Imelda May live at the INEC – Killarney, Ireland

Posted: 29/12/2011 in Backstage, Blues, Rock, Rockabilly, Shows
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Carol Govari Nunes – @carolgnunes

Foto: Carol Govari Nunes

Quando eu fui selecionada para o intercambio a primeira coisa que veio na minha cabeca foi a possibilidade de ver um show da Imelda May. Logo comecei a cuidar a agenda dela e procurar passagens. O primeiro show que pensei em ir foi em Paris, mas ainda nao tinha o meu cartao de residencia. Ok, passa. Depois resolvi esperar para fevereiro ou marco, que eh quando meu namorado vem pra ca, mas a agenda da cantora pulou de dezembro para maio. Entao minha unica oportunidade seria quando ela estivesse tocando em Dublin, dia 16 ou 17 de dezembro. Ingresso caro, lugar muito grande e uma semana a mais de hostel, entao como eu ia estar em Dublin quando ela estaria fazendo shows na Irlanda, resolvi ir pra outra cidade. Atravessei a Irlanda e fui parar em Killarney dia 22 de dezembro: Bingo. Acertei em cheio.

Show em hotel, publico perto do palco, cidade pequena. Fiz reserva em um hostel onde eu era a unica hospedada. Na verdade, parecia que eu era uma das unicas estrangeiras naquela cidade de 14 mil habitantes. Sotaque do interior, eu brigando com o ingles e morrendo de curiosidade pro show. O pessoal daqui eh bem diferente. O inverno na Irlanda eh complicado. Amanhece as 9 da manha e anoitece as 16h (pelo menos nos dias em que estive no pais). Nao me aguentei e fui as 17h pro hotel, ou seja, 2 horas antes de o teatro abrir. Lógico que me perdi no caminho e cheguei la umas 18h15min. O show estava marcado pras 20h30min. Cheguei la, conheci o hotel e fiquei passeando, ate que vejo a Imelda May vindo na direcao do teatro. Pensei sem pensar e a chamei. Me apresentei, disse que eu era do Brasil e gostava muito dela. Tiramos uma foto e ela entrou. Foi tudo muito rápido.

Pouco tempo depois o teatro abriu e o púbico comecou a entrar. Fiquei perto do palco e de repente um homem (o que tirou nossa foto) veio falar comigo, perguntando se eu era mesmo do Brasil. Eu falei que sim e ele disse algo que não entendi muito bem, mas terminou com um “15 minutes after the concert”. Ok.

Foto: Carol Govari Nunes

O show comecou e foi a coisa mais linda que eu ja vi na minha vida. Parecia que eu estava numa festa onde a banda estava tocando. Ninguem se empurrando, cada um dancando na sua, tudo muito confortavel e bonito. A Imelda simplesmente humilha. Tem um dominio absurdo de palco e envolve o publico completamente. Durante todo o show ela conversou com a plateia, agradeceu quem montou o palco, brincou, contou historias, explicou musicas novas e fazia todos ficarem em total silencio para ouvi-la. Darrel Higham, guitarrista e marido de Imelda, eh um show a parte (ja ouviu Darrel Higham and the Enforcers? Ouça tudo dele o que cair em suas maos, por favor). Com sua gretch laranja, ele tocou e cantou junto com a esposa “Temptation”, dos Everly Brothers. Sem firula, guitarra cheiona, crua, rockabilly pra dancar. Dave Priseman, Steve Rushton e Al Gare tambem sao extremamente talentosos e carismaticos, arrasando em seus respectivos instrumentos.

Intercalando cancoes do Love Tattoo, Mayhem e More Mayhem, a banda executou nada menos que 28 musicas. O bis foi todo natalino. A primeira musica apenas com Imelda e Al Gare sentados no rabeco, ele tocando ukulele e ela cantando. Depois a banda entrou, eles tocaram mais duas musicas e infelizmente o show chegou ao final – por mim eles poderiam ter ficado mais umas 3 horas tocando que eu ia achar lindo. Sim, eu achei tudo lindo.

