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Carol Govari Nunes@carolgnunes

Para iniciar 2014 a todo vapor, o Cascadura – uma das bandas mais importantes do cenário da Bahia nos últimos anos – realiza mais uma edição do projeto batizado Sanguinho Novo. Além de entreter e levar música de graça para a população, o Cascadura transmite a importância do ato de doar sangue em todo o material gráfico do evento, nas entrevistas, no seu blog e vestindo a camisa da causa. Baseado nas ideias de renovação, circulação, troca e parceria, o Sanguinho Novo assume a atitude de compartilhamento tanto no viés artístico quanto no social. Por e-mail, o vocalista e guitarrista Fábio Cascadura nos contou um pouco sobre o projeto. Confere aí:

The Backstage: Sobre o Sanguinho Novo, o que mudou da edição de 2011 pra cá?

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Cascadura na edição do projeto Sanguinho Novo em 2011 (Foto: Leo Monteiro)

Fábio Cascadura: Em 2011 realizamos a segunda edição do evento. Naquela ocasião, tínhamos algumas coisas que nos ajudaram bastante: estávamos em estúdio, em pleno processo de gestação do disco “Aleluia”; as canções estavam ainda no estágio de gravação e isso dava um frescor a mais para aquela temporada; tudo era curiosidade – a ocasião subimos ao palco com o embrião da formação que temos hoje: sem percussão, mas já com o Du Txai na guitarra (que estreou no Cascadura, bem naquele momento) e ainda com André T e Jô Estrada, nossos produtores… Foi importante tocar com aquela formação para apresentar aquele repertório que hoje é bem conhecido do pessoal todo (o “Aleluia” acabou sendo indicado a Melhor Disco no VMB 2012 e ganhou o Prêmio Dynamite 2013 de Melhor Álbum Pop). Para nossa satisfação, tudo deu muito certo! Foram quatro fins de tarde memoráveis, com muita gente legal indo conferir… Foi uma celebração inesquecível! Queremos mesmo repetir essa dose de emoção no calor do Verão baiano 2014!

TB: Em que ano vocês tiveram a iniciativa de montar essa parceria? Como foi esse início?

FC: A primeira edição foi meio de improviso, num momento de muitas ideias. Era o tempo da Turnê Bogary, tínhamos muitas ideias, todo momento… Essa veio num papo, dentro de um carro, entre eu, Thiago (baterista) e o Dimitri, que era o nosso produtor. Nós comentávamos sobre o grande numero de e-mails que vínhamos recebendo solicitando doação de sangue para alguém que era conhecido de alguém. Sabe? Então pensamos num modo de colaborar com a divulgação dessa necessidade. Eu já era doador de sangue. Procuro doar com alguma frequência. Mas precisávamos de alguma ação mais efetiva para ajudar na conscientização. Daí veio a ideia do projeto Sanguinho Novo.

TB: Esse ano vai ter o stand do HEMOBA?

FC: Nosso menager, Ricardo Rosa, é o Coordenador Geral do projeto nessa edição e está conversando com o pessoal do HEMOBA para vermos o que será possível termos lá. Já é muito importante darmos atenção à matéria. Fazer com que esse tema apareça na agenda das pessoas durante um período que foca mais na festa, badalação e tal… O exercício de debate em torno da consciência para ações como doação de sangue, reciclagem de lixo, cuidados com o meio ambiente, etc, deve ser constante.

TB: Acredito ser meio óbvio, mas qual a importância de um projeto desses em Salvador?

FC: O Verão em Salvador é bem especial. A cidade ganha muita atenção de fora. Mesmo num momento delicado, difícil como o que vivemos agora, com a cidade sob uma convulsão urbana tremenda, quando chega o Verão, ela parece ficar ainda mais interessante. Há uma confluência enorme de pessoas de todo canto que vem pra cá atrás desse clima… Assim, um projeto que propõe apresentar a música de gente que trabalha o ano inteiro na cidade e por ela, e ainda quer falar de um tema importante como o da doação voluntária de sangue é algo muito relevante, ao meu modo de ver. Ainda, com esse crescimento populacional momentâneo na cidade durante a estação, há aumento da necessidade de sangue para transfusões nos postos de saúde e hospitais. Esse é mais um dado que precisa ser levado em consideração.

