Arquivo de Março, 2012

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O “Crowdfunding” é um conceito que, em português, significa “fundo colaborativo”. A cooperação coletiva de pessoas que, por meio de seus recursos e rede de contatos, viabiliza a realização de uma iniciativa. De forma resumida, são pessoas que se unem com um objetivo em comum; realizar um evento. Seja ele qual for, pois a internet, através das redes sociais, acabou facilitando o encontro de pessoas com os mesmos interesses e, consequentemente, identificando as possibilidades de realizar um evento.

Baseado no modelo de “Ingresso-Benefício” Leonardo Leone, 24 anos, idealizou o “Budweiser Indie Festival” com a casa de shows Upper Club, em São Paulo. Abaixo, você entende um pouco melhor sobre do que se trata o evento e como pode participar para que ele ocorra.

The Backstage – Como e quando surgiu a ideia pra fazer o “Vamos realizar?”

Leonardo Leone – A “Vamos Realizar” é uma plataforma de vendas on-line. É preciso recursos financeiros, organização e contato e é aí que a “Vamos Realizar” entra negociando com as pessoas, fornecedores e divulgando a iniciativa nas redes sociais. É uma parceira no evento e eu não tenho vinculo com a empresa.

TB – Pode explicar um pouco o que é o “Crowdfunding”?

LL – O Crowdfunding ou Fundo Colaborativo é uma espécie de evento que é garantido pelos fãs. Existem vários modelos e o que criamos para o Budweiser Indie Festival foi o modelo baseado no Ingresso-Benefício: Precisamos vender 650 ingressos através da nossa plataforma online até o dia 20 de Abril para garantir o acontecimento do festival.

Divulgação

TB – Como funciona a venda dos ingressos e o que acontece caso o evento não se realize?

LL – As pessoas que comprarem esses ingressos ganham automaticamente 4 cervejas Budweiser para consumir no dia do evento além de ganhar direito a participar de sorteios de brindes nos intervalos dos shows. Entre os prêmios sorteados, estão 2 letreiros luminosos de neon da Budweiser. É importante falar que caso a meta de ingressos não seja alcançada, o dinheiro de quem comprou o ingresso é automaticamente estornado sem custos para o comprador. Todas as formas de pagamento são aceitas e é possível dividir o valor do ingresso no cartão de crédito.

TB – É a tua primeira experiência com isso?

LL – Trabalho com produção de eventos desde os 14  anos. O Fundo Colaborativo é um conceito novo no Brasil e ainda não é muito conhecido, mas é uma forma de realizar eventos com boa estrutura, boas atrações e segurança para os contratantes.

TB – Qual é a casa de show? Por que a escolha dela?

LL – O evento será no Upper Club (Próximo ao Credicard Hall). Essa casa tem uma estrutura impressionante, mas sempre foi voltada para o corporativo e social (formaturas e casamentos). Os donos do local decidiram tornar uma casa de shows e me chamaram para dirigir os projetos da casa e o Budweiser Indie Festival é o primeiro que vamos realizar.

TB – As bandas que compõe o lineup são todas independentes e estão crescendo muito no cenário atual. Como foi a seleção e o contato com elas?

 LL – Quando se fala em Indie Rock no Brasil todo mundo pensa em Cachorro Grande, em Vanguart. Eu frequento assiduamente os shows de rock independente e decidi o line-up baseado na qualidade das bandas, profissionalismo e mídia. São todos meus amigos pessoais há anos, mas o que realmente contou foi o feed back que tive desses shows que vou. Todas as bandas desse line além de terem gravados excelentes discos, são muito boas ao vivo. Quero que o festival seja um Start up para que o indie rock do Brasil cresça e se espalhe. A cena em São Paulo é muito forte e acho que tem potencial para se espalhar para o Brasil inteiro.

 TB – A divulgação na internet é a principal ferramenta de divulgação para o evento. Além deste meio, há algum outro tipo de contato ou informação que você queira deixar para os leitores do blog?

LL – O site www.vamosrealizar.com é o completo. Tem todas as informações do evento além de e-mails e telefones para tirar dúvidas. Estamos divulgando em parceria com as bandas na internet. Converso com os integrantes e todos sempre falam empolgados com o festival, estão ajudando bastante a mostrar que o evento precisa de venda antecipada para ser concretizado.

