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Carol Govari Nunes@carolgnunes

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O final de ano da banda de rock Bidê ou Balde está sendo de um ineditismo inédito: entre este final de novembro e começo de dezembro está rolando a sua primeira turnê internacional, com shows no Uruguai, Argentina e Peru. No último final de semana que passou a Bidê encantou nossos hermanos em Montevidéu e Buenos Aires, e nem deu tempo de desfazer as malas para as próximas peripécias. Olha aí a primeira agenda com DDI dos Bidê:

21/11, sexta-feira (já ocorrido)

El Living

Montevidéu (Uruguai)

23/11, domingo (já ocorrido)

Festival Nuestro – Estadio del Bicentenario

Buenos Aires (Argentina)

29/11, sábado

Feira Binacional Brasil-Uruguai do Livro

Jaguarão (Brasil)

5/12, sexta-feira

Cocodrilo Verde – Miraflores

Lima (Peru)

6/12, sábado

II Festival Peru + Brasil – Asociacón Guadalupana

Lima (Peru)

Em Jaguarão (na Feira Binacional do Livro) e no Peru (no Festival Peru+Brasil) haverá também o lançamento internacional do livro “Uns Troço do Só Mascarenhas”, escrito pelo vocalista da Bidê, Carlinhos Carneiro, e recentemente lançado, com estrondoso sucesso, na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, com direito a show histórico da BoB para uma multidão ensandecida que lotava a praça da Feira.

Nesse período a banda também vai estar finalizando seu novo álbum, repleto de participações especiais, encontros inesperados e novidades chocantes, misturando e pondo pra fora de forma musical, um reflexo dessa fase alto astral, criativa e cheia de premiéres que a Bidê está vivendo.

Outra informação importante é: depois do sucesso na Feira do Livro, é chegada a hora do lançamento do livro “Uns Troço do Só Mascarenhas”, psicografado por Carlinhos Carneiro e ilustrado por Carla Barth, na Livraria Cultura (em Porto Alegre), dia 1º de Dezembro. Cola lá!

PS: em respeito à Ame o rock!, que alinha todos os seus textos à direita, o The Backstage também deixa esses bonitos caracteres alinhados dessa forma :)

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A música do dia vem direto de 2002, do álbum “Outubro ou nada”, da banda Bidê ou Balde. Com essa chuvinha, quem é que quer sair da cama? A letra da música é praticamente minha biografia: “E eu sempre acordo tarde, então não me chama / que tal passa a vida inteira dormindo mais que a cama?”. Ultimamente tenho sido uma pessoa mais diurna, mas durante muitos anos cultivei o (feliz) hábito de dormir até (bem) tarde – com chuva ou sem chuva.

A música cita o clima inglês e é completada pela coerência presente nas letras de todos os álbuns da Bidê ou Balde. Aliás, me identifico muito com o “Outubro ou nada”. “O antipático”, por exemplo, com sua agradável melodia e afetuosa letra dizendo “Eu não vou ficar sorrindo só pra ganhar a sua atenção / pare de tentar vencer do jeito mais prático” sempre disse muito sobre minha discreta personalidade.

Na verdade, minha identificação com a Bidê ou Balde vem desde “Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor”, de 2000, até “Eles são assim. E assim por diante”, de 2012. Já falei isso aqui umas mil vezes, mas em dias tão chatos do politicamente correto, de mensagens melosas, harmonias batidas, bandas palatáveis e completamente sem irreverência, letras que rimam “conselho” com “joelho” (ouça “Não adianta chorar”) são sempre bem vindas.

“Hollywood”, “É preciso dar vazão aos sentimentos”, “Back to quinze”, “Senhor promotor”, “Madonna”, “Lucinha”, “A-há”, “Tudo é preza”, “Coisinhas nojentas de amor”, “(Eu te amo) Lucinda” são as que me vem na cabeça, agora. Então a “música do dia” praticamente passou a ser a “banda do dia”, mas foi impossível colocar pra tocar só “Adoro quando chove”, a discografia inteira veio de brinde. É que hoje acordei meio Bidê ou Balde.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O último final de semana foi agitado por dois shows de rock em Frederico Westphalen. Aconteceu na Ecco Eventos o Green Festival, que trouxe duas conhecidas bandas gaúchas: Tequila Baby e Bidê ou Balde.

