No dia 8 de dezembro, sábado passado, o Café Campus recebeu o show do K-Man & The 45s. Mas antes, outras três bandas – também formadas em Montreal – se apresentaram: The Cardboard Crowns, The Slums e Sprankton.

 

 

Quem abriu a noite foi o Sprankton, banda punk formada por Robin Danger Greenhough (vocal e guitarra), Marshal Hampsey (guitarra e backing vocals), Nick Brosseau (baixo e backing vocals) e Chris McKee (bateria). Foi recém o 12º show da banda, que tem pouco mais de um ano de existência e apenas duas demos circulando no Youtube.

Na sequência veio o The Slums, banda punk, mas também com uma levada meio ska.  Formada em 2012 por Alex Crément (vocal e baixo), Franky Spanky (guitarra e backing vocals), Frank Scrap (guitarra) e Louis Marcil (bateria), o grupo de Montreal lançou um primeiro álbum em 2013 e outro EP em 2014. No Youtube tem uns 4 clipes deles, vale a pena dar uma procurada.

A terceira banda da noite foi o The Cardboard Crowns, trazendo uma mistura de ska, reggae, indie rock, punk e folk. Formada em 2010 pelos amigos RockRat Kuehn, Googs Megannety, Mystery Frank Cuningham e David Dubs Winstanley, o The Cardboard Crowns gravou um EP em 2013 e em 2014 lançou seu primeiro álbum, Global Citizen.

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K-Man & The 45s

Principal atração da noite, o K-Man & The 45s, banda formada por Kristin Daniel – o Kman (vocal e guitarra), Franz Kaarle Poirier (baixo), Josua Michaud (trombone e backing vocals), Mathieu Forget (saxofone) e Paulo Max Riccardo (bateria e backing vocals), traz influências claras tanto de The Specials e The Beat, como The Ramones e The Cramps. A banda já lançou três discos: Got Me Movin’ (2012), The Ska-Mones Vol 1 (2013) e K-Man & The 45’s (2016), este último lançado pela Stomp Records, gravado e mixado por Alex Giguere (The Beatdown) e masterizado por Ryan Morey (Arcade Fire, entre outros). O show extremamente enérgico segue o que os discos apresentam: muito rock’n’roll e também muito ska pra dançar. A banda incluiu no setlist versões em ska de músicas como, por exemplo, “Blitzkrieg bop” e “I wanna be sedated”, dos Ramones.

Você encontra o disco e outras informações sobre o K-Man & The 45s na página da banda no Facebook, no site da Stomp Records e no Spotify.

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O Festival de Ska de Montreal completou 10 anos na semana passada: nos dias 22, 23 e 24 de novembro rolou muito ska, rocksteady, reggae, dub, 2 tone e punk. Boa parte das bandas, fui descobrir no segundo dia, são da gravadora local Stomp Recods, fundada com o objetivo de lançar, apoiar e unir as bandas canadenses de ska. Hoje em dia, a gravadora se denomina “a full-service ska-punk-rock-n-roll record label, booking agency and music management company based in the heart of Montreal since 1995”.

Então além de conhecer bandas novas, conheci uma gravadora que tem um vasto catálogo de gêneros musicais que eu adoro, principalmente com bandas da terceira onda do ska. Bom, dá pra ver que eu pirei na gravadora, mas vamos ao festival:

 

 

 

No dia 22, o festival ocorreu no Café Campus e quem deu início aos trabalhos foi o power trio de reggae good-vibes-total FoOlish, aqui de Montreal. A banda é massa, o show é divertido e a baixista é excelente. Tocaram alguns covers, mas as músicas autorais se sobressaíram. Na sequência, The Hangers, uma banda de rock-funk-ska-reggae que atua na cena underground de Montreal desde 2009. O show foi bem mais agitado, com mais adesão do público, que aos poucos chegava para a principal atração da noite: Danny Rebel & KGB. A banda de reggae foi formada em 2007 em Montreal com o intuito de espalhar “good vibes and good times”. E assim foi o show: com certeza o mais reggaezão e good vibe de todo o festival. Além de cantor e compositor, Danny Rebel é um baita ilustrador. Vale dar uma conferida no Instagram dele e ver os desenhos do cara por lá.

