Carol Govari Nunes@carolgnunes

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Nos dias 25 e 26 de agosto (quinta e sexta) vai rolar na Unisinos campus São Leopoldo o simpósio Mapeando Cenas da Música Pop: Cidades, Mediações, Arquivos. O evento é parte do projeto POA MUSIC SCENES, desenvolvido pela Unisinos em associação com a Universidade de Salford, na Inglaterra.

Durante dois dias, serão discutidos diversos temas que envolvem a relação entre música pop, sociedade, memória e experiência. A programação começa na quinta às 14h, com debates sobre as cenas musicais contemporâneas do Rio Grande do Sul e circulação musical em redes sociais. Às 18h30, os coordenadores do POA MUSIC SCENES discutirão os resultados da pesquisa. Às 19h30, haverá palestra da professora Simone Pereira de Sá, da Universidade Federal Fluminense, fechando o primeiro dia.

Na sexta, às 10h, a fala inicial será do professor Michael Goddard, da Universidade de Salford. Ao longo da tarde, será discutida a relação entre cenas musicais e experiência urbana, com trabalhos que enfocam Porto Alegre e cidades como Rio, Goiânia e Berlim. Às 16h30, uma mesa especial reunirá Ticiano Paludo, Frank Jorge, Madblush e DJ Posada, produtores que discutirão as muitas facetas das cenas rock e pop da capital gaúcha.

A entrada no evento é gratuita (aqueles que quiserem certificado terão que pagar inscrição, valor a definir).

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FESTA

Na sexta à noite, é hora de tomar o caminho para Porto Alegre: às 21h, a festa POA/MCR/POA – Panamá (after) Papers, que acontecerá no Panamá Estúdio Pub, na Cidade Baixa, marca o fim do evento, com shows das bandas The Gentrificators e Moldragon, além de discotecagem que reunirá o melhor já produzido em POA e Manchester.

A entrada é franca.

 

 

 

LABTICS

O simpósio marcará também a inauguração do Laboratório de Tecnologias da Informação e da Comunicação da Unisinos, o LABTICS – um moderno espaço com capacidade para sessenta pessoas que, entre outras características, possibilita transmissões via streaming de alta qualidade por meio de três câmeras de alta resolução operadas por controle remoto.

Mais informações pelo site http://www.poamusicscenes.com.br/ ou pelo email portoalegrems@gmail.com

Contato: Ivan Bomfim / (51) 9602-6279 / ivanbp17@gmail.com

SERVIÇO:
UNISINOS – LABTICS

Endereço: Av. Unisinos, 950, Bairro Cristo Rei – São Leopoldo, RS

Telefone: (51) 3591-1122

Email: atendimento@unisinos.br

Panamá Estúdio Pub

Rua José do Patrocínio, 963,

Cidade Baixa – Porto Alegre

Tel: 3030-0814 ou 9881-1007

Carol Govari Nunes@carolgnunes

No segundo semestre de 2014 eu tive um seminário chamado “Creative Industries, Cities and Popular Music Scenes”, ministrado pelo prof. Dr. Michael Goddard, professor visitante da Universidade de Salford (Manchester/UK). A data do trabalho final do seminário coincidia com o show de lançamento do disco Costa do Marfim, da Cachorro Grande, e eu pensei que poderia “sair alguma coisa dali”, já que o seminário (e o projeto POA and MCR Music Scenes) traçava um paralelo entre indústrias criativas de Porto Alegre e Manchester, e o Costa do Marfim me parecia representar isso muito bem.

E, sim, saiu alguma coisa dali. Além do artigo final do seminário, saiu também a minha dissertação de Mestrado. Esse show foi decisivo para isso. E eu nem sabia disso. Fui para o show com o pensamento “vamos ver o que acontece”, com a orientação “coloca o leitor dentro do show”, e acabou que meu procedimento metodológico se voltou para a etnografia e a partir daí eu fui construindo e descontruindo todos os aportes teórico-temáticos em torno do meu objeto de pesquisa. Não vou ficar nesse papo acadêmico, então quem quiser entender como tudo aconteceu, minha dissertação está disponível no repositório digital da biblioteca da Unisinos. Lá, eu conto desde o meu projeto de dissertação, que era sobre o documentário Renato Borghetti Quarteto Europa (sim, tudo a ver), e de como as coisas foram mudando no decorrer da pesquisa (ainda bem).