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Divulgando seu último disco, a Bidê ou Balde passou por Frederico Westphalen no último sábado, 15 (Foto: Carol Govari Nunes)

Freguês da cidade, esse é o terceiro ano consecutivo que a Bidê ou Balde vem se apresentar em Frederico. Por volta das 2h20min do último sábado, 15 (madrugada de domingo), a banda chegou à Ecco Eventos e logo depois iniciou o show que durou mais ou menos uma hora e meia. Antes do show, Carlinhos Carneiro conversou com o The Backstage e contou que a divulgação do novo disco está melhor do que se esperava. Por enquanto, a banda está divulgando o CD intitulado “Eles são assim. E assim por diante” apenas no Rio Grande do Sul, mas em janeiro de 2013 eles já partem para São Paulo fazendo shows com o repertório mais voltado para o novo disco – até o momento, eles ainda intercalam sucessos como “Bromélias”, “Microondas” e “Mesmo que mude” (que ganhou um bônus track lindo no novo disco #ficaadica), além de músicas do EP lançado em 2010.

A parte audiovisual da banda também está a todo vapor: eles estão com o clipe de “Lucinha” quase pronto e no início do próximo ano eles já começam a gravar o clipe de “+Q1 Amigo”. A ideia é emendar outros vários clipes na sequência, mostrando que o quarto disco da banda veio com tudo.

Carlinhos contou que a gravação do “Eles são assim. E assim por diante”, a qual durou mais ou menos um ano e meio, foi bem bizarra: eles gravavam estrofes soltas, refrão por refrão, tudo separado. Desde 2010, a banda gravou umas 24 músicas inéditas e ainda será lançado mais um EP. É a Trilogia BidêouBaldilística: um EP, um CD e outro EP.

De volta à rotina independente, o disco foi produzido pela banda e por Gilberto Ribeiro Junior.

– Trabalhamos muito nesse disco, então valia mais a pena divulgarmos sozinhos. Ficamos um tempo com o Lelê, mas não estava sendo proveitoso nem pra gente, nem pra ele, afirmou o charmoso vocalista.

Outra novidade é que ano que vem um tecladista acompanhará a Bidê ou Balde na turnê do novo disco: Leonardo Bofe entra para a trupe e embeleza ainda mais a presença de palco que observamos no último sábado.

Pra quem ainda não comprou, “Eles são Assim. E assim por diante” está à venda no site da banda. De quebra, sua compra ainda vem com foto autografada, adesivos e você concorre a otras cositas más, ou seja, é uma edição super especial.

Se o mundo não acabar dia 21, esperamos que ano que vem a Bidê ou Balde volte com o show completo do seu novo disco, porque o mundo seguirá assim, e assim por diante.

Outro vídeo do show (+Q1 Amigo) você assiste clicando aqui.
Mais fotos você encontra na fanpage do The Backstage Blog.

Carol Govari Nunes@carolgunes

Repassando um aviso de inegável importância:

No provável último show aberto ao público do Império da Lã no ano, os cavaleiros imperiais decidiram transformar mais uma vez o seu já consagrado “Bailão”, com músicas de Frank Sinatra, Burt Bacharach, Roberto Carlos, Tim Maia, Stevie Wonder, entre outros.., numa verdadeira festa jamaicana, acelerado os “BPMs” das canções e gerando uma catarse e euforia rítmica em arranjos contagiantes e raros de se presenciar ao vivo.

Imagem: divulgação

Vindos dos mais elegantes grupos musicais do estado, os Cavaleiros Imperiais deste espetáculo serão: Carlinhos Carneiro (da Bidê ou Balde), Chico Bretanha (da Groove James), Leonardo Boff (da Funkalister), Sassá (dos Darma Lovers), Marcos Rubenich (dos Walverdes), João Augusto e mais o Fabuloso Naipe de Metais do Império (FNMI), comandado por Rodrigo Siervo (Funkalister/Camerata Brasileira). Mas, sacomé… a emoção bate forte, vai juntando mais e mais gente pra tocar e o Império acaba crescendo e indo além do previamente imaginado… então, só vendo lá na hora o que sai (e o verdadeiro número de músicos no palco)!

Vá pro Ocidente na próxima quinta-feira se despedir do Império em 2011!!!