 

 

 

No dia 23 o festival mudou para o Club Soda, uma casa de espetáculos que já abrigou shows de Amy Winehouse, PJ Harvey, Ben Harper, Oasis, entre outros. Quem abriu a noite foi o The Sentries, de Ottawa, com uma mistura de ska, reggae, rocksteady, dub, além de jazz jamaicano. Som pra dançar: impossível ficar parado. Depois da pista do Club Soda parecer um salão jamaicano da década de 1970, a Crash Ton Rock fez a galera pular com muito punk rock cantado em francês. A banda veio de Saguenay (uma cidade que também fica na região do Quebec), onde atua desde 2006 e é uma das principais bandas da cena local. De Vancouver, veio a divertidíssima The Dreadnoughts, conhecida no Canadá como “the biggest, baddest, drunkest, punkest folk band”. Um lance bem Gogol Bordello, Flogging Molly, Dropkick Murphys, street punk meio celta, cheio de violino, bandolim, galera dançando polka e um vocalista/guitarrista super debochado que tirou sarro da plateia que estava na área vip – e das próprias bandas de ska, dizendo que qualquer um tocava isso na guitarra – o tempo todo.  Destaque pra violinista da banda, que além de fazer toda a diferença musicalmente, foi ótima também na performance de palco.

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The Planet Smashers

A atração principal da noite era o The Planet Smashers, banda de ska (de vez em quando uma levada meio punk, de vez em quando uma levada meio pop) de Montreal que já vendeu mais de um milhão de cópias de discos (8, até o momento, inclusive o show faz parte da turnê do Mixed Messages) pelo mundo inteiro. O Club Soda, de fato, só encheu quando o The Planet Smashers subiu ao palco. A banda fez um show repleto de hits que foram cantados pelo público o tempo todo. Inclusive, ouviu lamentos quando “pediu” pra tocar músicas do disco novo.

 

 

 

 

De volta ao Café Campus, a terceira e última noite do festival foi aberta pelo ska-rocksteady do The Classy Wrecks, banda formada em 2016 em Toronto. Apesar do pouco tempo de vida, o The Classy Wrecks já tem dois EP’s e lançou seu disco de estreia em 2018. Foi um show curto, mas deu pra conhecer um pouco a banda. Na sequência, The Peelers, banda formada no Condado de North Glengarry, no leste de Ontário, em 1999, mas que agora firmou base em Montreal. Assim como o The Dreadnoughts, são reconhecidos por todo o Canadá como uma das mais notórias bandas de punk celta, ou seja, foi um show que misturou muito punk rock com música tradicional irlandesa. O lineup do terceiro dia sofreu uma baixa: o Beatdown, principal banda da noite, precisou cancelar. Quem entrou no lugar foi o Rub-a-dub Rebels, banda que não estava na programação – mas que fez o after-party do segundo dia de festival – e que acabou fazendo um dos melhores shows dos 3 dias.  No saxofone – e também nos vocais – estava Lorraine Muller, ex-integrante do The Kingpins, figura importantíssima na cena de ska de Montreal, reconhecida por ter sido a primeira mulher a ter sucesso na cena, onde atua desde 1995 (e responsável por me receber e me credenciar no festival. Thank you, Lorraine, you’re the best!).