Este texto é sobre o show que rolou ontem, dia 18, no Opinião, mas primeiro uma rápida contextualização sobre o disco: o Pista Livre marca o momento em que a Cachorro Grande sai de Porto Alegre, fixa residência em São Paulo e assina contrato com a gravadora DeckDisc. A partir daí, 3 discos são lançados pela Deck (incluindo o Pista Livre) e a banda surge com uma sonoridade mais limpa, mais pop e com diversos hits. O disco teve quatro músicas em primeiro lugar nas rádios: “Sinceramente”, “Velha amiga”, “Bom brasileiro” e “Você não sabe o que perdeu”.

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Depois de quase dois anos sem tocar em Porto Alegre, a Cachorro Grande volta com um show em comemoração ao terceiro disco de estúdio da banda (Foto: Carol Govari Nunes)

Enfim, vamos ao que interessa: o show em comemoração aos 10 anos do Pista Livre (na verdade, 11 anos, já que o disco foi lançado em 2005).

Cheguei no Opinião por volta das 19h30min e o bar já estava quase cheio. A Cachorro Grande mantém um público muito fiel em Porto Alegre e arrisco dizer que é uma das bandas gaúchas que mais lota lugares na cidade.

O Pista Livre foi tocado na ordem e na íntegra e teve uma recepção ótima por parte do público. “Você não sabe o que perdeu”, “Sinceramente” e “Velha Amiga” foram cantadas em coro uníssono por todos. Beto comentou da importância de sempre voltar a Porto Alegre, cidade natal da banda, e encontrar os fãs sempre tão ativos no show. Foi uma noite muito quente e de muita interação entre plateia e músicos. Além do Pista Livre, a banda tocou também “Dia Perfeito” (um dos momentos mais bonitos, com a galera cantando acompanhada somente por Pelotas no teclado – e quando Gross entrou ficou mais bonito ainda), “Deixa Fudê”, “Lunático”, “Que Loucura” e “Hey Amigo”.

O show terminou, a banda foi para o camarim, mas o público não se deu por satisfeito e começou a gritar “Mais um! Mais um! Mais um!”. Eles discutiram rapidamente qual música poderiam tocar e decidiram por “My Generation”, do The Who. Nesse momento, Carlinhos Carneiro, da Bidê ou Balde, que estava no backstage, entrou junto no palco para fazer aquelas loucuras que o Carlinhos faz, como correr de um lado para o outro, fazer mil gestos, tocar o que encontra pela frente, animar o público e coisas desse tipo. Você pode ver o vídeo desse momento clicando aqui.

Em síntese, foi um show muito enérgico e com um ótimo repertório. Fui para me despedir “oficialmente” do meu objeto de dissertação (o que, na verdade, não acontece, já que eu ainda estou espalhando alguns resultados da pesquisa por aí) e saí de lá bem satisfeita com o show. Mentira, queria ouvir algumas músicas do Costa do Marfim. Mas ok, fica para a próxima. Ah, e vem disco novo aí! Na dissertação eu o chamo de Picolé (culpem o Edu K), mas o nome oficial é electromod e vai ser lançado em agosto.

Abaixo , o vídeo de Situação Dramática, 11ª faixa do Pista Livre.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

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O show começou pouco depois das 23h e durou cerca de uma hora (Foto: Carol G. Nunes)

Eu estava bem ansiosa pelo show de lançamento do Monstro, o novo disco do Defalla. Em 2014, durante uma entrevista com Edu K sobre a produção do Costa do Marfim, disco mais recente da Cachorro Grande, ele me mostrou algumas faixas em seu computador. Depois disso, me mandou 7 faixas por email e também a capa do disco. Então desde 2014 eu fiquei ouvindo e ouvindo e ouvindo e esperando o lançamento do disco – e principalmente o show de lançamento do disco. Outro fato que aumentava minha ansiedade é que a banda (principalmente Edu K) faz parte do meu corpus de pesquisa no doutorado. Ainda não sei o rumo que minha pesquisa vai tomar (tenho 3 anos e meio pela frente), então acho que pode ser interessante, pelo menos pra mim, deixar registrado essa “pesquisa exploratória”.