A estrutura de som e iluminação é excelente e isso também conta, pois a ideia é que o público enxergue as bandas como grandes bandas de rock nacional que são. Ser Indie não quer dizer tocar em pequenos bares para pequenos públicos sempre. É continuar fazendo um som visceral, sincero e impactante. Quanto mais apoio e estrutura as bandas tiverem, melhor o resultado do trabalho deles. A nossa parte, de trabalhar para fazer o evento acontecer, está sendo feita da melhor forma possível. Quem comprar o ingresso-beneficio, além das 4 Budweisers e dos sorteios, não vai se arrepender do que vai ver no dia 11 de maio. Após a venda dos 650 ingressos, será aberto o segundo lote. O valor do ingresso será maior que o lote inicial e não terá direito a consumação ou participação no sorteio. Quem comprar os primeiros ingressos, além de apoiar o evento terá vantagens. Isso não existe em nenhum modelo de Fundo Colaborativo. Criei exclusivamente para o Budweiser Indie Festival.

Natalia Nissen@_natiiiii

Há quase seis meses Frederico Westphalen tem um novo ponto de encontro para quem gosta de rock and roll, a Lugosi Rock Bazar. Luiz Carlos Nunes, o Fuga, é sócio-proprietário da loja que oferece discos e outros produtos ligados ao rock, como camisetas, mochilas, relógios e souvenirs. Ontem, dia 17, aconteceu na Lugosi um workshop com os músicos Eduardo Martinez e Nando Mello, guitarrista e baixista, respectivamente, do Hangar – um grupo respeitado no cenário do heavy metal.

Nando Mello, baixista do Hangar (Foto: divulgação)

Superando a expectativa de público, aproximadamente 40 pessoas enfrentaram o calor intenso e  assistiram à apresentação dos músicos e depois puderam bater um papo sobre a realidade da música nacional, o cotidiano de uma banda de heavy metal, e tirar dúvidas sobre várias questões musicais.

Nando Mello é baixista do Hangar há mais de dez anos e falou sobre a importância dos artistas serem parceiros dos contratantes, ou seja, a banda precisa ser realista ao aceitar uma proposta para tocar em determinado lugar.  Para fazer mais shows num mesmo lugar a banda precisa estar ciente do lucro que será obtido naquele show e não pode cobrar um cachê que vá além das possibilidades do evento. É necessário conversar e entrar em um acordo que valorize tanto o trabalho da banda, quanto o retorno do empresário. A realidade do heavy metal no Brasil não permite que uma banda cobre R$5 mil por um show com público de 300 pessoas pagando R$20 pelo ingresso. Seguindo o raciocínio do músico, mais artistas têm a oportunidade de se apresentar nos mesmos lugares, se uma banda cobra muito o empresário fica pagando o prejuízo por mais tempo e não tem condições de fazer novos eventos.

Nessa oportunidade Fuga afirmou que o maior incentivo para abrir a loja, além da questão financeira, foi a fomentação do rock em Frederico Westphalen. “Penso num evento e espero 300 pessoas, mas vou continuar promovendo shows mesmo que apenas 150 estejam lá. O cara que gosta de música deve vestir a camiseta da banda favorita e o maior incentivo que alguém pode dar à música é comprando um ingresso e indo ao show” declarou. Enquanto houver público, por menor que seja, o rock e suas vertentes não vão findar-se.

Questionados sobre a ascensão do sertanejo universitário Martinez foi breve e claro “não conheço”. O público do sertanejo universitário não é o do heavy metal, são públicos muito diferentes e, definitivamente, não serão os fãs dos astros sertanejos que irão acabar com o rock. Com orgulho os músicos enfatizaram que nunca houve briga em qualquer show do Hangar, as pessoas que curtem rock são pessoas do bem, “todo tipo de música tinha uma droga associada, os de camiseta preta eram os maconheiros, o pessoal da balada era ecstasy,… as coisas não são mais bem assim”.

Eduardo Martinez (Foto: divulgação)

Além das demonstrações e execuções de algumas músicas do Hangar, o baixista e o guitarrista ainda esclareceram as dúvidas dos músicos que estavam na plateia. Disseram que assim como em qualquer outro ramo, na música é necessário estabelecer prioridades, “se você quer fazer música tem que estar certo disso quando a namorada quiser sair na hora que você marcou ensaio com a banda. Se não estiver disposto a ensaiar tem que sair da banda e deixar lá só quem quer”.

Esbanjando bom-humor Nando Mello e Eduardo Martinez falaram sobre aspectos do cotidiano de uma banda de heavy metal, desde o processo de composição de uma música até a expectativa de venda de um álbum. Outros estilos de música têm muito mais investimento no Brasil, é muito difícil uma banda de heavy metal vender mais que 1000 cópias de um disco, enquanto que artistas pop têm a primeira tiragem já com 30 mil cópias. O workshop foi oportuno não somente para os fãs do Hangar, mas também, para todos que gostam de música e se envolvem com ela de alguma forma.