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The Void Union

A última banda da noite foi o The Void Union, que veio de Boston pra encerrar o festival. Cheios de influências de reggae, early ska, rocksteady, jazz e soul, o The Void Union fez um show extremamente dançante e que manteve o público na pista o tempo todo. Finalizaram com “Enjoy Yorself (It’s later than you think)”, música de Carl Sigman e Herb Magidson, gravada por Guy Lombardo e His Royal Canadians e lançada pela Decca Records em 1949. A música teve várias versões, adaptações e regravações, e a minha preferida é a do The Specials, lançada em 1980 no disco More Specials – que eu acho, inclusive, é a versão mais executada pelas bandas e DJs de ska. Uma música perfeita pra fechar o festival e nos lembrar que os anos passam num piscar de olhos, então, né, vamos nos divertir 🙂

Established in 2009, the Montreal Ska Festival is an initiative of the Montreal Ska Society, a nonprofit organization. It is dedicated to shed a spotlight on and recognize Quebecois and Canadian ska music and culture. Over the years, the Montreal Ska Festival has become a keenly anticipated event by scene followers and broader public alike. Now celebrating its 10 year anniversary, the festival is a testimony to Montreal’s longstanding tradition and love of ska music. Since its inception, the festival has featured hundreds of artists from all over the world, a third of which originate from “La Belle Province” of Québec.

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This year’s programming

Montreal renowned venues Café Campus and Club Soda will once again be host to 3 nights of ska, rocksteady, reggae, dub and 2 tone music with nightly after-parties presented by Beau’s All-Natural Brewery at Ye Olde Orchard – Plateau.

Thursday November 22nd sees long-time festival friends DANNY REBEL & THE KGB leading the opening night at Café Campus! The most soulful night of the festival also welcomes Montreal’s THE HANGERS and FOOLISH as well as Peterborough’s DUB TRINITY!! Don’t forget to go to the free after-party at Ye Olde Orchard – Plateau two blocks away where the live music continues with BEAUTIFUL SABOTAGE’s reggae vibes until closing time!

On Friday November 23rd, Montreal ska legends, THE PLANET SMASHERS, will once again bring life to the party at Quartier des spectacles’ Club Soda. With performers hailing from all parts Canada, the evening welcomes Vancouver folk-punk band THE DREADNOUGHTS, Jonquière French punk-rock band CRASH TON ROCK and Ottawa trad-ska band THE SENTRIES for an evening of eclectic fun! The party once again continues with ska classics from RUB-A-DUB REBELS until the wee hours of the morning at Ye Olde Orchard – Plateau!

For its final evening on Saturday November 24th, the Montreal Ska Festival heads back to Café Campus to welcome northern reggae band THE BEATDOWN who will headline THE evening followed by Boston’s stars THE VOID UNION, Montreal’s celtic punk rock THE PEELERS and Toronto’s own THE CLASSY WRECKS. Once again, Ye Olde Orchard – Plateau will host the festival’s last evening after-party where live ska-jazz music will continue until the break of dawn with SOUND ONE!

And on Sunday November 25, the gang will host its annual Hangover Breakfast brunch at Ye Olde Orchard – Plateau with live music from none other than legendary MITCH GIRIO & FRIENDS.

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Stiff Little Fingers (Foto: Carol Govari Nunes)

Cheguei em Montreal no início deste mês (ok, foi no dia 31/10, mas conta oficialmente a partir do dia 1º) para um período de 6 meses de doutorado sanduíche (ou Graduate Research Trainee, que é como é chamado o programa aqui) no Department of Art History & Communication Studies da McGill University.

Quem está me recebendo na McGill é o professor e pesquisador Will Straw, fundador e principal disseminador do conceito de Music Scenes, algo extremamente importante para a área de Comunicação e Música, que é onde desenvolvo minha pesquisa de doutorado. Foram 10 meses de burocracias infindáveis e etapas vencidas até desembarcar em Montreal (e que não termina aqui, segue até o meu retorno). Fui contemplada com uma bolsa PDSE – Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior, da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior, que por sua vez integra o Ministério da Educação do Governo Federal. A CAPES, o CNPq e todos esses programas que financiam pesquisas no Brasil são vitais para o avanço e para a internacionalização da Educação e da Ciência no país, e eu tenho total consciência da minha responsabilidade de entregar um trabalho que gere contribuições nessas áreas.