Lançado em maio deste ano, o Monstro veio pra Porto Alegre na sexta-feira passada, 10 de junho. O local escolhido para o lançamento foi o bar Ocidente, local simbólico para toda uma geração que acompanhou o Defalla e toda a efervescência cultural que invadiu as ruas de Porto Alegre na década de 1980.

Depois de passar por inúmeras formações, o Defalla conta atualmente com Biba Meira na bateria, Castor Daudt na guitarra, Carlo Pianta no baixo e Edu K no vocal, isto é, a primeira formação da banda. Quem gravou boa parte dos baixos no disco novo foi o Flu Santos, baixista da formação clássica do Defalla. E o Flu também estava no show, ali perto de mim. Assim como o Gerbase, d’Os Replicantes. E mais um monte de gente que queria rever os clássicos do Papaparty, do It’s Fuckin Borin to Death e o que mais a banda quisesse apresentar. Mais da metade do show foi com repertório novo. Do Monstro, 9 músicas foram tocadas – o que é ótimo para um show de lançamento. Particularmente, isso me agradou muito, já que achei o Monstro incrível.

O show foi caótico, cheio de enfrentamentos, provocações e insinuações sexuais por parte de Edu K (estranho seria se não fosse) e com uma banda muito bem ensaiada (Biba, tu é foda!). O público, no início, estava meio frio (a noite estava muito fria!), mas com o passar da noite foi (se) esquentando.

Um relato completo do show pode ser lido no site do POA Music Scenes. Lá eu descrevi bloco por bloco, todo o repertório,  todos os detalhes do show.

No mais, deixo o vídeo de “Fruit Punch Tears (In the Treasure Hunt)”, sétima música do disco novo, mas que no show rolou bem no começo, foi a terceira música a ser tocada.

Sexta-feira eles tocam em Curitiba e sábado no Rio. Outras informações você pode conferir na fanpage da banda.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Depois de 20 anos à frente do Arthur de Faria & Seu Conjunto (que encerrou atividades em 2015, mas está finalizando seu sexto e último disco), Arthur cercou-se de quatro jovens músicos da nova cena de rock (e outras coisas) de Porto Alegre. Quatro grandes instrumentistas, mas não só. Todos donos de estilos bastante pessoais, e com seus próprios projetos musicais.

Numa das guitarras, o prodigioso Erick Endres – que, do alto dos seus 19 anos, prepara já seu segundo disco, além de ser um dos cabeças do Endres Experience, banda-tributo a Jimi Hendrix. Erick é exatamente o perfil do guitar hero setentão, ainda que tenha nascido duas décadas depois.

Na outra, Lorenzo Flach, que também tem seu trabalho solo – além de tocar na banda de Ian Ramil e na OCLA – e é um grande buscador de texturas e sonoridades diferentes no seu instrumento.

No baixo, o suingadíssimo Bruno Vargas, da Quarto Sensorial, uma  das bandas mais interessantes da fervilhante jovem cena da música instrumental da cidade. Bruno também toca com um bocado de gente, de Carmen Corrêa a Marcelo Delacroix.

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Foto: Victoria Venturella

Na bateria, o personal japa Lucas Kinoshita, da Trem Imperial e com vastos serviços prestados a dezenas de artistas. Além disso, na sua geração, é talvez o cara que melhor conheça – porque estuda a sério a coisa – os ritmos do cone sul, como a encrenca que é o candombe uruguaio.