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TB: Quais as informações que o público deve saber sobre esses shows de 2014?

FC: Acho que cada edição reflete um momento especial. Em 2011 tivemos a honra de contar com parceiros artistas muito incríveis – Maglore, Dub Stereo, Vendo 147 e Velotroz, são realidades muito expressivas no contexto artístico da Bahia, seja por suas obras e atuações no cenário local e nacional, seja pelo desdobramento de sua produção em outros projetos. Esses artistas refletiam o que vinha sendo mais celebrado como novidade, naquele instante, e se afirmaram, por seus próprios méritos, como grandes artistas da Bahia. Os shows foram incríveis! Marcou aquele Verão! Essa edição de 2014 trará gente que cremos estar em consonância com o projeto e o momento da música na Bahia: Clube de Patifes, de Feira de Santana/BA e Falsos Modernos. A primeira tem 15 anos de carreira e é um importante representante da cena no interior do Estado, sendo responsável pelo surgimento e fortalecimento de um novo contexto de produção cultural no eixo Feira de Santana/Camaçari. Acho que essa produção do interior da Bahia foi um grande destaque de 2013 e cremos que com a Clube de Patifes teremos uma representação a altura desse momento bacana. Além disso, eles estão lançando um novo trabalho, acústico. Eu até participei! É bacana! Já a Falsos Modernos é uma banda que vem revigorar o panorama de Salvador. São músicos experimentados, mostrando uma nova possibilidade para a cidade. Gostamos da rapaziada e pomos a maior fé neles. Vai ser lindo.

Bom, nós do Cascadura poremos o melhor de nós no palco. Afinal, é o que fazemos: tocar nossa música! Vai ter de tudo um pouco e espero ainda um pouco mais de tudo… Vamos aguardar que aquela moçada apareça para cantar, curtir e celebrar, na paz! (Fábio Cascadura)

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Capa do EP “Brinquedo” (Divulgação)

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Dia desses chegou ao e-mail do blog um realese da banda Callangazoo. Eu até tinha visto alguns amigos divulgando no facebook, porém, nem sempre a gente consegue ouvir todas as indicações que tem por aí. Mas como eles haviam enviado pra gente, resolvi escutar. Geralmente recebemos coisas muito boas por e-mail e até fazemos amigos, promoções de CD’s e contatos interessantes, e a banda Callangazoo foi uma dessas coisas boas que chegaram até nós. No início, senti um pouco de estranhamento com o som, já que há mistura de influências e harmonias experimentais que diferem bastante das tradicionais que escutamos por aí, mas o som é interessantíssimo.

Formada às vésperas de um carnaval em 2011, a Callangazoo lançou há pouco o segundo EP intitulado “Brinquedo”. No próximo sábado, 25, durante o show da banda no Teatro Gamboa Nova (Salvador/BA), ocorre a primeira exibição do clipe da música que deu nome ao EP.

Com Cebola Pessoa no vocal e guitarra, Bob Nunes no baixo e vocal, Andel Falcão na guitarra e Leo Abreu na bateria, a banda já tinha lançado o primeiro EP homônimo em 2012 e, desde então, apresenta canções atemporais e irreverentes que flertam com os horizontes expansivos e comportamentais do rock nacional. Por e-mail, o vocalista e guitarrista Cebola conversou com o The Backstage e contou que, em 2012, após o lançamento do primeiro EP, eles montaram um show e começaram a apresentar as músicas em Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista.

Com arranjos que diferem bastante entre si, Cebola disse que “em geral o primeiro contato com as músicas se dá dentro do estúdio, momento em que elas são apresentadas já para serem lapidadas por todos de maneira livre e complementar”. O vocalista também comentou que eles buscam dialogar diversos gêneros, estilos e ritmos dentro de uma mesma canção, o que percebemos claramente em “Brinquedo” e “A viagem do Callangazoo”.