SERVIÇO:
O QUE – Império da Lã: Bailão Ska
ONDE – OCIDENTE ACÚSTICO – Bar Ocidente – (Av. Osvaldo Aranha, 960, esq. com João Telles), Porto Alegre/RS
QUANDO – Quinta, 01/12/11, 22h
QUANTO – R$20,00

Imagem: divulgação

“Lucinha”, a nova da Bidê ou Balde

Estou inlove com a música nova da Bidê e aproveito para deixar o link aqui para quem quiser ouvir.

“Lucinha, meu tabasco do feriado
Eu te arranjo um namorado
Se tu disser sim
Lucinha,  meu tabasco do feriado
Eu te arranjo um namorado
Se tu quiser.”

É muita poesia.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Em 10 de dezembro de 2010 a Bidê ou Balde lotou a Green Lounge (Foto: Carol Govari Nunes)

Em dezembro de 2010 a Bidê ou Balde tocou na Green Lounge em Frederico Westphalen, e agora na comemoração do segundo aniversário da casa a banda volta para fazer outro show na cidade. Com EP lançado há pouco para dar um gostinho do CD que está por vir, a Bidê reformou o site e lá dá para ouvir todas as músicas do EP. Não dá para baixar, mas na lojinha do Facebook (quero comissão das vendas) o EP tá custando 13 pila (pila de reais, não do guitarrista).

Depois desse show na Green Lounge a banda segue a sua agenda do mês de setembro até que no dia 29 vai rolar no Bar Opinião, em Porto Alegre, a “Discografia Rock Gaúcho” – edição especial de um ano. Dois álbuns clássicos do rock gaúcho executados na íntegra e na ordem. A Bidê toca o “Se Sexo é o que Importa, só o Rock é Sobre Amor”, de 2000, e a outra banda da noite é a Tequila Babycom o disco homônimo, de 1996.

Então o pessoal de Frederico e região já sabe o que fazer dia 16, sexta-feira. O show é na Green Lounge e os ingressos estão custando R$20, 25, e 30.

Se quiser reler a entrevista que o Carlinhos Carneiro, vocalista da Bidê ou Balde, gentilmente concedeu ao The Backstage ano passado, é só clicar aqui.

Carol Govari Nunes – @carolgnunes

Quem esteve na Green Lounge na última sexta-feira conferiu em um clima e temperatura de 666ºC o show da Bidê ou Balde. Com um set list bem elaborado e distribuído, a banda apresentou 22 músicas, incluindo as novas “Me deixa desafinar” e “Tudo é preza”, além de sucessos anteriores, como “Bromélias”, “Melissa”, “Cores bonitas”, “É preciso dar vazão aos sentimentos”, entre outras.

Linha de frente durante o show (Foto: Carol Govari Nunes)

Apesar da temperatura absurdamente elevada na Casa de Shows (devido aos climatizadores estarem desligados por causa do temporal que afetou as redes elétricas de Frederico), o calor não impediu que a banda pulasse de um lado para o outro no palco. O público também não ficou com medo do calor – todos fizeram coro e dançaram durante o show inteiro, fazendo jus ao espírito de qualquer roqueiro que se preze.

Intercalando músicas dos 3 ábuns, a Bidê ou Balde apresentou um show de aproximadamente 01h30min. Alguns covers surgiram no meio das músicas próprias: “Hoje”, do Camisa de Vênus (música que faz parte do disco “É preciso dar vazão aos sentimentos”); “Molly’s lips”, do Nirvana; “Blister in the sun”, do Violent Femmes, e no encerramento do show apareceu um negócio muito louco que foi uma mistura de Nirvana com Jorge Ben.

A interação com o público foi algo que muitos comentaram após a apresentação. Existe uma grande diferença entre músicos que se divertem sozinhos no palco e músicos que se divertem e divertem os que estão assistindo. A plateia ficava ensandecida todas as vezes que o vocalista Carlinhos Carneiro (que me deu uma entrevista aqui) se dirigia a ela, fosse para dar um recado da Casa, dar boa noite, falar do Inter ou do Grêmio ou qualquer coisa que ele pensasse naquele momento.

