Quando O Tesão Bater nos Sapatos Bicolores

Posted: 08/06/2011 in Entrevista, Rock, Rockabilly
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Carol Govari Nunes@carolgnunes

Sapatos Bicolores durante a Noitada Monstro, em Goiânia (Foto: Fredox)

Rock dos anos 50, rockabilly, rock de garagem, rock. Esses são os Sapatos Bicolores, banda formada por André Vasquez (guitarra e vocal), PC (Baixo) e Caio Cunha (Bateria e backings). O trio é brasiliense e já tocou por todo o Distrito Federal, além de Goiânia, Porto Alegre, Forianópolis, São Paulo e outras capitais do Brasil.

O primeiro disco da banda (“Clube Quente dos Sapatos Bicolores”) foi lançado em 2004. O segundo, lançado ano passado, traz 13 músicas e o título de “Quando O Tesão Bater”, desatacando-se com letras muito criativas e aqueles riffs de guitarra que fazem qualquer pessoa dançar.

Por e-mail, o vocalista e guitarrista André Vasquez respondeu algumas perguntas sobre influências, shows e produção de disco.

The Backstage: Como e quando surgiu a banda?

André Vasquez: Em 2001, eu tinha um monte de música e ninguém para tocar. Aí o Coaracy (baterista, ex-Bois e atual Móveis Coloniais de Acaju) resolveu chamar o Marcel e nos juntamos para 2 shows. Logo depois entrou o Pc e o Caio, aí a banda aconteceu mesmo, isso em 2002, 21 de abril.

TB: Vocês têm uma grande influência do rockabilly, mas também aparece muita coisa de “rock de garagem”, psychobilly, jovem guarda, além de bandas dos anos 80, como TNT, certo? O que mais influencia os Sapatos Bicolores?

AV: Isso tudo que tu falou e mais um monte de coisa. Essa semana ouvi muito Black Keys, Supergrass, Plato Dvorak, Atonais, Imelda May, Squirrel Nut Zippers, Hank III, Raconteurs, John Coltrane, Merle Travis, Charlie Christian… Não tem muita lógica, não é?

André Vasquez comenta sobre a possibilidade da banda vir para o RS em setembro (Foto: Fredox)

TB: O disco lançado em 2010, “Quando o tesão bater”, foi muito bem aceito pelos fãs da banda e por quem ainda não conhecia vocês. Como foi o processo de criação do disco? Quanto tempo durou das composições até o lançamento do disco?

AV: O disco foi um parto. O processo de composição foi demais, com nós três super envolvidos. Começou em 2006 e, no meio de 2007, o disco estava composto e com a pré-gravação pronta. Aí cometemos a besteira de tentar gravar com pessoas que não podiam/queriam direito, o selo não ajudou muito, a banda meio que se desmobilizou e tudo demorou eternamente a ponto de levarmos o material para finalizar em Goiânia de um jeito totalmente desorganizado e viajante.

Para fazer a história menos longa e dramática, o disco saiu aos trancos e barrancos no fim de 2009 e totalmente diferente do que tínhamos imaginado. Lamento muito essas músicas não terem sido melhor registradas porque acho elas muito melhores do que estão na gravação; mas azar, o lance é fazer outras melhores. E tem sempre os shows, não é? Nos shows elas ganham vida e são o que são, na real.

TB: Ainda falando sobre o “Quando o tesão bater”, o disco ratifica a forte veia rhythm n’ blues da banda. O que você tem ouvido ultimamente? Pode nos dar alguma sugestão de bandas?

AV: Então, tenho ouvido muita coisa variada. Tenho surtos de artistas. Acontece de numa semana de escutar Bob Dylan o tempo todo e, na seguinte, curtir Queens Of The Stone Age. Tem muita banda boa por aí, é impossível estar por dentro de tudo. Eu recomendo ouvir qualquer coisa que o Patrick Keller – baterista – toque. Fora as bandas que eu citei na resposta acima! A última descoberta foi uma banda chamada Hacienda, por exemplo.

TB: E a agenda da banda, como anda? Previsão de turnê, festivais?

AV: Acabamos de fechar dois meses com 8 shows, o que para nós é muito. Serviu para o Guigo, que é nosso novo baterista, entrosar de vez conosco. Queremos continuar tocando, mas em lugares onde não tocamos há algum tempo – em festivais seria ótimo. Na real, estamos sem shows marcados para frente nesse exato momento. Estou mais preocupado em acabar as 27 músicas que tenho prontas para mostrar para os guris e começar a gravar o terceiro disco, com sorte ainda esse ano. Estou numa de completar as letras faltantes, diariamente. Hoje estava trabalhando num jazzinho muito massa, de uma menina que sempre visitava o cara para dar para ele e não queria mais nada. Até que alguém se apaixonou e estragou tudo, pelo menos para o outro que só queria aquilo mesmo.

Os Sapatos Bicolores fizeram show na Noitada Monstro dia 4 de junho, festa idealizada pela produtora Monstro Discos (Foto: Fredox)

TB: Como vocês utilizam a internet neste cenário de bandas independentes? Quais ferramentas são indispensáveis?

AV: Cara, quanto mais, melhor. Estou me puxando para responder as entrevistas (risos) e atualizar nosso conteúdo em tudo que é canto. Até que não estamos tão ausentes, mas ainda vamos melhorar nossa presença digital. Por exemplo, quem quer, pode baixar nossas músicas todas e se atualizar pelo Facebook ou pelo Twitter o tempo todo.

TB: Você é gaúcho, né, André? Tem possibilidade da banda tocar aqui no Rio Grande do Sul em 2011?

AV: Sou gaúcho, nasci e morei em Porto Alegre até os 19 anos. Morro de saudades, a cada vez que volto parece que entro em contato com uma fase sensacional da minha vida. Aí está parte da minha família e muitos dos meus melhores amigos e memórias. Estou tentando armar uns shows em setembro.

TB: Há novidades por aí? Pode adiantar alguma coisa para os leitores do The Backstage?

AV: Provavelmente vamos gravar um EP no começo do segundo semestre com duas músicas instrumentais e mais uma versão totalmente inusitada, com o Pc nos vocais, de uma banda alemã – não posso dizer mais nada!

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Comentários
  1. Muito boa entrevista, “futura jornalista”. Saiba que estou nessa também (de estudar Jornalismo) hahaha.
    E ah, tomara que role o show dos caras por aqui em setembro. Sou fãzaço! Um beijo!

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