fazer parte dos Acústicos & Valvulados, Locomotores e ter participado de bandas como Pata de Elefante, Pública, Gustavo Telles & Os Escolhidos entre outras. Crises vem e vão, e viver de música no Brasil sempre foi mais ou menos difícil dependendo da época, ainda mais quando se toca um estilo que não faz parte do mainstream. Com criatividade e improviso a gente vai trilhando esse caminho. 

Leães em frente ao primeiro estúdio de Cosimo Matassa (em New Orleans), importantíssimo para o R&B e soul music nas décadas de 1950 e 1960 (Foto: Doni Maciel)

Leães em frente ao local onde foi primeiro estúdio de Cosimo Matassa (em New Orleans), importantíssimo para o R&B e soul music nas décadas de 1950 e 1960 (Foto: Doni Maciel)

TB: Como foi a viagem pra New Orleans? Quais as tuas descobertas por lá?

LL: Foi incrível, pois me encontrei com um dos principais elementos da minha música que é a cultura de New Orleans. Acabei me sentindo em casa e tendo experiências que jamais pensei que teria e que me fizeram acreditar na magia daquele lugar. Fiquei amigo da filha do Professor Longhair, um dos grandes ícones do new orleans piano; conheci músicos e ídolos como Allen Toussaint, Jon Clery e Dr. Lonnie Smith; toquei na rua e em bares (ganhei U$ 40,00 em 40 minutos na rua e algumas cervejas em um dos bares mais legais de lá, o Spotted Cat); passei 15 dias em um dos bairros mais tradicionais de New Orleans, onde diversos músicos de rua e artistas vivem, o St Roch District; entre tantas outras vivências que não podem ser medidas por palavras. A arte do meu disco foi feito por uma artista de lá chamada Monica Kelly e tive a participação de músicos locais que gravaram Clarinete, Trompete e Trombone. Isso mostra bastante a sensação de pertencimento que senti naquele lugar.

TB: Tu assina todas as faixas do disco. Como é teu processo de composição? 

LL: Neste disco, todas as músicas são assinadas por mim. Na verdade este disco de estreia é um apanhado geral dos meus últimos 15 anos. Tem música que eu comecei a compor há mais de 15 anos e achei que seria justo fazer uma seleção de músicas compostas nestes últimos anos com o que venho fazendo atualmente. Eu tinha medo que o disco ficasse sem unidade, mas achei muito interessante como acabou fazendo muito sentido tudo que lá está. Tem um período meu mais roqueiro, uma forte influência da música de New Orleans, blues, música instrumental, etc. Como já falei antes, acho que na música não devemos ter preconceito. Devemos deixar nosso espírito se expressar livremente e acho que consegui muito isso no meu disco.

TB: Há quanto tempo tu vem trabalhando no The Power of Love? O que este disco significa neste momento da tua carreira?

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Segundo a revista Teclado e Áudio, Leães está entre os 4 melhores tecladistas de blues do país (Foto: Doni Maciel)

LL: É um marco importante. Embora os Big Chiefs tenham bastante chão (a estreia foi em 2008 no Festival de Blues de Ribeirão Preto), foi no ano passado que resolvi parar um pouco e focar no meu trabalho. Embora não fique pirando e depositando expectativas sobre o que vai acontecer daqui pra frente, posso falar com tranquilidade que tenho muito orgulho desse disco. Três músicas dele foram lançadas ano passado em um EP e uma delas, Song For J.B., tocou em uma das minhas rádios preferidas, a WWOZ de New Orleans. Me emociona muito também saber que nele tem músicos que eu admiro demais, como por exemplo o organista Ron Levy que tocou com o BB King nos anos 70 e é um dos meus grandes mestres. Foi um trabalho que começou a ser gravado há 4 anos e que fluiu naturalmente ao longo desse tempo. Quando foi hora de nascer ele simplesmente veio, e te digo que veio na hora certa, do jeito que eu imaginava.

TB: Como tu faz pra conciliar a carreira solo com as outras bandas que tu faz parte como, por exemplo, os Acústicos & Valvulados?

LL: As vezes é uma loucura. Mais de um show numa noite, toco no Paraná num dia e no outro tenho que estar no interior do Rio Grande do Sul. Mas no fundo eu adoro essa adrenalina e essa vida na estrada. Um fator importante que torna isso possível é o fato dos meus colegas de banda serem bastante compreensíveis com essa realidade da mesma forma que eu sou com meus parceiros dos Big Chiefs. Poucas vezes alguém incomoda por causa disso, mesmo porque todo mundo sabe como é viver de música. Todo mundo dá a maior força. Quero mais é que os meus parceiros se deem bem pois assim todo mundo fica feliz.

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* Quem quiser colaborar de outra forma, que não pelo site, é só mandar um email para llbcproducao@gmail.com, onde a equipe passará os dados bancários e a instruções para depósito.

O show de lançamento vai rolar no dia 3 de dezembro, no Teatro do Centro Histórico Cultural Santa Casa, em Porto Alegre.

Apoie os músicos locais e seus projetos independentes: essa é a única forma de eles continuarem fazendo o seu trabalho 🙂