Silvia Machete e seu feminino extravagante

Posted: 25/05/2011 in Entrevista, Lançamentos
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Bruna Molena@moleeena

Nas mãos de Machete, até um lustre pode fazer as vezes de trapézio (Foto: divulgação)

Em uma apresentação única nessa última sexta-feira, dia 20, a cantora carioca Silvia Machete gravou seu segundo DVD, “Extravaganza”, no Auditório Ibirapuera, São Paulo. Diferenciada por incrementar seus shows com o que aprendeu nos tempos de artista de rua e na escola do Circo, Silvia cativa a todos por onde passa, não só por suas performances irreverentes, mas principalmente por sua voz potente. O show, em turnê desde agosto do ano passado, traz aos palcos as faixas do elogiado CD homônimo e mostra muito da evolução de Machete como cantora e intérprete, revelando outros lados da mesma Silvia.

Se alguns pensavam que a artista era só mais uma que usa acrobacias para disfarçar alguma falta de talento, certamente mudaram de opinião depois de verem o espetáculo “Extravaganza”. Nele, Silvia mostra que pode, absolutamente, deixar de lado seus malabarismos e continuar encantando o público e a crítica. Em 2010, ela ficou na lista das melhores cantoras do Jornal O Globo e, recentemente, “Extravaganza” foi eleito pela APCA (Associação dos Críticos Paulistas de Artes) como o Melhor do Ano de 2010.

Em entrevista para o The Backstage, Silvia conta sobre a gravação do DVD, suas andanças pelo mundo como artista e como a caretice deve passar longe de seus trabalhos. Confira:

The Backstage: “Extravaganza” foi eleito pela APCA como o Melhor do Ano de 2010. Deve ser muito bom receber esse reconhecimento, tanto da crítica como do público, que está abrindo os olhos para o que há de novo na música brasileira. Mas o que queremos mesmo saber é: como foi o show? Podemos esperar um DVD tão envolvente e, porque não, pecador, como “Eu Não Sou Nenhuma Santa”?

Silvia Machete: O show foi ótimo. O Roberto de Oliveira, que também dirigiu o meu DVD anterior, adorou o resultado no vídeo. Luz, cenário, tudo funcionou muito bem pra ele. Como já estamos fazendo o show desde o ano passado, estamos super ensaiados. O teatro também é perfeito para a gravação de um DVD. Todos os elementos dos meus shows estão lá: músicas minhas, performances, humor, está tudo lá, com aquela energia que só o palco te dá.

TB: Entre seus dois DVDs já gravados, o que os diferencia? A Silvia, de lá pra cá, mudou muito? O que há a mais no “Extravaganza” que não podemos deixar de ver? 

O repertório de Extravaganza é bem variado: tem desde uma parceria com Erasmo Carlos, em "Feminino Frágil", até uma versão de “Manjar de Reis”, de Nelson Jacobina e Jorge Mautner (Foto: divulgação)

SM: A Silvia Machete de “Extravaganza” está mais focada na música, no entrosamento com a banda maravilhosa que me acompanha. Claro que as performances continuam lá, essa é a minha marca e não deixaria esse meu lado de fora do DVD ou dos meus shows. Sei que a performance é muito forte na minha atuação, talvez por isso os críticos e formadores de opinião tenham dúvidas se sou cantora ou não (risos). É porque é difícil mesmo definir, meu mundo não é convencional. Acho que esse DVD vai revelar uma cantora mais madura, mais segura do que quer cantar e com mais domínio sobre todas as etapas do processo artístico: eu me envolvo em tudo, das fotos ao figurino, do cenário ao repertório.

TB: Você já rodou o mundo, literalmente: morou na Argentina quando era criança, foi morar fora com apenas 18 anos e se apresentava pelo mundo afora. O quanto essa bagagem cultural influencia seu trabalho?

SM: Influencia sobretudo na maneira de mostrar ao público a minha arte. Me apresentar na rua, para todo o tipo de público, me ensinou a buscar sempre um elemento surpresa e, sobretudo, a saber que o público quer diversão, quer embarcar na viagem, quer ser surpreendido. Eu mesma quero ser surpreendida quando vou a um espetáculo, seja ele de música ou não.

TB: Nesse último álbum você fez uma regravação, em português, de um clássico argentino eternizado na voz de Mercedes Sosa, “Como la Cigarra”. Como essa música entrou em seu repertório?

SM: Eu conheço essa música desde pequena, meu pai era muito fã da Mercedes Sosa e da gravação dela. Como eu queria gravar em português, resolvi fazer a versãoem português. No show, antes e cantá-la, conto algumas piadas pra quebrar qualquer possibilidade de sentimentalismos. A ideia não é essa, definitivamente.

TB: Elementos circenses estão sempre presentes complementando suas apresentações: o bambolê, um lustre/trapézio… como você faz para “casá-los” com suas músicas sem que eles se sobressaiam a estas?

SM: Trabalho com artes visuais e com música também, tenho a sorte de gostar de música e não ser apenas uma cantora. Minhas apresentações revelam esse domínio de palco conquistado com a vivência que tive em diferentes expressões artísticas. As habilidades físicas trago comigo de muitos anos. Misturar esses elementos é uma coisa natural pra mim, mas estou certa de que se a música não fosse boa, nada disso funcionaria – e é aí que busco esse equilíbrio. Antes de tudo, a música tem que ser boa.

TB: Essa união de artes que você faz, a música com a arte circense, traz cara nova e um novo jeito de se fazer musica ao Brasil, que já estava meio saturado de mesmices. Seria essa uma maneira de inovar e fazer renascer o gosto dos brasileiros por musica nossa, casando-a com outras artes?

A cantora traz para os palcos muito do que aprendeu na escola de circo e como artista de rua (Foto: divulgação)

SM: O Circo no Brasil ainda é visto de forma muito convencional. Todos amam o Cirque du Soleil, que é legal, mas também muito careta, ou aquele modelo antigo de espetáculo com palhaços super convencionais e nada surpreendentes. Nesse sentido, o que faço não tem nada a ver com Circo, apenas me utilizo de habilidades que aprendi quando estudei com artistas circenses para subverter à minha maneira essa manifestação artística. Acho que há um quê de inovação, mas não é esse o meu foco: quero levar entretenimento de qualidade, música de qualidade pra pessoas. Se conseguir fazer isso abolindo a caretice, aí sim terei alcançado o meu objetivo.

No site oficial da cantora você pode assistir à vídeos, ver fotos e ouvir seus álbuns, na íntegra, além de ficar por dentro de sua agenda de shows.

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Comentários
  1. Anna Carolinne diz:

    Ótima a entrevista.
    Adoro as músicas da Silvia Machete! A voz dela é deliciosa de se ouvir… e o show é sensacional!
    Sem dúvida um dos melhores que já fui em toda a minha vida. Além de ser talentosíssima, ter uma voz super gostosa, ela é sexy, engraçada e interage com o público de uma maneira bem bacana.
    😀

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