Uma formação de banda de rock – voz, duas guitarras, baixo e bateria – para tocar milongas, candombes, xotes… o repertório composto por Arthur nos últimos 25 anos, escolhido entre o material de seus oito discos e infinitos projetos paralelos. Tudo num clima de Jam Band, com um pé na psicodelia.

Sim. Depois de velho, o careca deu pra isso…

O show de estreia desse kaos todo rola na próxima quinta-feira, 26, no Ocidente Acústico, que acontece no Bar Ocidente (João Telles esq. Osvaldo Aranha). O show começa às 23h, mas a casa abre às 21h.  Os ingressos custam  25 pila. Outras informações: www.barocidente.com.br

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Considerado um marco histórico na música nacional, o disco Afrociberdelia, lançado em 1996 por Chico Science & Nação Zumbi, está sendo celebrado em uma turnê comemorativa às duas décadas do disco. Passando por diversas cidades do país, na última quinta-feira, dia 7, a banda se apresentou em Porto Alegre, no bar Opinião, após 7 anos sem fazer shows na capital.

Foi uma noite que trouxe na íntegra o disco que balançou (e redefiniu) a trajetória da música feita no país. No local, muitas pessoas que estiveram ali 20 anos antes, na turnê de lançamento do disco, celebravam a memória de Chico Science. Várias histórias também de pessoas que acabaram não indo por vários motivos (e principalmente pela rápida ascensão da Nação Zumbi, pensando que “certamente logo haveria outro show”) e que não tiveram essa oportunidade devido à morte precoce do frontman da banda. Falando em frontman, ouvi também de amigos “metaleiros” que Chico Science foi o maior frontman que eles viram num palco; que até hoje não há nada parecido com a performance dele. Então além de relembrar um disco sensacional, foi uma noite de relembrar histórias envolvendo Chico, Nação, manguebeat e música pop.

Após tocar o disco na íntegra, com os clássicos “Maracatu Atômico”, “Macô” e “Manguetown”, a banda voltou para um bis com 4 ou 5 músicas. Entre elas, “A Praieira” e “Quando a Maré Encher”. Eventualmente o show foi marcado por problemas técnicos e pessoas mal educadas gritando para o técnico de som “aumenta isso aí, pô!”, como se a banda (ou qualquer profissional) adorasse trabalhar com o som baixo/desregulado. Uma microfonia aparecia, caso o som fosse aumentado. Coisa de show, acontece. Em um momento, Jorge du Peixe teve que explicar calmamente para uma pessoa exaltada, que estava grudada no palco, que não tinha como aumentar o som e que ela estava em um lugar pouco privilegiado, em frente ao meio do palco, e as caixas de som estavam nas laterais. Acreditem: gritar com os músicos ou com a equipe não resolve o problema; se movimentar e tentar encontrar um lugar onde o som está melhor, sim.

Em suma, foi um show ótimo e emocionante. Eu nunca tinha visto a Nação Zumbi ao vivo e sempre tive curiosidade. Saí do bar satisfeita e louca pela próxima.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

“Aos 14 anos, Flávio Basso pensou: “quero formar uma banda que seja mais famosa que Beatles e Rolling Stones juntas!”, e assim criou o TNT, no início dos anos 1980 (…). Depois, veio Os Cascavelletes, com quem lançou os discos Os Cascavelletes (1988) e Rock’a’ula (1989). Após Os Cascavelletes, virou o Júpiter Maçã, o nowhere man que a cada disco aparece com algo diferente. Do porn rock à bossa nova, passando pela psicodelia e contornando o mod, Flavio Basso é de Porto Alegre e não é de lugar nenhum. “O Júpiter Maçã usa aquela sunga de tricô que Caetano usa no disco Araçá Azul. Já o Apple, se aproxima do apfel, da manzana – ele é universal. O Apple pode ser amigo da Yoko (Ono)”: é assim que Flavio Basso define seus “eus” na série “Viajo por Porto Alegre”, de 2012.”