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A banda formada em 2011 já tem 2 EP’s e pretende lançar um disco em seguida (Foto: Patty Arruda)

Esse processo experimental  é derivado de um amadurecimento musical que os integrantes trazem como bagagem de outras bandas: antes Cebola cantava nos Truanescos, o baixista Bob Nunes tocou com a Dellas Frias, Andel Falcão tocou guitarra com os Pangenianos e o baterista Leo Abreu já tocou com a Matiz e Enquanto isso… (atualmente também toca com a Falsos Modernos). Em comum, eles têm o hábito de gostar de música sem fronteiras de estilo, gênero ou ritmo e consequentemente trazer isso à maneira de tocar, inspirados especialmente pelo som de alguns grupos do rock nacional, como Secos e Molhados, Mutantes e Tutti Frutti.

O músico comentou que após fazer circular o segundo EP pelos centros consumidores de música independente, eles pretendem iniciar a pré-produção do primeiro disco, ou seja, vem mais coisa por aí.

Você pode baixar o EP completo aqui.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Com 20 anos de estrada e 4 discos na bagagem, o Cascadura lançou na última terça-feira, dia 8, seu mais novo álbum intitulado “Aleluia”, o 5º da carreira. Com 22 faixas (disco duplo), “Aleluia”, assim como “Bogary” (2006), foi produzido por André t no Estúdio T, em Salvador/BA. A coprodução ficou por conta de Jô Estrada, que também aparece nas guitarras, vocais e violões. Para quem não sabe, a produção do “Aleluia” conta com um financiamento conquistado através do edital “Apoio à Produção de Conteúdo em Música”, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Durante toda a produção (de maio de 2010 a fevereiro de 2012) a banda atualizou o blog “A ponte”, contando histórias, lançando single, disponibilizando letras e assuntos relacionados ao disco. Atualmente o Cascadura é composto por Fábio Cascadura e Thiago Trad, dupla a frente da banda há 10 anos. Pela formação já passaram diversos músicos, inclusive Paulinho Oliveira e Ivan Oliveira, os quais estão na atual formação, além do guitarrista Du Txai.

Foto de divulgação por Ricardo Ferro

Todo com referência à cidade de Salvador, o disco conta com muitas participações especiais: Mauro Pithon, Jajá Cardoso, Beto Bruno, Ronei Jorge, Jorge Solovera e Pitty, só para citar alguns. O álbum inova o cenário musical da atualidade com harmonias, percussões, timbres, vocais e ritmos diferentes, mostrando – perdoem a paráfrase do clichê – o que de melhor a Bahia tem.

Abrindo com a faixa-título “Aleluia” (composta por Fábio e Candido Sotto, ex-integrante da banda) o disco narra uma história incrível nas 21 faixas seguintes. Músicas como “Soteropolitana”, “A mulher de Roxo”, “Chorosa”, “Um engolindo o outro”, “Resumindo” e “O Cordeiro” são exemplos da diversidade musical presente nessa compilação. Chegando ao final do disco temos uma composição feita pelo quarteto responsável pela produção: “Cantem Aleluia!” é de Fábio, Thiago Trad, Jô Estrada e André t.

As letras falam sobre o tempo, pessoas, descobrimento, reis, sentimentos, figuras lendárias, gírias, religiões. Brancos, índios, negros, africanos, espanhóis, baianos, portugueses, seres humanos: todos representados em “Aleluia”.

Batuques africanos misturados com guitarras pesadas, sintetizadores misturados com violões, atabaques misturados com piano elétrico, vocais gospel misturados com berimbau e tudo isso misturado com rock’n’roll resulta em um dos mais belos discos que já chegaram aos meus ouvidos.

Fábio Cascadura é um dos letristas/compositores mais geniais do cenário musical e o “Aleluia” veio para ratificar que o Cascadura não é só uma das bandas mais importantes da Bahia, mas  também uma das mais importantes do país.