Laura e Edilson Zanardi puderam ver o show do camarim (Foto: Carol Govari Nunes)

Um fato peculiar que aconteceu neste show foi a vinda de duas pessoas de Araras, interior de São Paulo. A estudante Laura Zanardi, 15 anos, conta que ficouu sabendo do show no site da Bidê ou Balde e convenceu seu pai, o Engenheiro Edilson Zanardi, a trazê-la até Frederico para ver o show da banda. Laura também conta que há mais de 6 anos que ela esperava por esse dia – diz que sempre gostou muito da Bidê. Seu pai também é fã dos músicos. Os dois chegaram em Chapecó (SC) por volta da 1h da manhã da sexta-feira, dia 10, conheceram a cidade, alugaram um carro para se dirigir até Frederico Westphalen, chegando às 16h30min na cidade. Eles tiveram a oportunidade de conversar com a banda no micro-ônibus e conferir o show do camarim que a Green Lounge oferece aos músicos.

Por e-mail, Edilson me contou que eles chegaram em Chapecó 30 minutos antes do voo e não queriam deixar que eles embarcassem por causa da chuva. Depois de muita insistência, ele e a filha embarcaram num voo até Floripa e depois em outro até São Paulo (com duas horas de atraso). O resultado foi que eles passaram mais de 30 horas sem dormir. Mas nada disso abalou o engenheiro, que finalizou o email com um “espero vê-los num próximo show”. É o rock, né.

Se liga no vídeo de “Tudo Bem”, gravado aqui em Frederico Westphalen:

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Na última sexta-feira, dia 10, a Bidê ou Balde esteve em Frederico Westphalen apresentando seus antigos e novos sucessos. Por volta das 23h30min da mesma sexta-feira, Chico Bretanha, produtor da banda, entrou em contato comigo (quase que por engano, mas isso não vem ao caso) e depois de 3 minutos de ligação recebi o convite para ir com a banda até o local do show. Muito além da minha ideia inicial, já que o que eu tinha em mente era conversar com eles somente na casa. Em um clima de total descontração, nos dirigimos até a Green Louge cerca de 45 minutos antes do começo do show.

Dentro do micro-ônibus que banda e equipe estavam, eu conversei com Carlinhos Carneiro, vocalista da banda. Trocamos muitas ideias sobre os tipos de arte, censura, projetos e tudo o que surgiu em nossas mentes durante aqueles 30 minutos.

Você confere, a seguir, esse papo maluco e cheio de informações que tivemos (e que o meu gravador conseguiu captar).

Carlinhos Carneiro brinca durante o trajeto Hotel - Green Lounge (Foto: Carol Govari Nunes)

The Backstage: Vocês tiveram algum projeto paralelo durante esses anos sem gravar disco? Porque hoje é bem comum os músicos terem mais de uma banda…

Carlinhos Carneiro: A gente sempre teve essa coisa de não ter. Tivemos algumas outras brincadeiras aí, mas não há o que convém, o papo agora é sobre a Bidê. (risos)

TB: E o que vocês ficaram fazendo nesses 6 anos, então?

CC: Em 2007 a gente fez uma pré-produção, gravamos um grupo de músicas para apresentar para uma gavadora. Apresentamos, não rolou, aí nesse mesmo ano a gente gravou o Som Brasil, da Globo. Depois em 2008, 2009 nós fizemos uns desfiles da Converse no Donna Fashion, no Iguatemi. Também em 2008 a gente fez outra pré-produção com mais músicas para o disco.

Agora nós trabalhamos com um número X de 20, 22 músicas que a gente tá lançando aos poucos que são dessas pré-produções de 2007 e 2008, além de coisas novas, emocionantes. Em 2009 a gente passou tentando fazer esse disco virar verdade, então no final de 2009 surgiu essa parceria com o Beco.

TB: Como surgiu isso? O Beco tem um Selo?

CC: Tem um Selo, sim. A agente tava precisando de alguém pra bancar as nossas loucuras e fechou essa. O Beco tem uma característica de ser da noite, de ser boate e mostrar bastante coisa dessa cena rock dançante. A Bidê sempre deu importância pro rock ser dançante, moderno. A gente nunca se preocupou em parecer com algo antigo, mas sim ser contemporâneo.