O parágrafo acima faz parte do meu projeto de tese de doutorado, aprovado na metade de dezembro de 2015, poucos dias antes da morte de Flávio Basso. Eu tinha passado tanto tempo imersa na obra do Flávio, em função do projeto, que não tive condições de escrever nada a respeito da morte dele. Agora, passada a fase do “luto” (como fã), estou pensando quais desdobramentos minha pesquisa de doutorado vai acabar tendo, mas esse assunto é tão longo, problemático e cheio de possibilidades que fica para uma outra.

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Império da Lã e Frank Jorge durante a música “Menstruada” (Foto: Carol G. Nunes)

Agora vamos falar sobre o Domingo no Parque – Império da Lã apresenta: A Efervescente Mente de Júpiter Maçã, que aconteceu no último dia 13, num lotado Araújo Vianna. Lotado. Com filas gigantescas, gente brigando por ingresso, xingando os organizadores do evento por terem liberado tão poucos ingressos durante a semana. Todo mundo queria ver Nei Van Soria, Frank Jorge, Marcio Petracco, Tchê Gomes, Edgard Scandurra, Carlinhos Carneiro, Marcelo Gross, Rafael Malenotti, entre outros (confira aqui todos os artistas presentes no evento), homenageando o man. Imagina que louco se todo esse povo estivesse lá para ver algum dos últimos shows do Júpiter, ainda em 2015? Será que haveria tanto desespero pelos ingressos? Será que teria sido menos “circo”, com menos pessoas rindo e xingando um artista no palco? Será? Não vou entrar (tanto) nessa discussão de uma possível necrocultura/necrofilia da arte, de como é clichê adorar alguém depois que este se vai, mas eu realmente fico refletindo acerca dessas questões. Mas não vou ser (tão) chata neste momento. Em hipótese alguma questiono a veracidade das homenagens – muito pelo contrário – sei que todos que estavam lá, na plateia e no palco, tinham os corações repletos de amor e saudades do Flávio Basso, do Júpiter Maçã, de todos eles – do homem e do artista que compôs os maiores hinos do “rock gaúcho”. (Vamos entrar na discussão de rock gaúcho? Vamos sim! Mas mais para a frente. Vamos por partes).

Então, 13 de março, pra mim, ficou marcado como um dia muito feliz na minha vida. Mais do que ver toda aquela galera que eu convivo e adoro ir aos shows, como Bidê ou Balde, Malenotti (Acústicos & Valvulados), Gross (Cachorro Grande) etc, eu vi Nei Van Soria, Luciano Albo, Tchê Gomes, Márcio Petracco e Frank Jorge tocando músicas do TNT e dOs Cascavelletes. Eu nunca tinha visto o Nei Van Soria no palco, por exemplo. Eu não vi nenhum show do TeNenTe Cascavel. Ver e ouvir “Ana Banana”, “Menstruada”, “Morte por Tesão”, “Identidade Zero”, “Cachorro Louco”, “Entra Nessa”, “Sob um Céu de Blues”, “Nega Bom Bom”, “Lobo da Estepe”, “Minissaia sem Calcinha” e “Carro Roubado” foi incrível. E também foi ótimo ouvir inúmeras músicas da carreira solo de Júpiter Maçã/Apple na voz de artistas emocionados e que se divertiam contando histórias do man.

Bom, mas tentando contar um pouco o que aconteceu no Domingo no Parque, o Império da Lã (que é maior do que todos os impérios que conseguimos estudar na escola, só não é maior que o Júpiter Maçã, como disse Carlinhos Carneiro) comandou muito bem a festa, diga-se de passagem. Era um entra e sai de artista que eu tentei anotar quem tocou o que em cada música, mas acabei desistindo. Um momento sensacional foi em “O Novo Namorado”, com Bidê ou Balde, Frank Jorge no teclado e Marcelo Gross na bateria. Ponto alto também para “Beatle Geoge” (sério, linda <3), Lobo da Estepe (só com Nei Van Soria cantando e tocando), Miss Lexotan 6mg (com Edgard Scandurra e Silvia Tape), “A Marchinha Psicótica de Dr. Soup” e “Um Lugar do Caralho”, no final, com todos os artistas no palco. Na verdade, é difícil escolher só um momento. O setlist foi muito bem pensado e todos estavam engajados em deixar aquele domingo na memória de todos os presentes. Foi uma bela celebração.