O disco está todo para download no site da banda. No Facebook você também pode baixar, ouvir, compartilhar, correr pro abraço, ser instigado, feliz.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

2012 começou agradavelmente promissor em relação ao rock nacional com o disco “O Pensamento é um ímã”, da banda Vivendo do Ócio. Com Jajá Cardoso no vocal/guitarra, Davide Bori na guitarra, Luca Bori no baixo/vocal e Dieguito Reis na bateria, o quinteto baiano vem se destacando desde que ganhou a “Aposta MTV”, em 2009.

Para dar vida às músicas que já estão fazendo sucesso desde que a banda disponibilizou o álbum para audição no Facebook, os músicos se dividiram entre os Estúdios Costella (de Chuck Hipolitho – você pode reler uma entrevista com ele aqui) e Tambor (no Rio de Janeiro, do produtor Rafael Ramos). Com 11 músicas no CD, a faixa que claramente tem se destacado é “Nostalgia”, música composta pela banda em parceria com Pablo Dominguez e gravada com participação de Pitty nos vocalizes durante o refrão e Martin na guitarra (você pode reler a entrevista com o Agridoce aqui).

O show de lançamento do disco acontece dia 16/02 no Beco 203, em São Paulo.  Por e-mail, Jajá Cardoso conversou com o The Backstage e o papo você confere a seguir:

Capa do disco - Divulgação

The Backstage – Como foi o processo de composição do disco “O pensamento é um ímã”? Foi diferente do “Nem sempre tão normal”?

Jajá Cardoso – Completamente diferente, a maioria das músicas do “Nem Sempre Tão Normal” foram compostas em 2006/2007, de lá pra cá muita coisa aconteceu, crescemos em todos os sentidos e passamos a morar juntos, esse último fator é o mais importante na composição, porque a música se tornou ainda mais coletiva. Também passamos uma época em Morro de São Paulo (BA), é um pedaço de paraíso e fizemos muitas músicas lá e isso fica explicito nas novas composições, essa mistura da nossa vida urbana com as férias no litoral.

TB – Quanto à produção/gravação, sabemos que o disco é produzido por Chuck Hipolitho e Rafael Ramos. Vocês se dividiram entre SP e RJ, ou como foi durante esse tempo?

 JC – Começamos gravando em Sampa no estúdio Costella e terminamos no Tambor (RJ). Foi uma ótima experiência pra todo mundo, Chuck e Rafael são caras bem diferentes um do outro, mas com ideias que combinam muito bem. Essa parceria rendeu bastante, estamos muito felizes com o resultado final do disco.

TB – Vocês vivem juntos em SP desde que saíram da Bahia. É uma característica comum no mundo dos novos músicos, várias bandas acabam saindo de sua cidade natal e se firmando em SP. A banda morar junta influencia na hora de compor, ou funciona cada um na sua?

JC – Influencia bastante, hoje fazemos as músicas de uma forma mais coletiva e isso é muito bom porque a música ganha mais identidade.

A banda faz o show de lançamento do disco no dia 16 de fevereiro, em São Paulo (Foto: divulgação)

TB – Vocês já tocaram na Inglaterra, Holanda e Itália e gravaram clipes nessas viagens. Como é a recepção do público fora do Brasil?

JC – A recepção é muito boa, curtimos muito tocar lá, o público foi aberto e participativo. Esperamos voltar muitas e muitas vezes.

TB – A Bahia tem uma cena rock’n’roll incrivelmente rica, porém, não aparece muito na mídia. Tu tem alguma ideia do por que disso? Cultura local, talvez. Sair de Salvador foi ponto chave pra vocês conseguirem engatar a carreira?

 JC – Sem dúvida, a cultura local é o maior fator, isso gera naturalmente menos espaço para os “artistas alternativos”. A mudança pra Sampa foi crucial pro crescimento do nosso trabalho, as coisas acontecem mais rápido, tem muito mais espaço e contatos, em Salvador chegaria um momento que não teríamos mais o que fazer e não teria mais lugar pra tocar, então, ter nossa base em SP e fazer alguns shows no ano por lá é muito mais produtivo pra nós.

