Eu queria ser Cássia Eller

Posted: 29/12/2014 in Rock
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Carol Govari Nunes@carolgnunes

Foi em 29 de dezembro de 2001 que Cássia Eller nos deixou. Hoje, 13 anos depois, ao lembrar da data, fui tomada por uma sensação de nostalgia que me obrigou a pausar meus afazeres científicos e deixar que essa sensação viesse à tona como ela merece.

Eu tinha 13 anos quando a Cássia morreu. Ela não era só uma cantora com a carreira no auge – ela era, para mim, a maior cantora do mundo. Quem me conheceu na pré-adolescência sabe que eu nem estou exagerando (como geralmente faço aqui no blog), era tudo isso mesmo. Eu sabia tocar todas as suas músicas. Eu tocava o Acústico MTV, lançado no mesmo ano de sua morte, religiosamente todos os dias. Eu tinha um tonante terrível, estava naquela fase de primeira aproximação verdadeira com o violão e as revistinhas de cifras ensinavam a tocar o básico de todas as canções dela. Minha mãe não aguentava mais. O bom é que as revistas, por causa do sucesso do Acústico MTV, acabavam trazendo também músicas de outros discos como, por exemplo, Veneno Antimonotonia, Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo, entre outros.

Basicamente, o que eu conhecia de compositores brasileiros no início dos anos 2000 se resumia a Cazuza, Frejat, Nando Reis, Chico Buarque, Renato Russo, Riachão – tudo porque eram os autores das canções que ela interpretava. E como interpretava. Pra mim, ela vai ser sempre uma das maiores intérpretes da música brasileira. Não é tão simples assim pegar a música que outra pessoa escreveu e deixar ela com a tua marca, com a tua impressão, com o teu sentimento.

Eu poderia ficar horas contando tudo o que a Cássia representou pra mim dos meus 10 aos 13 anos; de que forma ela influenciou na minha personalidade, de como eu me sentia acolhida (sim, acolhida – vocês imaginam como é ser um pouquinho diferente, numa cidade de 5 mil habitantes, no interior do Rio Grande do Sul?) quando a via na televisão, de como eu sofri quando ela morreu – mas nada seria suficiente, tamanha importância – então esses parágrafos só esboçam um pouco do que realmente foi.

Apesar da pontuação sofrível e dos erros de português, compartilho, abaixo, um texto que escrevi alguns dias depois de sua morte. Acho ele péssimo (e é, né), mas resolvi postar mesmo assim. Muito antes de sonhar ser jornalista, a escrita já me fazia companhia em absolutamente todas as ocasiões. Esse, sobre sua morte, considero o primeiro que escrevi sobre música. Tenebroso, mas de coração. Se eu passasse a limpo para esconder os erros não seria tão honesto, então posto exatamente como escrevi.

PS: o “Revista Isto É”, no canto direito, abaixo, é um detalhe que hoje acho engraçadíssimo: servia para “se a minha mãe pegar, digo que copiei da revista” (santa ingenuidade, hein?). Durante anos, morri de vergonha de tudo que escrevi, então tenho muito manuscrito com assinatura fake. Mas esse fui eu que escrevi, mãe. E tudo que tu encontrar nas minhas gavetas dizendo que é da Capricho, mentira – nunca li a Capricho – fui eu que escrevi também.

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