Esse Domingo no Parque, em especial, pode ser pensado não somente como uma homenagem à obra de Júpiter Maçã, mas como um evento que problematiza várias questões acerca da cena de rock em Porto Alegre. 2.500 pessoas estavam presentes no evento. Será, mesmo, que a cena musical de rock gaúcho perdeu espaço e prestígio junto ao público? Será que, de fato, o rock gaúcho sumiu do mapa? E de qual mapa estamos falando, como questionou Gerbase, em uma publicação em sua página no Facebook?

Eu acho que o evento aparece em um momento onde podemos e devemos discutir sobre a ressignificação de uma cena. Não interessa, nesse ponto da discussão, o que originou o evento. Interessa que ele aconteceu, que há artistas para tocar e há público para assistir. O rock gaúcho morreu? Ele está hibernando? Quais argumentos temos para fazer esse diagnóstico? Será que essa não é uma discussão apressada e leviana? Me parece mais interessante discutir e tentar entender a reconfiguração dessa cena, até porque a vida na cidade cria um ambiente totalmente efêmero, o que torna inviável que uma cena se mantenha a mesma desde quando Flávio Basso formou o TNT até hoje, por exemplo.

Mas essa discussão sobre a reconfiguração da cena de rock gaúcho ainda vai muito, muito longe. Por ora, ter visto o Império da Lã e seus trocentos convidados me fez pensar que não é só a mente de Júpiter Maçã que é efervescente. Segue o baile.

 

 

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O bar Opinião abriu a temporada de shows 2016 com duas noites de ingressos esgotados: Criolo, nos dias 3 e 4 de março, celebrou os 10 anos do disco Ainda Há Tempo com um formato totalmente hip hop, somente com DJ e MC no palco.

Criolo contou a história do Ainda Há Tempo: disse que, na época em que foi lançado, eles não tinham dinheiro nem para fazer uma festa para os amigos, por isso a importância dessa turnê. O rapper conversou com o público o tempo todo – ele e o DJ Dan Dan conduziram a celebração/culto/missa/show/entenda-como-quiser de forma afirmativa (e com muito amor, agradecendo a presença de cada um que estava ali), emocionando os fãs durante os 90 minutos em que estiveram no palco. Quem acompanha Criolo, além do DJ Dan Dan (que, na ocasião, fez papel de MC), é DJ Marco, responsável pelas pick-ups. Quem estava controlando o P.A era Daniel Ganjaman (que assina a direção musical do show), chamando tanta atenção ali da cabine como se estivesse no palco. A turnê conta com um cenário produzido pelo artista plástico Alexandre Órion, que criou todas as imagens projetadas num baita telão de LED, enriquecendo visualmente show.

Além das músicas do Ainda Há Tempo, Criolo também tocou músicas dos discos Nó na Orelha e Convoque seu Buda.  Um dos pontos altos (altos no sentido sonoro, mesmo, praticamente ensurdecedor) foi quando o DJ Dan Dan levantou uma placa com os dizeres “3,75 NÃO!”. Criolo, neste momento (e em vários momentos do show), falou da importância da união, da importância de lutar. Era ovacionado constantemente. Eu vou a vários shows, mas nunca – nunca – tinha visto n a d a p a r e c i d o. O show vale pela experiência de observar o poder de condução de um artista e a devoção de seu público. É praticamente impossível não sair convertido dali. Talvez algumas pessoas perdidas (que não são más, como ele mesmo afirma na letra de “Ainda Há Tempo”), desconfiadas e relutantes em enxergar tanto amor e tanta esperança, mas a impressão que tive é de que 95% seguia fielmente – pelo menos no fervor do show – o que Criolo falava. Foi realmente impressionante.

Abaixo, um dos momentos do show, durante a música Grajauex, no dia 4: