A Banda das Velhas Virgens

Posted: 20/08/2010 in Entrevista, Rock
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Bruna Molena @moleeena

Nós somos a maior banda independente do Brasil (…) E ser independente é difícil pra caralho, cara, porque tudo que ta acontecendo aqui ta sendo pago, indireta ou diretamente, pela gente, e não custa pouco não. Mas é o seguinte, a gente não pode se deixar dominar pela porra do poder capitalista dos meios de comunicação e das gravadoras. A gente tem que botar pra foder mesmo, porque o meu pau é maior que o deles! Então é o seguinte: a gente toca o rock’n’roll mesmo, é tudo fora de moda, rock’n’roll, putaria, sexo… vão se foder vocês da imprensa que não gostam de rock’n’roll!

(Paulão, Velhas Virgens)

Curto, grosso e enfático, assim começa o discurso de um dos precursores da maior banda independente do país. Há 24 anos na estrada, a Banda das Velhas Virgens é conhecida por suas letras de músicas com conteúdo altamente etílico, cafajeste, sacana e sem-vergonha. Formada na década de 80 em São Paulo e com 10 discos já lançados, a banda já contou com algumas formações diferentes que influenciaram muito o estilo do rock feito por eles, passando por uma pegada punk até um rock-blues mais clássico. Os atuais integrantes-sócios-de-bar da banda são:

  • Foto: Divulgação

    Paulão de Carvalho (gaita, sax e vocal);

  • Alexandre “Cavalo” Dias (guitarra e backing vocal);
  • Roy Carlini (guitarra);
  • Tuca Paixa (baixo);
  • Simon Brow (bateria);
  • Juju Kosso (vocal).

 

O disco recém-lançado das Velhas, intitulado Ninguém Beija Como As Lésbicas, traz uma proposta diferente: uma ópera-rock (libreto da obra). Com 13 músicas inéditas, interligadas por tecidos sonoros, efeitos especiais, textos e ruídos, uma capa de deixar qualquer marmanjo com pensamentos libidinosos na cabeça e uma estrutura pra shows inteiramente renovada e melhorada, é com todo esse arsenal que as Velhas farão suas malas e atracarão em Frederico Westphalen para uma apresentação dia 20 de agosto, hoje. Só para sentir um gostinho de tudo que está por vir hoje, nós do The Backstage trocamos uma idéia com o Ale Dias, guitarrista da banda:

 

The Backstage – “O mundo de fora é o mundo. Dentro da garrafa é outra coisa. Aqui, o amor é outra coisa”. Amor ou putaria? Um leva ao outro, um não existe sem o outro ou é melhor nem misturar?

Alexandre Dias: Uma coisa é a putaria, o amor… é outra coisa. Claro que os dois se misturam. Os dois são ótimos e prazerosos, não dá pra viver sem (pelo menos pra mim). Tem muita igreja dizendo que o prazer é pecado, que sexo só pra procriar, que preservativo é coisa do demônio, etc. Conversa. Tanto o amor, o sexo e a putaria nos libertam e tudo que liberta deixa as pessoas mais aptas a optarem e menos propensas a subordinação.

Quando a gente criou o mundo dentro da garrafa era justamente pra abrigar as pessoas que querem usufruir sem culpa sua parcela de amor, sexo e, por que não? putaria!

TB – Numa das histórias do site vocês dizem que com o profissionalismo e a idade, foram perdendo um pouco daquela porra-loucagem dos primeiros discos. E tem disso no rock’n’roll? Nós não compramos muito essa história…

AD: Bom, nosso “profissionalismo” já não é ao pé da letra. A gente se aperfeiçoou na arte de tocar muito chapado e não cagar o show. Com a idade você passsa a conhecer melhor os seus limites, passa a fase do querer experimentar de tudo. Fica mais fácil tocar avida. O rock tem muito de loucura e isso nós não vamos deixar nunca. Quando acabar a “porra-louquice”, como você disse, acho melhor pendurar as chuteiras, digo as palhetas!

TB – Já tiveram que passar algum dia a pão com cerveja? Ou não sobrou nem pro pão?

AD: Já tivemos dias de pão com cerveja. Vacas magras todos passam e não me surpreenderei se passarmos de novo. Acontece. Coisas da vida. Ninguém aqui ficou milionário com músicas, fazemos o que e como gostamos. Pior seria passar a pão com cerveja no espírito da coisa. Se deixar envelhecer!

TB – Machistas o caralho, vocês tem espaço pra uma mulher que canta “meu bem, eu te amo, mas gosto mais dela”. Vocês se importam com essas definições que fazem por aí?

AD: Sabe que durante muito tempo eu mesmo não entendia por que muita gente não compreendia o sentido da letra. Claro que cantadas por um homem soam machistas. Mas se você colocar uma mulher cantando as mesmas músicas vão soar feministas? Ou será que vão soar como uma libertação da mulher?

O machismo existe e é criticado severamente nas nossas músicas pelo humor. Ridicularizamos e mostramos o como um homem (ou mulher) podem ser patéticos nos relacionamentos. E não é por que não gostamos de uma coisa que ela não existe. O machismo, assim como a subserviência ao parceiro, o preconceito, a intolerância, fazem parte do dia a dia e acho que fazemos um favor a sociedade escancarando essas questões!

TB –  “Grana, bebida e tesão”. Além de rock, falta alguma coisa?

AC: Falta o amor. Mas como eu já disse: O amor… o amor é outra coisa!

TB – E as tietes? Elas têm um espaço guardado no coração de vocês?

AC: Você sabe que muitos fãs com o passar do tempo acabam virando amigos da gente. Com as garotas também acontece. Claro que gostamos das tietes (quem não gosta de um pouco de tietagem) mas não levamos isso muito a sério! Música, especialmente o rock, é pra ser divertido e lúdico. Se colocar muita seriedade fica chato!

TB – Pra finalera, um recado pra gurizada frederiquense que mete a cara fazendo rock’n’roll, que não são poucos, como sobreviver nesse mundo ingrato?

AC: Só conheço um caminho, que é a estrada. E comer poeira e rodar por onde der. Se você tiver talento vai ter fãs e tudo será recompensado.

Capa do álbum Ninguém Beija Como as Lésbicas

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Comentários
  1. Angélica diz:

    Velhas mistura tudo sem tirar a beleza, seja do amor (que é outra coisa hehe), da putaria e principalmente do rock. Acredito que mais bandas deveriam ser assim, independentes, mas nem todas conseguem e vão pelo caminho mais fácil e curto, é questão de talento pra se manter na estrada.
    Do caralho a entrevista! Muito boa, gurias!

  2. […] 7. A Banda das Velhas Virgens […]

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