Mas chega desse papo burocrático/científico – já faço isso demais em outros lugares – e vamos ao que importa: Stiff Little Fingers. Na mesma noite em que cheguei em Montreal fui ao Foufones Életriques, um bar alternativo que alimenta a cena de punk rock local desde 1983. E foi lá que no dia 10 de novembro, último sábado, vi um show da maior banda punk da Irlanda do Norte. Em atividade desde 1977, o Stiff Little Fingers está em uma turnê de 15 shows por todo o Canadá.

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The Mahones (Foto: Carol Govari Nunes)

Quem abriu o show foi o The Mahones, uma banda de Toronto que tem os dois pés no irish-punk. Isso porque Finny McConnell, fundador do The Mahones – e nascido em Dublin –, formou uma banda para uma festa de St. Patrick’s Day em 1990 e desde então não parou mais de tocar. Um ótimo show de abertura, por sinal. Foi tão interessante que pretendo procurar pra ouvir melhor.

E o Stiff Little Fingers fez um show extremamente político e necessário para os dias atuais. Bom, se pensarmos que são músicas de protesto feitas no final dos anos 1970, elas não deveriam ser tão atuais assim. Mas são. Jake Burns, vocalista e guitarrista da banda, conversou com o público e em diversos momentos criticou a situação da política no mundo. E não teria como ser diferente: a banda traz na bagagem 40 anos de letras que falam sobre a dureza da vida do proletariado, problemas políticos, conflitos religiosos e tantos outros temas que foram cantados por um público relativamente velho, que começou tímido, mas terminou abrindo várias rodas de pogo enquanto a banda finalizava o show com seus maiores hits.

Foi uma ótima primeira experiência em Montreal. No final do mês rola o Montreal Ska Festival e eu to super ansiosa pra ir. Depois eu conto como foi 😉

 

* Thiago Pimentel

Ouça o novo single do grupo, a música “Limbo”

Formada em 2009, a Mad Sneaks têm suas bases sob um rock sujo, visceral. Apesar da influência no stoner e punk rock, a música da banda mineira reverbera um estilo em particular, o grunge. E, em consonância as suas aproximações com Seattle, o power trio – formado por Agno Dissan (guitarra/vocal), Elton Reis (baixo) e Amaury Dias (bateria) – chegara a Jack Endino: o renomado produtor norte-americano (associado a bandas como Nirvana, Soundgarden e Mudhoney) produziu a estreia da Mad Sneaks, o disco Incógnita (2013).

Como mais um fruto da parceria com Endino, o grupo libera em Incógnita, cinco anos após o debut, seu primeiro single, a faixa ‘Limbo’. Além de consolidar o estilo dos mineiros, a composição traz um novo elemento: o uso do inglês. Divulgando seu nome fora do Brasil, a banda faz um passo significativo para expandir seu trabalho.

Confira, logo abaixo, as novidades da Mad Sneaks e, também, alguns dos planos dos músicos para o futuro – além de, claro, conhecer melhor o grupo que chamou atenção de nomes como Charles Cross (crítico musical) e do próprio Jack Endino.

The Backstage: O lançamento de “Limbo” anuncia algumas mudanças para a Mad Sneaks – mais notadamente o uso do inglês, no aspecto lírico. Cinco anos se passaram desde o debute: o que podemos esperar do próximo álbum? E quais as razões para compor, agora, em inglês?

Agno Dissan: Na verdade, nunca tivemos uma intenção concreta sobre como escreveríamos nossas músicas. Para nossa música, a única regra que seguimos é “não manter regras”, sempre mantivemos a liberdade de deixar a arte falar por si só. As músicas com letras em inglês foram apenas consequências desta liberdade. Mas isso também não significa que nos prenderemos com letras somente em inglês, trabalharemos conforme a arte nos conduzir. Um fato curioso, foi que nosso primeiro álbum (Incógnita) teve uma repercussão muito boa fora do nosso país, principalmente em países onde a língua inglesa predominava. As pessoas nos escreviam dizendo que adoravam as músicas, mesmo não entendendo as letras em português e com o lançamento de Limbo em inglês, também já estamos sendo surpreendidos com as pessoas do Brasil nos dando feedbacks positivos. Esta é a magia da arte!