TB – “Nostalgia” dói no peito de qualquer pessoa que esteja longe de casa – é impossível não se identificar. A música fala por si, mas pode nos contar um pouco sobre ela?

JC – Foi a última música a entrar, a lista do disco já estava pronta quando um dia nosso amigo Pablo Dominguez veio nos visitar e fazendo uma jam session saiu essa música. Gravamos uma pré-produção, curtimos e mandamos para os nossos produtores Rafael e Chuck, eles ouviram e disseram que essa música tinha que entrar no disco de qualquer jeito, que talvez a gente nem tivesse noção da força que ela tem. E foi uma decisão muito certa, é uma música que está na lista das preferidas de todo mundo que escuta.

TB – “O pensamento é um ímã” acaba trazendo à tona a “Lei da Atração”. É isso mesmo que o nome do disco quer representar?

JC – Isso mesmo. O que acontece na sua vida é reflexo do que se passa com sua mente. Se canalizar sua energia e pensamentos para certo intuito é justamente o que vai ter em troca, cedo ou tarde.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O Bestiário faz parte das novas bandas baianas com músicos antigos da cena local (Foto: Frito)

Bestiário é uma banda baiana formada por Mauro Pithon – vocal; Apu Tude – guitarra; Emanuel Venâncio – bateria; Wallie Beerman – guitarra e CH Straatmann (que gravou os baixos), mas ao vivo quem fica com a posição é Nuno Norris.

Os músicos, que lançaram há pouco o disco virtual no hotsite da banda, são ex-membros da Úteros Em Fúria (lendária banda baiana dos anos 90), Sangria e Veuliah. Por e-mail, Mauro Pithon contou que o Bestiário surgiu logo após o final da Sangria, quando ele, Apu e Emanuel queriam continuar tocando. Aí foi chamar os músicos que queriam fazer parte do projeto e ir para estúdio conceber as músicas. Os guitarristas Apu e Wallie levavam as músicas pré-definidas para os ensaios e lá todos os integrantes da banda opinavam e chegavam às conclusões. Mauro sempre carregava junto um gravador portátil e depois que chegavam em casa é que as letras apareciam, falando basicamente “sobre a terrível certeza que todos nós temos quando nascemos, a morte. Através da violência por terceiros ou por si próprio”, disse o vocalista.

Um fato interessante é que André t, que já produziu Pitty, Cascadura, Nancy Viégas e Retrofoguetes foi quem se ofereceu para produzir o disco. Nas horas vagas, o produtor costuma gravar artistas com os quais simpatiza e que não têm condições de pagar os períodos de gravação, aí então os músicos do Bestiário foram com todas as músicas arranjadas para o estúdio de André t, onde Emanuel Venâncio gravou a bateria em apenas um dia, em 2009. CH, que gravou o baixo, também gravou em apenas um dia, alguns meses após Emanuel. Apu e Wallie (que também é guitarrista dos Mizeravão) gravaram as guitarras durante dois dias no início do ano passado, e Mauro gravou as vozes em janeiro deste ano. Quem também participou das gravações do Bestiário foi Fernanda Monteiro (Dois em Um), que gravou o violoncelo da música “Morfina”, e Fernanda também fez isso muito rápido, em apenas duas horas.

André T conseguiu de maneira brilhante e heróica entregar o disco masterizado em nossas mãos em abril de 2011. E o disco saiu com um resultado como queríamos. Denso, pesado, sombrio, nervoso, mas muito divertido. Quem ouvir alto vai entender o que eu digo. (Mauro Pithon)

Capa do disco. Arte por Sergio Franco Filho e tratamento adicional por Wendell Fernandes. Conceito: Mauro Pithon

Como eu citei no primeiro parágrafo, o disco do Bestiário está disponível com uma ótima qualidade no hotsite da banda. Além das músicas, o download também vem com a capa do disco e as letras. Sobre os shows, Mauro disse que eles estão aprontando e divulgando por todos os lugares possíveis. O único que gravou e não vai tocar nos shows é CH Straatmann (o músico toca no Retrofoguetes), mas no lugar dele quem entra é o baixista português Nuno Norris.