TB: Pois é, é uma coisa meio que contracultura o que vocês fazem hoje em dia, em comparação com o que é feito por outras bandas. Por exemplo, vocês fazem letras bem diferentes, divertidas, o que não é muito comum nas bandas atuais. Acho que isso nem é uma pergunta. Mas você entendeu, né? Música para se divertir. Hoje em dia é tudo muito sério…

CC: É, na verdade a gente viajou nisso recentemente porque nesse primeiro EP, que vai ser lançado em março, provavelmente, tem essas duas músicas “Me deixa desafinar” e “Tudo é preza” (que já estão na internet) que ainda têm o nosso senso de humor, a nossa ironia, mas elas são um pouco mais sérias. Para as outras músicas que vão entrar nesse EP a gente se soltou, tipo “ah, agora vamos soltar a bobageira porque deu. Tá todo mundo muito sério, todas as bandas estão sérias, até quem tá se divertindo tá sendo sério, então vamos falar bobagem!” Pode ver lá que vai ter música falando bobagem sobre a Madonna, bobagem sobre a vida de diplomatas em Budapeste… E graças a Deus a gente conseguiu se refrescar a ponto de se permitir fazer isso. E isso mostra bem essa época que a gente tá agora de curtir a banda como no começo, sabe? Achar um ponto cético e explorar ele e se divertir como quando surgiu a banda: “ah, vamos nos vestir de terno e gravata que nem executivo saindo pro almoço”, e a gente se divertia com essa coisa dos anos 80, Blitz, B 52’s, com letras que sejam crônicas bizarras. Essas opções estéticas que no começo a gente teve e curtiu muito. Durante os outros 3 discos a gente foi firmando aquela coisa que toda banda fala: “ah, vamos firmar nossa identidade”, mas na real isso é palha, porque a pessoa perde a iniciativa de ser criativo que tinha no começo da banda. Então para agora, acho que a gente tá conseguindo apertar de novo esse botão de “soltar”, fazer a coisa mais leve.

Galera no micro-ônibus, antes do show (Foto: Carol Govari Nunes)

TB: E isso que a gente tá falando de as coisas serem muito certinhas, censura e tal, que por mais que falem em liberdade de expressão, tem muita censura por aí. Rádio, TV, todos os meios de comunicação dão um jeito de barrar o que eles acham que não pode ser veiculado…

CC: É a ditadura do politicamente correto. A gente vê no Vale Tudo, no canal Viva (que passa coisas antigas da Globo), toda hora o pessoal da novela tá fumando cigarro, e hoje não pode aparecer ninguém fumando um cigarro na novela, nem tomando chopp…

TB: E você acha que isso atinge a arte?

CC: Claro que sim. A nossa liberdade tá completamente cerceada porque a forma de nos atingir não é mais simplesmente prender e dar choque nas bolas do cara – agora eles te tiram o dinheiro, te impossibilitam de trabalhar em um lugar A, B ou C. Essas formas mais inescrupulosas de cercear tua liberdade são mais perigosas. Na real, os tempos atuais são mais perigosos porque eles são aparentemente mais livres, porém a nossa liberdade tá diminuindo. O que mais? Perguntas…

TB: Deixa eu pensar…. Por que vocês dão tantas versões para o nome da banda? Por diversão, lógico! (Risos)

CC: É, porque é divertido. É um saco ter que ficar explicando. Responder sempre a mesma coisa acaba virando um negócio automático.

TB: E ainda perguntam o porquê do nome da banda? Vocês já tem 10 anos de carreira…

CC: Perguntam, perguntam toda hora. Mesmo quando não é entrevista – me perguntam no shopping!

Com a casa de shows lotada, Bidê ou Balde comandou a plateia por mais de uma hora (Foto: Carol Govari Nunes)

TB: Aí a criatividade rola solta na hora de responder…

CC: As vezes, sim. As vezes eu já tô de saco cheio e falo a verdade ou qualquer coisa. Na verdade, a gente tem banda pra não ter Alzheimer, Parkinson, então a gente fez uma banda de rock. Então a gente tem músicas e fica encaixando letras nessas músicas para desenvolver partes do cérebro que estavam paradas e assim evitar que tenhamos Alzheimer. (Risos)

TB: Tudo pela saúde!

CC: Tudo para evitar doenças degenerativas do cérebro. Bah, e eu tô tao dona de casa (alguém atrás, nessa hora, grita: “gorda de casa”), é, tô tão gorda de casa que eu descobri que tenho alergia a detergente de louça. Meus poros da mão ficam “desse tamanho”!

Carol, a gente já chegou na parte da entrevista em que a gente fala sobre traveco?

TB: Não, mas podemos chegar!