The Backstage: No passado, Jack Endino fez algumas declarações negativas sobre brasileiros cantando em inglês. Em virtude do seu envolvimento com a banda, de que forma ele vê o trabalho da Mad Sneaks? Aproveitando: como vocês realizaram o contato com Endino?

Dissan: Acreditamos que este ocorrido possa ter sido algum tipo de “comentário infeliz” da parte dele, ou até problemas de interpretação. Ele já produziu bandas brasileiras que cantam em inglês após este ocorrido, através de projetos de incentivo de marcas de tênis. Já vimos algumas entrevistas antigas dele, inclusive que ele afirmava que os americanos tinham muito a aprender com as músicas brasileiras para que não ficassem presos somente na mesmice do tempo de 4×4. Enfim, nós particularmente sempre tivemos um bom relacionamento com ele e não temos nada a se queixar dele tanto como pessoal, quanto profissional. Até mesmo porque, se ele dissesse que não gostou do nosso material em inglês, isso jamais nos impediria de lançarmos mesmo assim. De qualquer forma, nós apresentamos uma das músicas a ele, que será a segunda música a ser lançada como single e ele achou ótima. Ele é um produtor independente e deixa claro que somente trabalha com artistas que ele gosta. Mostramos nossas músicas já mixadas para ele, ele gostou do material e nos escreveu perguntando se queríamos trabalhar com ele.

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Mad Sneaks (Divulgação)

The Backstage: Há, claramente, um grande apelo ligado ao grunge e a Mad Sneaks. De que forma o movimento de Seattle motiva a banda? É notável, também, elementos do stoner no grupo – pessoalmente, esses toques me remeteram as bandas (grunge) que enveredavam para esse lado (Screaming Trees e Soundgarden, por exemplo). Além de Seattle, quais as outras influências da Mad Sneaks?

Amaury Dias: A base de influências de cada membro da banda é bastante vasta, vai desde o punk rock ao heavy metal e cada detalhe pessoal dá uma característica e uma forma específica para cada canção. Com certeza temos uma paixão pelas bandas rotuladas como Grunge, mesmo as de fora de Seattle, mas nunca nos prendemos ao rótulo. Gostamos do estilo de músicas com altos e baixos, partes lentas e rápidas, com vocais suaves e gritados. Acreditamos que seríamos assim, mesmo se Seattle não tivesse revelado este movimento cultural, é claro que influências sempre existiram e sempre existirão, mas tocamos como sabemos e cantamos como conseguimos. Estamos sempre à procura de bandas “novas”, mesmo que sejam novas somente para nós. Sempre ficamos felizes quando conhecemos bandas que gostamos do trabalho. Ouvimos bandas como Social Distortion, Rancid, Ramones, QOTSA, Violent Soho, Airbourne, The Virginmarys, Helmet, Drowning Pool, Downface, Iron Maiden e etc. Dentro do Brasil, temos muitas bandas e artistas que gostamos como Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, Garotos Podres, Vivendo do Ócio, CPM22, Raimundos e artistas do underground de qualidade superior a muitos do mainstream e que somos fãs como Dvrill (precisam ouvir este projeto, é surpreendente!), Rádio Attack (rock brasileiro de dar orgulho!).

The Backstage: A banda também prega um discurso de “rock vivo”. Até que ponto o “rock está morto”? De que maneira vocês acreditam que pode contribuir com este cenário?