Hoje o workshop acontece em Santo Ângelo, no Canecão Beer a partir das 19 horas e amanhã em Horizontina, no Centro Cultural Belas Artes. Em março a dupla ainda passa por Três de Maio, Ijuí, São Luiz Gonzaga e Canela.  A agenda completa do Hangar está disponível no site. E se você ainda não conhece a loja Lugosi vale a pena conferir, fica na rua João Ruaro nº 305, próxima ao Lar dos Idosos no bairro Barril. Fuga adiantou que em breve vai acontecer uma comemoração aos seis meses da loja e a festa vai ser no Maria Lucia.

Natalia Nissen@_natiiiii

Quem mora em Frederico Westphalen já conhece, mas agora o The Backstage Blog vai mostrar um pouco mais sobre a banda que surgiu no final de 2007 em Santa Maria para resgatar os clássicos do rock and roll. Bito Maria (bateria/vocais), Zeh Maria (guitarra/vocais) e Fernandinho (contrabaixo/vocais) são Os Marias, eles fazem show no próximo sábado, dia 10, na Green Lounge na festa de retorno às aulas.

The Backstage – Os Marias começaram a fazer shows para resgatar o rock em Santa Maria. Vocês acham que o rock não está numa boa fase?

Zeh Maria – Não achamos que o rock está em má fase ou sem espaço. Sempre tem lugar pra se ouvir/curtir um rock and roll e pra quem tem banda sempre tem lugares pra tocar rock and roll. Isso é fato. É só ir atrás. O rock perdeu um pouco de espaço com a ascensão de outros estilos que passaram a dividir o espaço dos grandes eventos com o rock and roll. Achamos que o público em geral, talvez, esteja passando por uma má fase, aceitando material sem qualidade e deglutindo tudo sem ter um pouco mais de critério.

Os Marias se apresentam em FW no próximo sábado (Foto: Marcos Piaia)

TB - O repertório dos shows conta com grandes clássicos do rock nacional e internacional. Quando vocês se apresentam em Frederico Westphalen, quais são as considerações feitas em relação a esse repertório? Aqui os shows têm músicas diferentes dos outros lugares?

ZM - Dificilmente repetimos um repertório. É claro que certas canções não podem faltar, pois já são nosso cartão de visitas, por assim dizer, mas procuramos sempre tocar aquelas canções que achamos que podem soar melhor nos lugares que tocamos. Ainda não decidimos o repertório pra Frederico, ele vai ser feito provavelmente no hotel ou no camarim da Green Lounge. Precisamos sentir o clima da festa e da cidade no dia para podermos escolher as canções. Geralmente ocorrem mudanças no setlist no meio do show mesmo.

TB - A banda tem uma agenda intensa de shows. Vocês têm projetos paralelos?

ZM - Fazemos mais de 120 apresentações por ano, é bem puxado, mas muito gratificante. Projetos paralelos não temos, não, trabalhamos nas nossas áreas de graduação. O Bito é medico veterinário e possui uma clínica veterinária aqui em Santa Maria, O Fernandinho é Analista de Sistemas e eu sou Relações Públicas, mas só vivo da música. Conciliamos tudo da melhor maneira possível.

TB - Quais são os planos da banda para 2012?

ZM - Pretendemos manter a média e a qualidade dos shows. Também estamos em um forte processo de composição nesse início do ano e, se tudo der certo, lançaremos muitas músicas novas e talvez um disco completo se o mundo não acabar (risos). Mas o mais importante é que queremos tocar muito, levar o nosso trabalho cada vez mais longe para que cada vez mais pessoas possam nos conhecer.

Iremos assistir ao mestre Dylan em Porto Alegre somente. Em 2008 conseguimos falar com ele em Buenos Aires e tirar fotos. Presenteamos ele com uma camiseta da banda. Uma pena é não podermos exibir nada disso devido aos direitos de imagem (risos).

TB – Bob Dylan faz parte das influências d’Os Marias? E quais outras vocês têm?

ZM - Certamente tem grande influência sobre nosso trabalho. É um grande compositor, talvez um dos maiores de todos os tempos. Toco harmônica em grande parte por causa dele. Seria difícil citar todas as nossas influências aqui, gostamos de muitas bandas, mas acho que o nosso trabalho é muito influenciado pelas nossas vidas, nas experiências que temos, nas pessoas que conhecemos e naquilo em que acreditamos.

TB – Os Marias estão entre as bandas mais queridas do público de Frederico Westphalen, para finalizar, o que o público pode esperar da apresentação no próximo sábado?

ZM – Gostamos muito de tocar em Frederico, somos sempre muito bem recebidos e temos grandes amigos por aí. É um dos lugares mais rock and roll que conhecemos aqui no RS, galera muito receptiva e participativa nos shows. O que podem esperar d´Os Marias é muito volume, dedicação e energia pra executar os clássicos do rock da melhor maneira possível.