A arte de produzir um videoclipe independente

Posted: 24/09/2010 in Entrevista, Rock, Videoclipes
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Carol Govari Nunes@carolgnunes

O videoclipe, como todos sabem, serve para vestir a música e para que os jornais, revistas, TVs, contratantes e fãs possam não somente ouvir, mas também assistir a banda.

Frame do clipe "Aos 27" (Matiz)

Entrando diretamente na produção de videoclipe para circulação online, Renato Gaiarsa, diretor e editor audiovisual que já produziu vários videoclipes, documentários etc., para bandas independentes, diz que o principal é conseguir o máximo de apoio possível, porque mesmo sendo independente, sempre há gasto de produção:

” Nós, independentes, simplesmente temos que ignorar isso e conseguir, a baixo custo ou custo zero, fazer o melhor produto, para que o retorno seja criativo e não financeiro, além do que é melhor do que não exibir em lugar algum” – explica Renato.

Veja, a seguir, o que Renato contou para o The Backstage:

The Backstage – Como é a criação e produção desses videoclipes?
Renato – Bom, a criação se dá, talvez, da mesma forma com qualquer banda – exceto que grandes bandas devem ter executivos e diretores de criação por trás de tudo. Para o independente, são idéias que surgem do lado dos músicos, ou do lado de nós, diretores. Daí é começar a conversar, saber se há alguma grana, organizar um dia ou dois de gravação. O grande lance é conseguir o máximo de apoio possível – para câmera, luzes, o que for. E mesmo assim sempre há gastos de produção, nunca é exatamente “de graça”. Mas sem dúvida é sempre num esquema guerrilha e que no final sempre dá certo.

Frame do clipe “Se o sol sair” (FFM)

TB – Há algum empecilho – ou benefício – financeiro? No que ajuda?

Renato – Envolver dinheiro é sempre bom, claro, mas a depender da idéia não é algo essencial. Tem muita obra que é custo zero – como eu fiz o da Formidável, por exemplo (Assista o videoclipe aqui). É que na verdade, qualquer produto feito de forma profissional pagaria cachê de diretores, cinegrafistas, iluminadores, maquiadores, produtores, motoristas, câmera, edição, editores… Por isso que pensar num clipe de R$50 mil, que é um preço meio comum, não é assustador, pensando numa equipe completa paga por tabela. Mas nós, independentes, simplesmente temos que ignorar isso e conseguir, a baixo custo ou custo zero, fazer o melhor produto, para que o retorno seja criativo e não financeiro.
Num mundo ideal toda banda teria um orçamento pra 2 ou 3 videoclipes por ano, isso geraria um fluxo de trabalho muito bom para os realizadores e para as bandas. Ganhar prêmios, preencher portfólio, exercitar linguagem, experimentar e conhecer pessoas, são resultados nessa vida de videoclipe independente.

Frame do clipe “Ele, o super-herói” (Cascadura)

TB – Qual o retorno de divulgação pra banda e pro diretor, já que ele primeiramente circula só na internet?

Renato – Ainda é algo complexo. Para bandas independentes, a não ser que seja algo muito diferente e que atraia um público diverso, desconhecido e diferenciado, é muito mais interessante, talvez, conseguir passar numa MTV ou Multishow. Grandes bandas não precisam se preocupar tanto com isso, acho. Para nós, é melhor do que não exibir em lugar algum. E é um universo bom para lançar coisas pouco usuais de linguagem, por exemplo. Ou vídeos pesados demais, em sexo ou violência, o que seja. Internet tem essa coisa liberal, que até incentiva uma produção mais ousada em vários sentidos. Mas o ideal é conseguir um “sucesso” nos dois meios. E como diretor disso… Acho que depende da rede social que envolve esses clipes. Em Salvador, é mais fácil ser reconhecido como tal. Já em SP ou qualquer outro lugar, ainda não. Tem que recomeçar do zero, achando bandas, produzindo mais, ganhando mais portfólio, bandas ganhando mais clipes e chegando lá.

Se liga nas produções que Renato fez, até hoje:

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