Dias: O rock nunca morreu, isso é uma grande besteira! Ele só está com esse papo de morto, porque não está presente no mainstream. Talvez isso seja bom, tudo se renova, este processo não é nada mais do que uma outra renovação. O público de rock sempre foi um dos mais fiéis ao estilo e sem dúvidas, quem gosta de rock jamais deixou de gostar só porque passam uma mensagem de que o rock morreu. Se olharmos para trás…o Rock sempre tomou o mundo de assalto em momentos como esse, quando ninguém mais achava que as coisas poderiam piorar, o Rock aparece com força total e vira todo o jogo. Enquanto não acontece esta revolução, mesmo com público reduzido, por falta de suportes, incentivos e estruturas, o rock segue se purificando e isto significa que cada vez mais o estilo está voltando em sua pureza natural. Se alguém duvida disso, basta frequentar shows de bandas fora do mainstream e comprovar, o rock está ficando cada vez mais sincero e puro, como sempre deveria ter sido. E o que é sincero e real, nada pode segurar! O que sempre fazemos questão em colaborar com a cena é manter nossos trabalhos com a melhor qualidade possível e SEMPRE de forma sincera, sempre buscando apoiar outros artistas que vemos que também trabalham de forma sincera com sua arte, o resto é consequência. Já falamos várias vezes, as coisas estão acontecendo, os olhos mais atentos já conseguem enxergar. Quem viver verá! E feliz será aquele que acreditou e participou desta revolução! A história é escrita de acordo com as atitudes tomadas. Sem atitude, não há história.

 The Backstage: Críticos como Charles Cross já teceram elogios à banda. Como vem sendo a repercussão ao novo single? E ao primeiro álbum do grupo?

Elton Reis: Cross é outro cara que temos uma consideração ímpar, ele sempre foi muito solícito conosco, já nos conhecemos há muitos anos. Somos fãs dos trabalhos dele desde sempre. Um fato curioso é que ele conta que o filho dele tem e usa uma de nossas camisetas até hoje, vai pra todos os lugares com ela. Ele foi um dos primeiros a conhecer nosso trabalho fora do país, antes mesmo de lançarmos o Incógnita. Estamos trabalhando duro na divulgação do novo single e fazendo um bom número de shows para divulgá-lo, temos roteiros prontos para clipes que não tardarão a serem produzidos. Acreditamos nossas vidas em nosso trabalho e vamos seguir em frente, não importa quantos muros tenhamos de derrubar. Rock para nós não é somente entretenimento, é estilo de vida!

The Backstage: Desde Incógnita (2013), muita coisa se mudou no “mundo digitalizado”. De que forma a Mad Sneaks se porta diante desses novos paradigmas? Como veem os serviços de streaming, por exemplo?

Reis: São modernidades que vieram pra ficar, não adianta virar a cara para elas, estão em todos os lugares e em questões de comodidade, são excelentes meios de conhecer novos artistas de qualquer lugar do mundo. Como tudo nessa vida tem seus prós e contras, infelizmente o contra disto é que tudo fica mais banal e descartável com mais rapidez. Enquanto um CD durava até anos sendo tocado por inteiro e ininterruptamente, até mesmo pela dificuldade de acesso a outros materiais, hoje um “hit” via streaming pode durar apenas semanas ou até dias. São os dois lados da mesma moeda. Tentamos acompanhar estas tecnologias, estamos em todas as plataformas digitais e lutamos todos os dias para fazer nossas musica ser ouvida. A forma como seremos ouvidos não importa, o que é realmente prazeroso é chegar nas pessoas e provocar boas reações, bons sentimentos, a música ainda é mágica, independente de como ela será recebida, ela ainda tem poderes de tocar os sentimentos das pessoas.

The Backstage: Por fim, o que podemos esperar da Mad Sneaks a longo prazo? Quais novidades podem ser adiantadas ao público?