Dentro do disco há regravações da época da Sangria: “Morfina”, “Barbárie”, “Hospício Azul do Sol Poente” e “Náusea”, e a respeito disso o vocalista comentou o seguinte: “Essas são as músicas que mais se parecem com o som do Bestiário e que sempre quisemos gravá-las com ótima qualidade. Então fizemos alguns ajustes, inclusive na melodia e letra de “Náusea” e “Barbárie”. Contamos com arranjos fabulosos de Violoncelo gravados por Fernanda Monteiro do dueto Dois em um na música “Morfina”. Enfim fizemos novas versões de músicas que nós gostávamos e que queríamos continuar tocando”.

Mauro adianta que a banda já tem algumas músicas novas, mas por enquanto elas ficam apenas no projeto.

- Estou planejando filmar mais um clipe até final de 2011, conclui o vocalista, que dirigiu o clipe da música “Cadafalso”, lançado em maio e editado por ele e Maurício Caires.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

“Glauber Guimarães, Jorge Solovera, Ricardo Alves, Heitor Dantas e Tadeu Mascarenhas, cansados da vida de modelo e atriz, unem-se para fazer boa música. Livre como a vida deve ser, o Teclas Pretas é um conjunto musical de boa índole. E isso é tudo que você precisa saber. No mais, tire suas próprias conclusões. E boa sorte, que nunca é demais…”

É assim que a banda se define na página da Trama Virtual. Atualmente contando com dois integrantes, o Teclas Pretas é metade Glauber Guimarães (Ex-Dead Billies: infos e discografia aqui) e Jorge Solovera (produtor, engenheiro de som, músico, arranjador). Lançado esse ano, o álbum “2005/2011″ reúne músicas de todos esses anos de trabalho, além de uma inédita. E é sobre isso que Glauber Guimarães conversou com o The Backstage:

Glauber Guimarães é 50% da banda Teclas Pretas (Foto: divulgação)

The Backstage: A banda já teve mais integrantes, né? Originalmente ela começou quando?

Glauber Guimarães: O teclas pretas começou em 2005 como um coletivo. Eu, Jorge Solovera, Heitor Dantas, Ricardo Alves e Tadeu Mascarenhas. Todos compuseram e revezaram instrumentos. O disco chama-se “Oolalaquizila” [jan/2006] e pode ser baixado aqui.

TB:  Quando tu e Jorge resolveram seguir em frente? Quais foram as principais mudanças nesse trajeto?

GG: Na verdade em janeiro de 2009, decidimos seguir como uma dupla, compondo juntos e dividindo as ideias, arranjos etc. Os outros três partiram para outros projetos [Demoiselle, os "estudos azedos" de Heitor, Radiola...]. Solovera, Tadeu, Ricardo e Heitor também produzem gravações de outras bandas.

TB: No disco dá para perceber muita influência psicodélica do final dos anos 60. Isso é de 2005 para cá ou os ex-integrantes também tinham essa influência?

GG: Todos têm, mas creio que eu seja o cara que mais ouve late 60s psychedelia. Principalmente inglesa. Mas também ouço Zappa, Chrysalis, bandas americanas desse período. E os Mutantes, claro. Beatles é certamente a grande influência em comum. Além disso, ouço muito Elliott Smith, Malkmus, Wilco, Beck…

TB: O 2005/2011 é produção desses 6 anos? Qual foi o período de mais trampo mesmo?

GG: A gente foi gravando ao longo desse período e lançando eps ["e se...", "oroboro", "nó dos mais gravatas", "vaudevida"]. O 2005/2011 é uma compilação desses eps + algo inédito, como “ópera sabonete”, e fecha um ciclo. Agora começa uma outra fase: Solovera gravando em salvador e eu em São Paulo. Até fim do ano, sai mais umas coisas e tal… Recebo sempre elogios e mensagens como se o Teclas fosse algo só meu, mas não é. Somos uma dupla mesmo. Sem Solovera, não existiria Teclas Pretas.