Entao o show acabou e eu fiquei por la, ja que aquele cara tinha dito algo sobre “after the concert”. Eu ja estava quase indo embora quando um outro cara veio e fez praticamente a mesma pergunta: “are you the girl from Brazil?” – “yes” – “so come here with me”. Vou, desco uma escada e chego no corredor dos camarins. Neste instante a Imelda estava conversando com um pessoal da California que tambem tinha viajado para ver o show. Passou por mim, olhou no fundo nos meus olhos, segurou nas minhas maos e disse: “YOU! I’LL BE BACK FOR YOU” (isso deve ter durado 2 segundos, mas, por favor, entre no clima romantico da minha narracao/imaginacao). Quando a galera da California foi embora ela veio neste corredor me buscar e fomos para o camarim.

Foto: Carol Govari Nunes

A essas alturas ela ja sabia meu nome, pois o cara que eu calculo ser o produtor dela ja havia dito. Sentamos, ela perguntou como eu tinha ido parar na Irlanda e como conhecia ela no Brasil. Contei que meu namorado comprou o Love Tattoo em 2009 e foi amor a primeira audicao. Continuamos falando sobre qualquer coisa semelhante a isso e que meu ingles permitisse. A Imelda eh aquele tipo de pessoa que fala te tocando (bem friendly, como aquelas pessoas que tu encontra nos pubs em Dublin querendo brindar com uma guinness). Receptiva, espontanea e muito curiosa (ainda querendo entender como ela tinha fas no Brasil), disse que a unica palavra que sabia em portugues era “obligado”. Sim, com L. Foi tudo muito divertido. Muitas das frases que eu comecava ela terminava, tentando me dar uma mao no ingles. Acabou que eu nem estava mais nervosa, pois ela foi tao carinhosa que nao tinha como nao ficar a vontade. No camarim ela continuou sorridente e charmosa, tanto como no palco, mas parece que quando ela tirou o salto alto e o vestido, colocou uma babylook e uma calça jeans ficou mais humana, if you know what I mean. No palco era assustador. Logico que isso pode ser coisa da minha cabeca e ela eh soh mais uma cantora de rockabilly, mas era desconcertante encarar aquele mulherao de no máximo 1,65cm cantando. E ela olha muito nos olhos das pessoas. Eu não conseguia, confesso, sempre que os olhos dela voltavam para mim eu desviava. E no camarim era mais acolhedor, longe da persona cantora-fodona-no-palco.

Chegou a hora de ir embora, tiramos outra foto e agradeci muito ao produtor dela e ja nem sabia mais o que falar. Ela extremamente querida e eu mais encantada. Fui completamente rendida no Love Tattoo. Conto nos dedos de uma mao os artistas que fazem isso comigo, e a Imelda eh daqueles que eu ainda nao encontrei uma explicacao plausivel pra tamanha gana que ela me causa. Eu sou muito chata, ou morro de amores por uma banda ou to me lixando pra ela. Nunca soube gostar um bocadinho, como dizem os portugueses. Sem falso nacionalismo, dizer que eu era do Brasil nunca foi tao bem dito. Nao acredito em sonho e fico um bocadinho irritada quando falam em realizacao de um sonho. Eu nunca “sonhei” nada disso. Acredito em oportunidade (poder viajar), persistencia (nem a pau eu nao ia pra Irlanda) e sorte. E, porra, eu tenho sido sortuda pra cacete.

Desculpem a falta de acentuacao, mas estou sem notebook e na Belgica, ou seja, sofrendo com um teclado frances. Ia esperar ate voltar pra Faro pra escrever, mas nao me aguentei. Quando eu voltar posto todas as fotos e videos no nosso Youtube e Flickr.

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Comentários
  1. E eu sou o cara mais sortudo do mundo por ter uma namorada como tu!!! Carol, te amo!

  2. […] fronteiras, quando possível, do Rio Grande do Sul à Irlanda, como o caso do post sobre o show da Imelda May, no Condado de Kerry. Toda novidade e aventura são sempre válidas e contam como mais um estímulo […]

  3. […] o show mais emocionante da minha vida tinha sido o do Red Hot Chili Peppers (claro, tem o da Imelda May, que tá no Top 3, mas que também já faz parte da minha fase adulta), em 2002, aos 14 anos, onde […]

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