Dissan: Sobre os lançamentos futuros, o próximo passo é lançar o segundo single e ele será realmente incrível, lançaremos também Videoclipes legais. A concepção original é de lançar singles isoladamente e ir montando o álbum aos poucos e no final juntar os singles lançados com algumas outras surpresas e fecharmos o disco. As novidades serão divulgadas em nosso instagram (@madsneaksrock), Facebook e Youtube. Segue a gente! Estamos na estrada e com uma agenda realmente boa, venham aos nossos shows! Uma coisa podemos garantir, vamos fazer com que sua noite seja insana! Esperem sempre dos Mad Sneaks a maior dedicação em tudo, seja em redes sociais, seja nos shows ao vivo. É tudo sincero, é tudo feito com a alma, é a nossa entrega! Seja lá como for… a história só é escrita com atitudes! Nos vemos na estrada…

 

 * Thiago Pimentel é jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Atualmente é mestrando em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde faz parte do L.A.M.A (Laboratório de Análise de Música e Audiovisual). E-mail: thiagopimentelbl@gmail.com

Ela já colocou tocar Linda Scott antes de entrar no palco; hoje toca Peter Tosh. Já cantou “Bang Bang” (Nancy Sinatra) acompanhada somente de um violão na beira do palco de um festival. Já cantou trechos de “Bom Senso” (Tim Maia), “Asa Branca” (Luiz Gonzaga), “Sociedade Alternativa” (Raul Seixas), “Be My Baby” (The Ronettes), “Smells Like Teen Spirit” (Nirvana), “Fórmula Mágica da Paz” (Racionais MCs), entre tantas outras no meio de suas músicas. Gravou “Sailin On”, mas também cantou “Leaving Babylon” (Bad Brains). Pitty sempre deu pistas de onde vem, mas só agora, em sua nova turnê Matriz – que lotou o Opinião nos dias 30 e 31 de agosto – é que decidiu buscar, repensar e expor sua formação musical.

Matriz traz um show novo, que se diferencia bastante do SETEVIDAS. O que ficou da turnê anterior foi o chute no ar em “SETEVIDAS”, as palmas em “Serpente”, e o microfone giratório em “Boca Aberta” – que no dia 31 deu lugar a “Pulsos” (mantendo o microfone giratório). De resto, praticamente tudo mudou: a ordem do setlist, a formação da banda, o telão (que agora dá lugar a um belíssimo cenário desenhado por Eva Uviedo) e a disposição dos instrumentos no palco.

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Foto: dia 30, por Taty Larrubia

Já comentei aqui inúmeras vezes sobre a mudança que ocorre nos arranjos das canções, mas dessa vez Pitty resolveu cavar mais fundo e apresentar suas composições da forma como elas vieram ao mundo: no violão. “Teto de Vidro” e “Temporal” estão entre as escolhidas. No set acústico – que pra mim é um dos pontos altos dessa turnê – ainda ouvimos “Dançando” (Agridoce), “Ovelha Negra” (Rita Lee, no dia 30), e “Bom Brasileiro” (Cachorro Grande, no dia 31). É preciso bastante segurança no que está propondo pra não arriscar esfriar um show com uma rodinha de violão. E não esfria. Mesmo. Também tem que ter segurança (e ousadia) pra inverter a ordem que os fãs estão habituados: lançar disco -> sair em turnê. “Como assim lançar música em show?”; “Como assim avisar o nome da turnê em um show?”; “Mas não vai ter disco?”; “Quando sai o disco?”; Cadê o disco?”; “Em 2007 tu fez diferente – inclusive ensinou a cantar “Pulsos” antes da gravação do DVD!”. Pois é, em 2007. É comum do ser humano se apegar a algo e querer que seja assim sempre. A gente se acorrenta a ideias e nem percebe que está fazendo isso (escrevi algo nessa linha quando Pitty participou do Sambabook do Martinho da Vila, em 2013, tem nos arquivos do blog), mas faz. Felizmente, Pitty resolveu enfrentar essas ideias e quebrar esses formatos.