TB: E a mudança para São Paulo? Tu tá há quanto tempo aí? 

GG: Muito pouco tempo, um mês. Sinto mesmo que aqui é meu lugar, não necessariamente pelo circuito de rock, mas pela cidade mesmo. Me sinto muito à vontade aqui. Em casa.

Capa do disco "2005/2011"

TB: As coisas funcionam melhor aí do que em Salvador ou as dificuldades de músicos independentes são as mesmas em qualquer lugar?

GG: No Brasil, basicamente as mesmas. É preciso haver um caminho do meio por aqui. O mercado precisa amadurecer. Os artistas já estão avançando um bocado, criativa e estruturalmente. É preciso que se exista para além da grande mídia, da MTV, do entediante jornalismo cultural [salvo exceções], do jabá etc etc. Entremos de vez no século 21.

TB: Tu já tocou vários estilos de música. Quais teus artistas favoritos? O que tu tem ouvido ultimamente?

GG: Wilco, Elliott Smith, Ivan Lins [1974/78], Floyd, música cigana, música judaica tradicional, Django Reinhardt, Pélico, Chico, Caetano, Nirvana, muita coisa… Beatles e os discos solo dos Beatles, sempre.

Além do Teclas Pretas, Solovera também produz gravações de outras bandas (Foto: divulgação)

TB: No The Backstage a gente costuma perguntar sempre sobre o meio online para trabalhar. E para ti, como músico, que tocou nos anos 90, onde a divulgação devia ser bem diferente de agora, como é lidar com essa instantaneidade?

GG: Acho a diversidade uma beleza. A rapidez também. O que os colecionadores de vinil fazem na rede, postando discos fora de catálogo [vinyl rips], como no caso do “loronix”, é importantíssimo.

TB:Quais as ferramentas que o Teclas Pretas usa?

GG: Coloquei as músicas no myspace mesmo. Quero cuidar mais do reverbnation ou similar… E no facebook também vou espalhando o que fazemos.

TB: Novidades? Clipes? Projetos?

GG: O Teclas Pretas continua. Temos, eu e Solovera, outras músicas importantes pra gravar. Mas agora tô gravando duas músicas que fiz com Murilo Goodgroves [também de salvador e morando aqui há mais tempo]. Elas falam de São Paulo e de ser forasteiro residente em São Paulo. É um lance à parte e tá ficando lindão…Em breve, coloco na rede. É isso: wim wenders e aprendenders. Abración!

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A música representa um imaginado ato de contrição de Cristóvão Colombo (Foto: Fábio Cascadura, em Buenos Aires)

No primeiro minuto do dia 18 de julho o Cascadura disponibilizou em seu site a música “Colombo”, primeiro single do disco “Aleluia”, que deve ter seu lançamento virtual lá por setembro. Para quem não sabe, o “Aleluia” será um disco duplo com 22 músicas e produzido por andré t, mesmo produtor do “Bogary”, um dos maiores discos de rock dos anos 2000.

Além de Fábio Cascadura (voz, vocais), Thiago Trad (bateria, tambor mourisco, tarol medieval), andré t (baixo, piano elétrico) e Jô Estrada (guitarras), “Colombo” conta com a participação especial de Siba Veloso na rabeca.

Quem estava preocupado que nada ultrapassaria o “Efeito Bogary” já pode relaxar: “Colombo” dá pistas de que o “Aleluia” vai ser tão genial quanto o disco anterior.

A música está entre uma das 50 concorrentes do IX Festival de Música Educadora FM, e pode ser votada através do link http://www.irdeb.ba.gov.br/festivaleducadora/

Você lê outras muitas informações sobre o single/produção do disco aqui, e ainda pode ouvir e fazer o download da música.

PS: Fábio Cascadura compôs com Thedy Correa e gravou os vocais da música “Pequena”, da banda gaúcha Nenhum de Nós. O disco foi lançado em abril e está disponível para audição no site da banda.