CC: Vamos parar de hipocrisia, né? Afinal, quem não gosta de um travequinho? Hoje a gente fez uma música assim: “puta que pariu, tava escuro, era traveco e ninguém viu” (Risos)

(Pausa para devaneios sobre detergente de louça e travestis….)

TB: E sobre clipes, internet, lançamentos?

CC: Então, agora a gente tá organizando tudo isso aí para a partir de março atacar massivamente, aí estamos pensando em um clipe, orçando e, se Deus quiser, vamos gravar até o fim do ano. Já estamos vendo clipe até das outras músicas, gravando também músicas do próximo EP…

Mesmo com o calor, a banda não deixou de dançar durante todo o show (Foto: Carol Govari Nunes)

TB: Vão ser quantas músicas no EP?

CC: O primeiro tem 5 músicas. O segundo ainda não sabemos. Mas estamos gravando uma que já tá demais! Não é nossa, é um cover de Plato Dvorak, ídolo nosso, um malucão lá de Porto Alegre. O cara faz músicas psicodélicas há muito tempo.

TB: E esse lance de divulgar as músicas na internet funciona bem, né?

CC: Claro, funciona muito bem. Agora com esse lançamento de “Me deixa desafinar” na rádio Atlântida, só de a gente colocar a música no site o pessoal do interior de São Paulo ligava pedindo pra ouvir a música online, quer dizer, lugar onde nem passa a rádio! Aí os caras da rádio mesmo vieram me falar: “bah, meu, tem pessoal de Goiânia, São Paulo, gente que nem é do Estado pedindo a música!”. Inclusive esse pessoal que veio de Araras (SP). Tudo isso é possibilitado pela maravilha da tecnologia.

TB: Cara, acho que é isso. Tem considerações finais? (risos)

CC: É legal que o pessoal fique ligado no nosso Twitter, também Facebook, onde a gente coloca as músicas para serem ouvidas. Vão ter uns botõezinhos diferenciados lá no Facebook, Myspace. No Youtube também a gente anda colocando (e filmando) vários vídeos divertidos, soltos. Tem o Mosquito que viaja com a gente, filma e tal, além de cuidar do site e redes sociais. A gente tá com uma visão meio executiva, empresarial, bem num clima de terceirizações. A gente pensa meio sério: “ah, vamos tentar fazer projetos para tentar um DVD, documentário sobre sei lá o que, sabe? Inventando umas ideias tipo essas coisas que a gente grava na estrada de repente não vão para o Youtube, mas viram algo para DVD, para making of. O importante é ir documentando.

E também outras coisas – a gente tem aí uns projetos para serem aprovados ou negados, tudo que envolve esse lance de imagem, internet e fazer música alucinadamente.

TB: Que tipo de projeto?

CC: Tipo esse projeto para DVD, imagens da gente na estrada, projeto para clipe feito com o pessoal do Twitter, tudo dependo de apoio de empresa, patrocínio etc. Sempre pensando em coisas para conseguir dinheiro para providenciar isso aí. Acho que é uma tendência mundial, né, assim como o Black Eyed Peas faz, só que em menor escala. Estamos estudando repertório para um próximo show que vai ter, por exemplo, projeções, iluminações muito loucas e depois passar para um outro com danças, e depois para outro com teatro. Ir crescendo, fazendo misturas e inventando, e a forma de conseguir isso é arrumando dinheiro de outras pessoas. Então quando tu perguntou “ah, o que vocês ficaram fazendo nesses 6 anos sem gravar”, foi isso. A gente ficou pensando “como vamos arranjar dinheiro para patrocinar loucuras?”, porque a graça hoje em ter uma banda não é ser de uma grande gravadora, tocar música na novela, ter música em primeiro lugar nas rádios do Brasil, claro que isso também é legal, mas além disso você consegue ganhar muita grana sendo criativo, louco, explorando o lado mais improvável da tua música. E a gente sempre teve essa característica extremamente fechada no lance de estar fazendo música. A gente quer tentar explorar essas loucuras de outros meios, e graças a Deus a gente tem facilidade para explorar insanidades de uma forma pop, bem digerida pelo público, então todo mundo se diverte. 3 ou 4 velhinhas reclamam, mas elas que vão tomar no cu delas!

* Isso é só a primeira parte: amanhã, aqui no The Backstage, eu vou contar um pouco sobre o show, set list da banda e também sobre pai e filha que vieram do interior de São Paulo para assistir o show aqui em Frederico.