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Foto: dia 31, por Taty Larrubia

Particularmente, acho um privilégio ver uma turnê como Matriz na estrada, com uma artista desconstruindo suas certezas e mostrando que o rock, enquanto gênero musical, não é algo fechado e acabado. E mais do que isso: que é possível reivindicar diferentes gêneros musicais pra constituir um álbum – e também uma carreira artística. Me soa absolutamente natural Pitty, que já nos deu tantas pistas de sua bagagem musical, finalmente acionar contextos e influências de gêneros como reggae, dub, rocksteady, juntando com punk, hardcore, utilizando bases eletrônicas, saindo do cercado rotulado como puramente “rock’n’roll”. Afinal, o que é puro? E o que é rock? E por que tem que ser puro?

Todas essas questões fazem com que Pitty se renove não apenas estética e musicalmente, mas também corporalmente no palco. Todos temos um repertório, uma memória corporal, mas Pitty não encena seu arquivo turnê após turnê, como a maioria dos artistas de rock fazem. Pra cantar (a maravilhosa) “Te Conecta” é necessário um abandono da postura agressiva do rock; e é diferente cantar/gritar “Temporal” tocando uma SG preta e cantar “Temporal” somente acompanhada de violão.

Matriz é uma visita guiada à guria que compôs um monte de hits nacionais num quartinho em Salvador/BA. É uma ponte entre o passado e o que ainda vai surgir no futuro, não esquecendo de aproveitar o agora, esse momento tão precioso de reconhecimento e reflexão.

A turnê ta aí, acabou de começar. Pitty é uma artista de palco – pareço um papagaio sequelado repetindo isso há anos, mas Pitty é uma artista de p-a-l-c-o. Tem gente que manda bem nos clipes, no estúdio, mas não funciona no palco. Pitty tem ótimos clipes, grava ótimos discos, mas funciona infinitamente melhor no palco. “Contramão” ao vivo fica imbatível. Sério. Vá ver. Ta rolando shows pelo Brasil inteiro. As próximas datas você pode conferir aqui.

(Mais fotos dos shows no Opinião, por Taty Larrubia: dia 30 e dia 31).

 

O primeiro domingo de julho ficou marcado pelo encontro de diferentes gerações do rock gaúcho num local já repleto de histórias: o auditório Araújo Vianna.

Foram 8 horas de muita música e celebração com bandas e artistas consagrados na cena: Taranatiriça, Julio Reny & Os Irish Boys, Defalla, Tenente Cascavel (com integrantes das bandas TNT e Os Cascavelletes), Claudio Veracruz (Bixo da Seda), King Jim (Garotos da Rua), Zé Flávio (Almôndegas), Cokeyne Bluesman, Egisto dal Santo, entre outros.

Entre as bandas da nova cena, selecionadas em um edital, estavam Jota Emme Electroacústico, Le Batilli, Radio Russa, Piratas do Porto, O Mensageiro, Quem é Você Alice?, Adrielle Gauer e Matéria Plástica.  Todas as bandas foram apadrinhadas por algum músico da “velha guarda”, que fez uma participação especial durante os respectivos shows. Por exemplo, Biba Meira tocou bateria durante a canção “Sobre Amanhã”, do Defalla, em uma versão feita por Adrielle Gauer.

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Tenente Cascavel era uma das bandas mais aguardadas do festival (Foto: Carol Govari Nunes)

A plateia, composta em sua grande maioria por adultos, se mostrou muito mais animada durantes os shows de Julio Reny & Os Irish Boys, Taranatiriça e Tenente Cascavel.

Além das atrações musicais, o festival também homenageou nomes importantes para o rock gaúcho, como a produtora Cida Pimentel, atuante na cena desde a década de 1980 e que ajudou a impulsionar bandas como Garotos da Rua, TNT, Os Cascavelletes e Cachorro Grande, e o produtor musical Reinaldo Barriga, responsável pela produção dos primeiros discos das bandas que participaram da coletânea Rock Grande do Sul, lançada em 1986 pelo selo Pug-RCA, que levou o rock gaúcho para todo o Brasil.

Essa promete ser somente a primeira edição do festival. Os organizadores garantiram, ao final da noite, que em 2019 acontecerá uma segunda edição. Fiquemos no aguardo.